<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757</id><updated>2011-11-27T16:15:05.701-08:00</updated><category term='papel de parede 3717 x 2396'/><category term='wallpaper 1280 x 713'/><category term='Ecos'/><category term='Blog da domestica'/><category term='minha primeira animação  em 3D  - bryce 6.1'/><category term='imagem domésticas  640 x 640'/><category term='wallpaper 8545 x 3898'/><category term='imagem 4621 x 2110 - bryce 3D  -  foto NASA'/><category term='poster  1190 x 1684'/><category term='imagem papel de parede x foto bobinho'/><category term='wallpaper 1280 x 713 - sábado'/><category term='Papel de parede'/><category term='wallpaper -grande'/><category term='animação em 3D  bryce 5.5  - continuo tentando'/><category term='imagem 4134 x 1671'/><category term='imagem  papel de parede  1280 x 713'/><category term='Papel de parede 1280 x 713'/><category term='minhas fotos'/><title type='text'>blog da domestica</title><subtitle type='html'>variedades,cinema,musica,limpeza,vinhos,culinária,paraquedismo,roteiro de cinema e literatura...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1580627685961999849</id><published>2011-10-10T04:57:00.000-07:00</published><updated>2011-10-10T04:57:08.178-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blog da domestica'/><title type='text'>O indez  - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FqqRBREAxP8/TpLc0I5mt2I/AAAAAAAAAWE/_AgSDkUWfck/s1600/O+indez-web-blog2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="344" src="http://2.bp.blogspot.com/-FqqRBREAxP8/TpLc0I5mt2I/AAAAAAAAAWE/_AgSDkUWfck/s640/O+indez-web-blog2.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Terra-de-siena-queimada, o amarelo e a cor laranja com pinceladas curtas – como os impressionistas -, os verdes e musgos viram folhas das ervas aquáticas, o banco de areia marrom esfumeado e, num único traço, de um pincel largo, a cor branca vira um ovo. Tremeluz espectralmente o sol, como o ouro de Van Gogh e as águas refletem o céu. As nuvens são esbranquiçadas e leves, o vento é sereno e as gaivotas do rio Paraguai estão pousadas, aproxima-se do meio-dia. Mão fina e hábil risca com o cabo do pincel no canto inferior esquerdo, “Mimi, 1977”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Pintava com tinta a óleo e tinha o hábito de fazer uma paisagem por dia. Retratava o rio Paraguai como uma sonata de rangidos de barcos, onde borrifos de tintas eram convertidos em bancos de areia sonoros, nuvens errantes e aves que piavam arias. Naquela manhã havia fragmentos do inverno no ar e ele pintou, mimou-o de cores frias, um ovo, grande e desconhecido que dormia sobre as areias e restos de plantas. Mimi levou o ovo para casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O vento faz flutuar suas mangas manchadas de tintas, que esvoaçam ao remar a pequena embarcação de madeira. Segue por uma alameda bordada de barcos rústicos e, ao fim, o porto onde ele mora sozinho. Sua casa é uma draga abandonada e ancorada na beira do rio, com ferrugens em tom safira amarela, cortinas de teias de aranhas e um jardim de camalotes. Ambígua criatura, suscetível, tinha ectopia de alma e ninguém sabia se era um homem ou uma mulher. Mimi vendia quadros no coreto da praça em Corumbá e bebia cervejas bolivianas com ovos coloridos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Relincham tristemente os mastros e um pálido azul paira no céu; as águas da superfície enrrugam calmamente e um perfume de peixes fritos vem embalsamar o ocaso daquela manhã encantada na beira do rio Paraguai. Mimi e seu coração de moço bebem cervejas bolivianas, incessantemente. Luz e sombras sobre seu corpo seminu, que cantarola e dança com o copo de cerveja trocando de mão. Ele cozinha ovos de galinhas para o almoço, inclusive o grande ovo encontrado e que também foi pincelado por ele numa tela de algodão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Os barcos, xavecos e casas flutuantes bailam sobre as águas calmas, que nessa hora da tarde cintilam o esplendor de um azul em chamas, que sobe como um muro sobre o porto e a cidade. Mimi caminha dançando para o segundo andar da draga, ferros enferrujados retorcidos em céu aberto onde guarda cavaletes, tintas e apetrechos da sua arte e varais. Sobre a mesa de madeira manchada de tintas secas, ele tira as cascas dos ovos e continua a beber cervejas com sal. Aquele ovo grande também foi cozido em fogo brando por meia hora, mas parecia estar vivo no meio do prato. Mimi cede atenção para as enigmáticas e contínuas batidas que vêm de dentro do ovo – como se alguém batesse numa porta fechada -, algo vivo querendo sair.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Com a ponta da faca Mimi faz um furo na casca do ovo deixando escapar um sopro de vapor. É quando o ovo se craquela em inúmeros pedaços, revelando uma ave grande, desconhecida e quase morta pela quentura. Sem penas, bico amarelado, tinha a pele rubra e respiração ofegante. A tarde recende a peixes vivos e há um profundo transparente no céu de agosto. Passam plantas errantes de flores brancas. São ninhos do puro esplendor que carregam coisas vãs, que só o rio sabe, são perdidas, vão para o mar e não voltam mais. Mimi treme ante a visão daquele conto, um milagre, um enigma da vida. Um ovo que chegou de algum lugar do oceano Pacífico, arrastado por plantas e agora uma ave que seria sua eterna companheira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O albatroz-viajeiro cresceu e suas penas brancas eram como pinceladas longas. Um fio azulado, quase preto, saía dos cantos dos olhos e terminava no pescoço. Tinha uma envergadura acima dos três metros. Voava rente aos mastros e telhados do casario do porto, aprendeu a bailar no espaço e aderiu ao exicio dos humanos. Junto de Mimi degustava cerveja com lambari-do-rabo-vermelho. E por concordância e fé de alguns moradores, o albatroz foi nomeado de Lourenço – por ter sobrevivido ao fogo. Foi assim que Mimi e Lourenço escolheram viver, cronometrando tudo a uma perfeição relativa de um bater de asas, de modo a não perder os cortejos, não perder a mão das pinceladas de cores quentes em dias frios, a não perder o gosto da cerveja boliviana e os velórios que ainda estariam por vir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E foi numa tarde fria, quinze anos depois. Depois de mil litros de cervejas, incontáveis peixes e tubos de tintas. Depois de mil noites insones, imersas em puro esplendor, um festival de coisas sem sentido e enigmática felicidade, que Mimi morreu como o cair de uma pétala malsonante. Lourenço não era humano, mas sentia o deserto e o silêncio no colóquio da noite e das águas do rio Paraguai, sem a voz de Mimi. E quando o musgo cobriu o túmulo de seu companheiro, já tinha se passado vinte anos. E, no porto de Corumbá, ainda se ouvia o brado do bater das asas de Lourenço por eternas noites.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;fim &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1580627685961999849?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1580627685961999849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/10/o-indez-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1580627685961999849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1580627685961999849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/10/o-indez-conto.html' title='O indez  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-FqqRBREAxP8/TpLc0I5mt2I/AAAAAAAAAWE/_AgSDkUWfck/s72-c/O+indez-web-blog2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8577397850592128543</id><published>2011-09-11T13:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T13:18:42.403-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blog da domestica'/><title type='text'>Existência e suavidade - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-q7Xso4smRZc/Tm0XRUBlTSI/AAAAAAAAAWA/QkVDvbeiPUg/s1600/exist%25C3%25AAncia+e+suavidade-blog+da+domestica.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="344" src="http://4.bp.blogspot.com/-q7Xso4smRZc/Tm0XRUBlTSI/AAAAAAAAAWA/QkVDvbeiPUg/s640/exist%25C3%25AAncia+e+suavidade-blog+da+domestica.bmp" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&amp;nbsp; O&lt;/span&gt; dia chegava ao fim. As poucas nuvens no céu refletiam um amarelo triste e transfigurador da noite. Licerre chegou à beira do rio com seus apetrechos de pesca no horário de sempre. E, como todos os dias, sentou-se pelo barranco, tirou os sapatos e mergulhou os pés dentro da água fria. Acomodado, acendeu um cigarro de palha, atirou um anzol no meio do rio e esperou. Ao manar das horas, os bugios ficam em silêncio, mas ainda paira uma confusão de ruídos e cores translúcidas sobre as águas que murmuram em pequenos vórtices, espalhando luzes por todos os lados. Licerre acendeu outro cigarro de palha - a fumaça dança sobre as águas junto às sombras que, como uma ilusão, funde seus sentidos. Ele ouve a vegetação, crescendo junto com crepusculários rumores, e a água, fluído misterioso, equação matemática e sem resposta para o homem, que jorra em seu crépido usual. A linha de pesca desliza, corre em ângulos retos, fazendo barulho, zunido, como uma nota musical avisando que um peixe fora fisgado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Hoje é o meu dia. Opa, deixei meu cigarro cair, disse Licerre enquanto retirava os pés da água e, com grande força, puxou um peixe para fora do rio. Era um peixe enorme e, por alguns segundos, ele se contorceu brilhante e cheio de reflexos, deixando exalar um cheiro característico das criaturas aquáticas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Licerre colocou o peixe no cesto de samburá ao seu lado. Retornou os pés para dentro do rio e mais uma vez jogou o anzol na água.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Fico espantado e até escabreado com tanto enigma neste mundo. Que substância é esta que perambula sem cor ou sem forma, e cria e recria seres maravilhosos iguais a você? Licerre falou com o peixe, enquanto acendia o último cigarro de palha que guardara preso na orelha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Você é um homem? perguntou o peixe com voz pequena e abafada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Eu sou um homem! Uma criatura nascida em fluido, igual a você. Inclusive, os nossos sonhos se formam num lago de substâncias líquidas, disse Licerre, sem alterar a voz, e como se fosse normal conversar com um peixe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Então, eu sou um peixe, como você me chama. Pra que sirvo? O grande peixe tem dificuldade para respirar. Suas guelras pulsam incessantemente e tem a voz muito fraca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Você é um peixe, sim! Um ser maravilhoso, belo e somente a natureza é capaz de produzir algo tão extraordinário e sem explicação. Não saberia responder sobre sua serventia. Os homens sabem coisas porque são dotados de sentidos, mas também não sabemos porque existimos. Você está falando igual a um humano! E como isso pode acontecer? O homem fica admirado, olhando o peixe se contorcer, enquanto fala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Eu não sei porque estou falando como um homem. Estou esquecendo tudo e não consigo nem lembrar como era embaixo dessas águas. Explique melhor o que é um sentido? – fala o peixe, compassadamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Com as duas mãos feito concha, Licerre apanhou água fria e jogou sobre o corpo do peixe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Posso devolver você para o rio, mas, antes, tentarei explicar sobre os sentidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Licerre pega o peixe com as duas mãos, levanta na altura da sua cabeça e mostra o rio, a água que segue em silêncio desbordando o chão – mostra-lhe o céu, as alturas e as luzes distantes. - - Tudo isso existe! Eu sei disso porque tenho meios através dos quais percebo e reconheço o mundo, o nosso mundo. E você possui alguns desses sentidos, como, por exemplo, reconhecer o ambiente, a água e retirar dela tudo o que você precisa para viver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- E pra que viver, se você vai me devorar e sempre vão me devorar? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Não farei isso! Vou devolvê-lo para seu lugar no rio. Você jamais compreenderia como funcionam os sentidos de criaturas como nós. Temos algo a mais, somos dotados de entendimento. A inteligência do homem fica aqui, na cabeça, num lugar chamado cérebro. Neste lugar é que nasceram o entendimento, a razão e a civilização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Inteligência, civilização e razão! Como vocês homens sabem sobre tudo isso? pergunta o peixe, angustiado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Não sabemos muitas coisas, mas sabemos mais que um peixe. Sabemos sobre nosso mundo e nosso universo baseados em ecos que observamos e analisamos. Aprendemos sobre leis naturais que governam e, em parte, como estas leis funcionam graças às coisas para as quais demos nomes, como a matemática, a física e a ciência. Olhe para cima e veja quantas luzes! São mundos, milhares, incontáveis possibilidades de vidas e charadas sem respostas. Na tentativa de obter algumas respostas para tal realidade é que criamos a filosofia e nos perdemos em oceanos de fluídos, inclusive o medo. E logo concluímos que até as águas morrerão; eu também morrerei um dia - e para sempre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Eu nunca senti isso que sinto agora. Por favor, não me deixe nestas águas sem luzes, tenho medo de ser devorado por outras criaturas, tenho medo, muito medo! E o que é oceano? &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;pergunta o peixe, bem baixinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Não posso deixar você morrer fora do seu mundo. Oceano é feito desse mesmo fluído enigmático que nos gerou, a água é salgada e você não sobreviveria em seus abismos, onde desembocam todos os rios deste mundo. Você sempre teve esse medo? indagou o homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Não me lembro! Sei que gostaria de não saber nada, como sempre foi. Agora eu possuo este alheio sentimento. Vou morrer em breve, mas, por favor, não me jogue vivo no rio! Deixe-me morrer bem quietinho aqui, ao seu lado. A minha boca dói, está machucada, foi você quem fez isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Pela tua visão isto se chama mal! É algo relativo e também foi inventado pelo homem, creio eu. Licerre enxugou o sangue que escorreu da boca do peixe e, depois, acomodou o corpo quase sem vida do animal. Você precisa viver! Eu deveria colocar você de volta neste rio, é incompreensível o que você está pedindo. Por que você não quer viver? E por que eu te compreendo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O peixe, ainda em agonia, sussurra no ouvido do homem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;- Porque tenho medo! Tenho muito medo da escuridão e medo de ser devorado por outros. Se voltar para estas águas também morrerei. Nasci para ser devorado, apenas isso! E agora que sei sobre o oceano e a existência perdi a vontade, tudo perdeu o sentido e eu não recordo de mais nada! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E foram as últimas coisas que o peixe falou antes de morrer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Cores cheias de melancolia mudavam a aparência da noite. Licerre pegou o peixe com as duas mãos e o soltou, suavemente, num redemoinho. Lavou os pés enlameados, juntou as coisas e foi embora, seguido pelos vagalumes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;f&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;im&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8577397850592128543?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8577397850592128543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/09/existencia-e-suavidade-conto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8577397850592128543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8577397850592128543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/09/existencia-e-suavidade-conto.html' title='Existência e suavidade - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-q7Xso4smRZc/Tm0XRUBlTSI/AAAAAAAAAWA/QkVDvbeiPUg/s72-c/exist%25C3%25AAncia+e+suavidade-blog+da+domestica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-9202014105394345904</id><published>2011-08-29T10:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-29T10:58:04.598-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blog da domestica'/><title type='text'>Aos olhos da lagartixa - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZYq8GsFidc0/TlvSFbsfHDI/AAAAAAAAAV4/-UK84tKvaSs/s1600/aos+olhos+da+lagartixa-web.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="215" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZYq8GsFidc0/TlvSFbsfHDI/AAAAAAAAAV4/-UK84tKvaSs/s400/aos+olhos+da+lagartixa-web.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;uando a grande lâmpada se apaga pelo lado de fora da casa, outra se acende no céu da cozinha, lugar onde vivo, com picumãs de colcha e travesseiro. Sobre a mesa há um jarro com água e flores de plástico, do qual pego minha comida preferida. Também há um corredor, uma alameda como um tabuleiro quadrado no chão. Caminho por lugares longínquos da casa sem deixar rastros no céu. Durmo nos canos da nariz-de-burro, que fica pregada no quarto, ao lado da cruz sobre a cama onde eles dormem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Eles dormem sem palavras e dormem sem cuidado sobre um lençol de cetim azulado. E, no silêncio sem limites da noite, ele prova da sua boca fazendo sonoros ecos, porém, ela segue dormindo. E quando a luz furtiva passa pelo buraco da fechadura, ele acorda e do banheiro fala com voz distante e amortecida. São versos mais dolentes do que a chuva, café da manhã e fagulhas que voam sobre ela que, doce, continua adormecida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Foi assim por muito tempo naquela casa, onde eu corria pelo teto e paredes, enxergando imagens geométricas que caminhavam pelo chão. E ela dormia sobre um lençol de cetim azulado. Ele fazia versos mais dolentes que o café da manhã, todos os dias. Ela seguia dormindo com fagulhas que entravam furtivamente pelo buraco da fechadura. Ele falava com a chuva fazendo sonoros ecos, sobre a cama que dormiam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como um espelho foram todas as noites, exceto aquela em que ele a fura com seu espinho de amor. Penúria extrema golpeia seu coração ao sentir o assombro definitivo do plástico rompido, vazio e sem pulso. Eu, lá no alto, no teto, não compreendia nada, exceto o que viria depois. Ele partiu para uma eternidade fixa, ela ficou sobre o lençol de cetim azulado, sem pulso e vazia. Era uma boneca que furou; ele, era de verdade e tinha um coração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A casa ficou vazia. Penúria extrema golpeia meu coração. Eu, lá no alto, no teto, não compreendia o vazio das imagens geométricas que caminhavam pelo chão, exceto o que viria depois. A boneca ficou sobre o lençol de cetim azulado, sem pulso; ela dormia e ele partiu para uma eternidade fria. As flores de plástico murcharam e até a água do jarro secou. Às vezes ouço vozerios pelo lado de fora da casa e recordo que ele fazia versos mais dolentes que a chuva. E ela continua adormecida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Fim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-9202014105394345904?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/9202014105394345904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/08/aos-olhos-da-lagartixa-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9202014105394345904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9202014105394345904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/08/aos-olhos-da-lagartixa-conto.html' title='Aos olhos da lagartixa - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ZYq8GsFidc0/TlvSFbsfHDI/AAAAAAAAAV4/-UK84tKvaSs/s72-c/aos+olhos+da+lagartixa-web.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7665281330013489290</id><published>2011-06-09T13:24:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T13:24:17.250-07:00</updated><title type='text'>Singularidade - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MC7RlXoCAPY/TfEqTlbkcqI/AAAAAAAAAVs/koyCSnnsQaY/s1600/Singularidade-blog+da+domestica-arte..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://2.bp.blogspot.com/-MC7RlXoCAPY/TfEqTlbkcqI/AAAAAAAAAVs/koyCSnnsQaY/s400/Singularidade-blog+da+domestica-arte..jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;O&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;sol resplandece no pomar e das telhas caem sombras que margeiam a casa. De suas janelas de silêncio glacial afloram ruídos desconhecidos, compassos desiguais e hórridos, que ceifam o silêncio da manhã. Os cachorros não latiram, as aves estavam ausentes e alguma coisa enigmática e inexplicável aconteceu, pois tudo que era vivo desapareceu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Boca seca e emudecida, olhar desértico sobre o teto do quarto, Tito acordou e já passava das seis horas da manhã - coisa que ela raramente fazia era acordar tarde. Não lembrava de nada. Caminhou pela casa vazia, ausência de vida, um ruído tilintando e constante permeava por todos os lugares, vindo do alto. O fogo apagado, o café e o chimarrão não estavam prontos. Rosa Maria, a bugrinha que trabalhava na casa, também não havia chegado. Tito abriu a porta da frente e caminhou pelo quintal, onde os cachorros deveriam estar. Nada. Silêncio, coleiras e utensílios espalhados pelo pomar. Ela olhou para o alto e o céu estava de um azul profundo, sem nuvens e sem as costumeiras aves.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ainda de pijama, Tito percorreu a estradinha que liga sua casa até a casa do agricultor, o ajudante na pequena lavoura de cebolas. O silêncio absoluto deixava o ruído enigmático que vinha do céu a soçobrar por entre as fileiras da plantação. Na casa não havia pessoas, apenas as roupas que o homem e sua mulher vestiam e estavam na beira do fogão de lenha com borras de café. Tudo havia evaporado, corpos de criaturas grandes e minúsculas como os insetos.&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;De volta para casa, Tito procurou o rádio que transmitia apenas ruídos iguais aos que ela ouvia constantemente em sua cabeça. Era um zumbido modulado, matemático, vinha de algum ponto do espaço, tinha interferência numa área de vinte quilômetros quadrados - um cone, um redemoinho ou um&amp;nbsp;vórtex de luzes primitivas e sons. Abrangiam sua propriedade parte do rio Apa e uma lagoa que deveria estar repleta de marrequinhas-do-brejo e tilápias. Sem montaria, ela percorreu toda a propriedade enquanto pensava nos tempos amargos pelos quais perambulou feito um fantasma pelas ruas do porto da cidade de Corumbá, &lt;st1:personname productid="em Mato Grosso" w:st="on"&gt;em Mato Grosso&lt;/st1:personname&gt; do Sul. Foram anos pesados, embrutecidos pela loucura e depois a cura, como o esgar de um boi a ruminar ali, naquele lugar, seu céu e seu erebo final.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Misteriosamente, ela perambula pelos corredores do curral e os coxos ainda estão cheios de sal. Todo gado também sumiu e Tito encontrou apenas as vestes do bugre que cuidava das vacas e retirava o leite. Ela&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;jamais tinha experimentado algo mais cruel, desde a morte de seu amado, o homem que lhe salvara a vida duas vezes. E depois que ele foi embora, sua ausência a levou ao extremo limite novamente. Dizia ter dores de barriga, cólicas e ouvia loucos rugidos de trovões noturnos e paredes vermelhas derretendo diante dela. Não perdera o juízo e nem a fé depois disso, continuou&amp;nbsp;a grunir&amp;nbsp;quase sozinha na propriedade, mas submetera-se à vontade de Deus e seus caprichos fugidios e incertos para sempre. Agora, em seu mundo, o único pecado é tomar chimarrão três vezes ao dia, com ervas e cipós que os bugres do lugar chamam de ayahuasca, um remédio e um alívio para persistentes sonhos ruins.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Incompreensíveis foram aqueles anos &lt;st1:personname productid="em poeira. No" w:st="on"&gt;em que Tito&lt;/st1:personname&gt; e seu amado chegaram naquele lugar. Havia um enxame de fantasmas, as noites eram geladas, longas e viúvas. E a todos que ali viveram foi misteriosamente concedido o mais amargo dos destinos. Os empregados da fazenda, os cachorros, cavalos e até seu amado foram mortos degolados e, depois, cuidadosamente desossados, expostos ao sol com sal grosso. Besuntada de óleos aromáticos, toda a carne dessa gente foi defumada sobre o fogão de lenha. Os ossos repousam em covas adornadas por urtigas e estercos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Naquela mesma noite, o ruído que vinha do espaço desapareceu e a terra foi tomada por um silêncio mortal. Cigarras, grilos, minhocas, borboletas, vagalumes e mariposas desapareceram, foram convertidos &lt;st1:personname productid="em poeira. No" w:st="on"&gt;em  poeira. No&lt;/st1:personname&gt; céu brilham embaçadas estrelas com estilhaços de nuvens azuladas. Pela varanda da grande casa, Tito e seus olhos fundos viajam em pensamentos para um passado mais distante, quando vestia rendas e saias de padrões axadrezados&amp;nbsp;cobrindo sua beleza e juventude. Saracoteios ante os espelhos iluminados, seus cabelos cor de trigo e olhos amendoados. E o que existia lá no passado?, pensava Tito, enquanto embalava a rede de dormir com o pé esquerdo. Tudo aquilo ficou gravado num picumã sobre o fogão de barro ou o passado ainda estaria calcinado numa fotografia desbotada ou até em um punhado de terra num sepulcro no curral... (?)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Noturnal e sem os perfurantes ruídos dos cicadídeos, uma chuva-criadeira assediou a casa e trouxe insônia e frio. As árvores começaram a sussurrar, exigindo de Tito respostas da sua vida e seus dúbios teoremas. Madrugada de acerto final para sua alma, um sacrifício aos silêncios que murmuram em seus ouvidos cada tempo vivido e justificado com lágrimas e angústias inextinguíveis, como o seu plácito de amor e, por fim, a duradoura solidão. Ainda na varanda da casa teve visões do barco iluminado cujo nome era “Delírio”, mas conhecido, de Corumbá até a cidade de Assunção no Paraguai, como “barco das putas”, onde ela trabalhou durante toda a adolescência. Foi seu segredo maior e nem sua paixão teve acesso em seu coração de moça. Época de desespero, vergonha e sonhos alheios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Cálida chuvarada cai sobre toda a região. Tito sentiu a madrugada chegar sem o cantar dos galos, mas agora podia ouvir o ruído e sons das gotas batendo e escorrendo na terra espessa. Na manhã que chega, tudo navega para um rumo não sabido, como a chuva que cessa repentinamente, convertendo o céu num puro esmalte azulado e sem fim. Exausta, ela caminha novamente pelos corredores da casa fria.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Acende o fogo com lenhas, faz um ritual do mate-chimarrão, chaleira de ferro cheia de líquido quente, toma rumo da estrada - era quase sete horas da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Pedras dendrias moldam o caminho com ervas daninhas. Tito toma o chimarrão lentamente, soltando baforadas de vapor enquanto percorre a entrada da propriedade que leva até a porteira principal. A estrada boiadeira que chega até ali atravessa o pantanal sul e termina no porto de Ladário, fronteira do Brasil com a Bolívia, lugares por onde ela nunca voltaria. Mais uma vez ajeita a bomba do mate-chimarrão - a água esfriou e Tito lava os olhos com a sobra morna. Um tremor pelas pálpebras molhadas e a atenção do olhar é atraída para a estrada que chega. Silhuetas escuras caminham pelas margens da via sob o olhar atento de Tito.&lt;span style="color: #2a2a2a; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 10pt; line-height: 115%; mso-bidi-font-family: Tahoma;"&gt; &lt;/span&gt;Ao piscar dos olhos elas desaparecem, deixando apenas uma névoa pelo ar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;Tito retorna para dentro da propriedade. Carrega numa das mãos a chaleira de ferro vazia e suas pernas mirradas acompanham as sombras da vegetação que escorrem devagar pelo chão.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Por segundos olha para o céu e enxerga vidas novamente. São urubus voando em círculos sobre carniças distantes. Uma massa de vento esganiça o velho galo enferrujado cata-vento e nuvens inventam imagens paraguaias no espaço sobre os telhados e os sepulcros no curral do gado. Ela continua lentamente a caminhar pela estradinha suja, onde o mato cobre os pés. Fala baixinho coisas sem sentido, ressuscita hábitos antigos e de volta para casa procura comida. Acende o fogo no grande fogão de tijolos, ferve água, cozinha arroz, abóbora-menina, feijão preto com carne seca, uma mão humana, sem unhas e defumada. Tinha orelhas também.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;Fim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7665281330013489290?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7665281330013489290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/06/singularidade-conto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7665281330013489290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7665281330013489290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/06/singularidade-conto.html' title='Singularidade - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MC7RlXoCAPY/TfEqTlbkcqI/AAAAAAAAAVs/koyCSnnsQaY/s72-c/Singularidade-blog+da+domestica-arte..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2337211315284994791</id><published>2011-04-07T15:36:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T15:49:06.474-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecos'/><title type='text'>O big bang do Jaracatiá - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4Vm_P0Bvn0g/TZ46zjZW1cI/AAAAAAAAAVk/PWeBbNVQGHE/s1600/BigBangdo+Jaracati%25C3%25A1-web-blog+domestica..bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="215" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-4Vm_P0Bvn0g/TZ46zjZW1cI/AAAAAAAAAVk/PWeBbNVQGHE/s400/BigBangdo+Jaracati%25C3%25A1-web-blog+domestica..bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; meu nome é Tardígrado, mas no nascimento minha avó Apolônia me nomeou Urso d’água, alcunha que também carreguei até o dia em que ela morreu. Porque, segundo ela, o Urso d’água é o animal mais resistente do mundo - e assim falavam todos na aldeia onde nasci. Sou um bugre misturado com espanhol marrueiro, mas tenho traços e espírito dos bugres. As noções que tenho das coisas não aprendi - sou um avoengo ou parte delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa casa, salpicada de picuaba, cobertura de palhas e chão batido, ficava ao leste da cidade de Caarapó, em Mato Grosso do Sul. Fui ervateiro nos primeiros anos da mocidade, mas tive curiosidades sobre as coisas que o mundo podia criar e o céu que conseguia enxergar. A pluralidade é uma lei natural, a natureza reflete em ecos tudo que enxergamos. Eu sou uma das partículas de Deus, assim como a papaína que também corre no mamão-do-mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó Deolinda armava a nossa rede de dormir sob o luar. Noite após noite, ficávamos por longo período olhando o céu e o fogo-fáctuo que minava do solo em que viviam os jaracatiás, um pomar de estrelas e seus frutos doces. Energia para milhares de papagaios, centenas de papas-laranjas e milhões de outras vidas que não enxergávamos, pois era noite também em nosso viver... E foi numa noite dessas que me perguntei: por que o céu é escuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos que se seguiram, uma cadeia de casualidades se estendeu pelas estradas e pelo espaço no tempo em que vivi. Vaguei pelo mundo das aparências nas cidades dos homens e na Meca da civilização com toda sua tragicidade. Tive angústia animal ao achar respostas primitivas para questões filosóficas e respostas exatas para um mundo além de nosso olhar. Sei que o pensamento é um servo da ciência. Cheguei muito longe e, como um peixe, voltei para a casa onde nasci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No amanhecer daquele dia róseo-perturbado, havia nuvens púrpuras em forma de cordas de um instrumento musical. O vento soprava para o sul das árvores e eu caminhava lentamente rumo ao riacho, lugar onde minha mãe lavava roupas e cantava velhas canções em guarani. Nossa casa ainda estava fechada, o mato havia crescido e plantas trepadeiras tomavam conta de todas as paredes. Tudo ao abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um milhão de papagaios pousou sobre os galhos dos jaracatiás e seus futricos levavam queixas ao céu daquela manhã. Eu não pude conter a alegria que tinha guardada no meu sapicuá de viagem. Sentei-me encostado no corpo de uma árvore de jaracatiá. O chão estava repleto de frutos maduros, podres e espalhados por toda a extensão do pomar. Tive a impressão de ter colocado a mão direita sobre uma cobra que ainda dormia. Permaneci sentado e vi seu corpo serpenteando por entre os frutos do chão - era uma cobra coral, cujo veneno já estava em meu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti dormência na mão, minha respiração ficou acelerada e as pálpebras caíram. Perdi a noção do tempo, fiquei alguns segundos inerte e o veneno seguiu mais lentamente sua rota em meu sangue. Agora, pelas frestas dos olhos, lágrimas cobrem a superfície ampliando a visão. Vejo formigas enormes que comem sementes gigantes. Uma onda de choque inicia-se de uma semente de jaracatiá que vai à explosão. Verticalmente, sobe aos céus criando formas no espaço. O mundo nasce a todo momento e criaturas como nós vivem em constantes reencarnações atômicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho todos os sentidos confusos, ouço as batidas do coração, agora lento. O tempo já não existe e enxergo coisas que talvez estejam apenas na minha mente, como outra dimensão, uma gaveta no espaço com outro tempo. Os papagaios estão cantando, já não consigo ouvi-los,o meu coração está parando, não tenho movimentos eu estou entrando em criptobiose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquela manhã o bugre Tardígrado perdeu o sentido, a razão e o tempo. Mais uma vez tais partículas de Deus voltam a circular por aí, sem rumo, destino incerto. O real é mais extraordinário que a ficção e alguns segundos após sua morte aconteceu algo real. Foi quando todos os papagaios que ali estavam cantaram numa só voz... ”Dicen que los hombres no deben llorar, por una mujer que há pagado mal, pero yo no pude contener mi luanto, cerrando los ajos, me puse a lloar... “ Era a canção que sua mãe cantava enquanto lavava roupas na beira do riacho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2337211315284994791?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2337211315284994791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/04/o-big-bang-do-jaracatia-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2337211315284994791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2337211315284994791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/04/o-big-bang-do-jaracatia-conto.html' title='O big bang do Jaracatiá - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4Vm_P0Bvn0g/TZ46zjZW1cI/AAAAAAAAAVk/PWeBbNVQGHE/s72-c/BigBangdo+Jaracati%25C3%25A1-web-blog+domestica..bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8245602243231246545</id><published>2011-02-05T09:24:00.000-08:00</published><updated>2011-02-05T09:24:37.006-08:00</updated><title type='text'>No loft de Caifás - conto</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;strike&gt;S&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/strike&gt;ou um jornalista, um repórter e um homem que acredita em Deus. Passei a vida procurando explicações para a fé, o medo e a alma. Encontrei muitas, metade delas não entendi; inferi a entrevista que fiz com um homem que bebia vinho fazendo estalido na língua ao final de cada gole e se dizia chamar José Caifás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma leitegada de exemplares minúsculos cruzou minha frente. O céu estava úmido, com algumas nuvens roxas e marrecos-de-pequim sobrevoando o açude. O loft, cuja porta principal era uma almadia, ficava logo atrás da espessa vegetação de socotras, lugar onde ele vivia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém era início de nada!, gritou o homem que eu procurava. Era manhã e ele passeava pela estapafúrdia floresta. Vestia um sarongue que cobria todo o corpo, cabelos curtos, barba azulada, os olhos estavam amarelados iguais aos dentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior de sua casa pude observar que a parte frontal era de um vidro blindado de cor cinza. Usava madeiras e pedras nos pilares, que foram cobertos por minúsculas vegetações. Tinha muitos quadros pintados a óleo, instrumentos musicais e um milhão de livros. Ele falava muito e caminhava com as mãos para trás. Eu fiquei sentado numa confortável poltrona e bebi chá de rosa mosqueta, com raspas de tangerina e limão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz da manhã recortou imagens das socotras, as sombras avançaram e adentraram a casa, criando reflexos consonantes. Uma cacofonia de passado e presente. Caifás abriu uma garrafa de vinho, contou que sofria de geofagia e tinha o vício de fazer enteroclisma com infusão de flores e folhas de beladona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Naqueles dias, o Império Romano como uma sombra avançava onde o mundo e todo seu séquito soçobravam. Foi quando esqueci quem eu era, esqueci também de onde vim e porque estava na Palestina dominada. Recordo que tinha a glória e o poder de subjugar os iguais. De sacerdote ao sumo do Império, um judeu que bebia vinhos na casa de Pilatos. Falou em tom de tristeza, o homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TU2DrVCDHPI/AAAAAAAAAVY/dWzKrQgj_7I/s1600/no%2Bloft%2Bda%2Bcaif%25C3%25A1s%2B-%2Bart.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TU2DrVCDHPI/AAAAAAAAAVY/dWzKrQgj_7I/s400/no%2Bloft%2Bda%2Bcaif%25C3%25A1s%2B-%2Bart.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Você é aquele Caifás, Joseph Caifás, da bíblia? Conheço muito pouco da sua história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou Caifás, o único, e não quero provar nada para o mundo. Apenas quero deixar explicados os motivos que me fizeram comprar o corpo daquele homem há dois mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O homem que você julgou e condenou à morte era Jesus Cristo!? Acreditei nele e a sua fala branda, o olhar dante era estanque sobre mim. Ele continuou a relatar, bebia vinho, água e caminhava em círculos a minha volta, deixando rastros de perfume suave de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vi a eternidade numa noite entrante, havia música, vinhos e um alarido das vozes dos Fariseus embriagados. Aos meus pés, o homem ficou amarrado por toda a noite. Eu sabia quem era aquela criatura de olhos escuros, cabelos emaranhados, pele queimada pelo calor do deserto e com semblante de angústia. Era um viajante como eu, um patrício por mim julgado e atirado de volta para um oceano de escuridão. Eu tinha bebido muito, ouvia as horas como marretadas na minha cabeça e, na lassidão noturna, sobrepus a lucidez e a razão e fui injusto com as pessoas daqueles dias e com a vida daquele homem – dizendo isso, parou em minha frente, despejou toda a garrafa do vinho numa grande taça de cobre que tinha cheiro de zinabre e disse: “Que morra um só pelo povo e não pereça uma nação inteira.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era assim que eu pensava, jornalista, somos criaturas políticas... Esse é o meu pecado ante o pecado do mundo moderno, que foi forjado em uma metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não compreendia quase nada, mas sabia que ele estava contando verdades absolutas que a minha mente não decodificava. Intrigado, levantei-me e pedi vinho. Ele abriu duas outras garrafas. Tive sapituca e meu coração entrou num ritmo acelerado; tinha secura na boca e bebia gole sobre gole, degustava e sentia sensações inebriantes que vinham de alguns frutos alegres. Um vento soprou alertando as horas que corriam. Embriagado, numa espécie de êxtase nunca experimentado pelo meu corpo, sentei-me novamente. A voz aguda daquele homem viajou pelos meus sentidos alterados. A comedoria chegou a ponto. Porco, saladas e mais vinhos. Caifás inflectiu para o mundo dos primitivos, eu também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao laré, saímos por entre as socotras e a tarde tinha cheiro e cor de vinho nos horizontes. Caminhamos por uma pequena plantação de beladona que ele cultivava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é doce ter sonhos extraterrestres! (imaginei ter pronunciado esta frase). Que vegetação abstrata, quem é você realmente, vivendo aqui nesta região do Crato cearense?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou Caifás, o único! Estou aqui na Terra por mais de dois mil anos e nunca tive a intenção de enganar o tempo. Apenas fui julgado por algumas leis da física, das quais me beneficio sem muita ilusão, um castigo com certeza. Descobri, aqui neste tempo, a exuberância da nossa existência longe da magia e onde leis naturais governam. Talvez eu até esteja morto em brana ou pregado numa cruz quântica pela quarta dimensão, talvez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhávamos. Ele narrava as coisas com vareios no olhar e com palavras tiradas do engonço e que tinham centenas de sentidos e rumos. Voltei a indagar sobre o homem que foi crucificado e morto, ajudado por ele, Caifás, autodenominado “o único”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando cheguei ao seu tempo, equilibrei minha sanidade caminhando sobre a terra com os pés nus. Vaguei por oito ou nove anos pela Europa, a Ásia e a África. Há dois anos moro aqui. O tempo está me deteriorando, sinto que morrerei em breve como qualquer coisa viva. Jesus Cristo era um rapsodo, um vendedor ambulante de sonhos e um grande pregador, mas naqueles dias o mundo era relativo às suas coisas e o conhecimento restrito; fez de um homem normal, uma criatura divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim? Então ele era um homem comum, como eu e você? Parei os passos, Caifás continuou a andar. O chão estava rodando e a tarde adormecia, entorpecida e quieta, acalorada, e eu ainda estava embriagado pelo vinho. Ele continuou a falar, eu ouvia ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso mesmo, jornalista! Comprei o corpo de Jesus, o sepultei na eternidade e cobri com o barro. Foi um ato isolado de minha parte. Eu acreditava em milagres e mágicas, como todas as pessoas daqueles dias. Porém, depois disso, aconteceram coisas extraordinárias com as quais se moldaria a nossa civilização. Em meu ponto de vista foi um mal entendido, mas olhando pela humanidade foi um “bem entendido”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jesus Cristo! (pensei ter gritado baixinho). Voltamos a andar lada a lado. Olhei por entre os galhos de uma árvore de socotra e vi num fiapo do céu a lua e a estrela da tarde; também estavam lado a lado. Caifás tinha vontade de narrar e continuou a falar até a noite mudar o tom da sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Intrigado, jornalista? Antes de partir, devo resolver este teorema que sua mente montou. Vá amanhã pela manhã! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes do jardim se acenderam e ele sorriu pela primeira vez. Já estávamos sóbrios como os grilos perfurando a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você viveu naqueles dias, como explicaria sua presença aqui neste tempo e agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi como uma espécie de castigo exaltado para mim, a morte daquele homem. Aconteceu antes dos próprios inimigos, os romanos, terem aderido à idéia do cristianismo. Depois de terem crucificado seu líder por sedição contra Roma, inventaram uma religião. Eu não presencie tais acontecimentos; quando cheguei neste tempo, estava tudo diferente, calendário mudado. Eu pensei ter viajado para outro mundo, um céu de enigma para minha alma, até estes dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parou e meditou por alguns segundos, como se quisesse lembrar-se de mais coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos estes fatos ocorreram ao longo de dois mil anos. Eu cheguei neste tempo há onze anos; antes disso, recordo da noite em que fui dormir com minha esposa... Ao acordar, imaginei estar sonhando ou bêbado. Não era minha cama e nem o meu quarto. Era um lugar pequeno, com janelas redondas e transparentes, mesa e bancos esculpidos com metal; lembro também da luz calma e de um zumbido que escuto até hoje, agora, por exemplo, ouço o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para o interior da casa e todas as luzes acesas criaram um brilho de vidro. Caifás voltou a beber vinho e continuou a falar sobre sua absurda história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E no interior daquele objeto ou máquina passei algum tempo, não saberia responder quanto. Dormia, acordava e mal conseguia andar, minhas pernas não se moviam e meu corpo pesava muito. Tinha comida e por isso não era um sonho. Poderia ser a estrada para o paraíso, segundo aquele homem que julguei por blasfemar nadas. Mas com certeza não era o caminho para o paraíso, e, sim, uma noite eterna! Eu tive movimentos convulsivos por uma grande extensão de tempo e agonia paralela ao voltar para o mundo de areias e pedras. Acordei no meio do deserto, sozinho com as mesmas vestimentas. Caminhei vários dias, ou horas. Enquanto andava pensava que tinha morrido e minha alma já estava no inferno. E, ao me deparar com uma civilização moderna, fiquei atônito, mas fui buscar uma luz. Estudei, caminhei, aprendi muitas línguas e formulei uma conjectura sobre minha estada neste tempo, que para meu entender era o futuro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo que compreendi você viajou no tempo, veio do passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De certa natureza sim e não! Depois de conhecer a matemática, a física e suas leis, deduzi que fiquei numa espécie de “suspensão no tempo”, preso num objeto cilíndrico e cuja velocidade deveria ser próxima à velocidade da luz, porque o tempo esteve quase parado. Concluí que seria no espaço e bem provável que tenha arrastado este espaço em círculos próximos à Terra. Ao descer novamente no planeta o tempo havia passado, se arrastado normalmente como você vê, dois mil anos, passo a passo, guerras, fomes, alegrias, descobertas e os primórdios de uma civilização. Tornei-me um cidadão, gosto de aprender e meu entendimento profundo das coisas como eram e como são peguei neste tempo e não no meu tempo, sem almas. Mas o tempo me pegou, estou envelhecendo muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor me fez suar. Caifás sentou-se a minha frente. Mesa posta, taças com vinho e comidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor poderia ser apenas um louco com conhecimento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já pensei nisso! E respondi a mim mesmo, não importa. O meu desvelo trouxe à tona mostras ilusórias do que realmente somos e também porque somos assim... Procuramos equações que expliquem nossa origem e a nossa existência. E foi no limiar, no amanhecer da humanidade que nasceram o dogma e a religião, como uma equação. Eu estava lá naqueles dias, conheço os passos. Depois, a humanidade parou no tempo; enquanto evoluía se apegou ao passado cultivando rituais e esquecendo que a ciência é o único caminho que poderia levar a Deus, e eu ainda estou vivendo e tentando decifrar sua grande e fantástica mente. Se enxergarmos assim, só pode ser assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caifás bebeu um gole do vinho, fez um estalo na ponta da língua e sorriu mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemos e bebemos por quase toda a noite. Eu tive espasmos de felicidade. Nos embriagamos, enquanto eu tentava criar imagens da mente de Deus, dita por Caifás. Eu enxergava nadas, depois luzes em alta velocidade, que se afastavam até formarem galáxias que eram os neurônios ao longe e no meio da massa escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos sóbrios sobre o jardim de pedras. As nuvens roxas corriam baixas, anunciavam chuvas para aquela manhã. Eu estava indo embora e ele me acompanhou até a porteira da entrada no açude. Os marrecos-de-pequim decolaram em nossa frente. Caifás ficou parado. Segui até o alto da estrada, onde estacionei o carro e olhei para trás. Ao fundo, aquelas árvores de socotras, a casa cuja porta era um barco entre as pedras e a vegetação rara. A estrada serpenteia pela terra. Uma centena de pequenos leitões rosados me seguia. Caifás acenou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fim&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8245602243231246545?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8245602243231246545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/02/no-loft-de-caifas-conto.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8245602243231246545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8245602243231246545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2011/02/no-loft-de-caifas-conto.html' title='No loft de Caifás - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TU2DrVCDHPI/AAAAAAAAAVY/dWzKrQgj_7I/s72-c/no%2Bloft%2Bda%2Bcaif%25C3%25A1s%2B-%2Bart.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-9001253464102423799</id><published>2010-08-18T15:43:00.000-07:00</published><updated>2010-08-18T15:44:50.025-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O terceiro oVo  -  conto</title><content type='html'>&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TGxgZbIdGEI/AAAAAAAAAVE/wQrSGla4_10/s1600/o+terceiro+ovo+arte-conto.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="218" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TGxgZbIdGEI/AAAAAAAAAVE/wQrSGla4_10/s400/o+terceiro+ovo+arte-conto.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;o fundo da casa onde morou até os dezoito anos, havia um pequeno rio de sangue e vísceras que saía do matadouro de boi e escoava rumo ao Pantanal. Também uma plantação de mandioca - trigo e pão daqueles dias -, mangueiras e abacateiros que eram seus confidentes em dias mornos divididos com urubus, nuvens ralas e apitos de trem que vinham com o vento da estrada de ferro. Foi quando aprendeu sobre a insônia do universo e seus efeitos Doppler. A luz dos dias que se seguiram era cegada por outra exterior, cheia de cheiros e dobras – começo de um novo século. O mundo é uma experiência assim como viver, pensava ele, parado em pontos de ônibus que lhe consumiam metade do tempo vivido até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhares das moças e dos rapazes eram de encanto e desejo sobre seu corpo, belo e quase perfeito. A boca tinha a simetria de uma fruta de vermelho profundo, mas nunca beijara ninguém. Conheceu Ariadne na faculdade, época em que ele ainda usava o nome de Teseu, herança do avô paterno. A moça era filha de um famoso ervateiro da região de Amambaí, Mato Grosso do Sul. Quase se casaram, mas, por uma equação mal colocada, eles se tornaram amantes fraternais. Ariadne também se formou na escola de pedagogia e, neste mesmo ano, foi embora de Campo Grande. Deixou Teseu, que agora se chamava Rubens, nome que ela lhe deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Furnas de Creta era um labirinto de pequenas estradas de terra avermelhada que se embaraçavam com a vegetação do cerrado e o pasto para o gado. Inúmeros sítios de pequenas plantações que no século passado foram refúgio para escravos negros e cujos descendentes ainda estavam ali. Dotado do senso comum, que existe num mundo de aparências humanas, Rubens chegou a Furnas com pouca bagagem, de motocicleta e, na pequena escola rural que servia a comunidade, ele foi morar e trabalhar. Quando o outro século chegou, Rubens ali vivia por dois anos. Plantara um jardim de tomilhos, alecrim e manjericão. Cuidava da escola campestre, sua casa, onde ensinava poesia, bordados e a fazer pão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aninha, sua preferida, tinha afeição por poesia, olhar triste, solidão e morava com o pai desde o dia em que a mãe morreu. A menina negra, tataraneta de escravo reprodutor, era um exemplo de seleção de espécies, inteligência superior, dez anos de idade e um metro e setenta de altura, sua aluna e sua filha, desde então. O pai de Aninha, um lavrador rude, simples e de bom coração, cuidava da filha, criava vacas e fornecia leite para toda a região. Conhecido por Minotauro, o leiteiro, negro de físico avantajado, tinha dois metros de altura, quase um bicho - ignorante do mundo, mal sabia falar, às vezes emitia sons guturais. Perdera a esposa no dia em que Aninha nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde desalentada, pálida, onde maritacas cantam o impossível por entre galhos de erva - gorda, Rubens fazia sua rotineira caminhada após as aulas - era quando levava Aninha pela mão até a porteira da leiteria onde a menina morava. Foi quando encontrou pela primeira vez com Minotauro. Os homens nunca compreenderão a inabalável e irreversível trajetória do tempo, que também vai desvirginando o espaço e criando coisas esquisitas, mundos e almas, pensava Rubens com o olhar cravado nos olhos brilhantes do gigante púrpuro. Indiferente e contida, a noite empresta seu espaço para grilos, urutaus e o pulsar dos corações daqueles dois homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubens era um arquiteto de pensamentos sobre aquilo que se pode manifestar no tempo e no espaço, segundo as leis do entendimento. Mantinha a beleza do corpo pelos olhares externos, um fenômeno que transformava seus fluidos em ações desconhecidas e prazerosas. A enigmática e desconcertante atração entre eles era como um grito, onde o eco se perderia no desconhecido, uma experiência numa escala infinita, próxima de deuses e contrariando um labirinto de dogmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo desvanece-se graciosamente sob o azul do céu e os relógios são objetos físicos afetados pela imprecisão quântica, ante os pensamentos de Rubens, que nos anos seguintes se apaixonou profundamente pela Hera-africana - amor físico, dores do sexo, caráter de fêmea e também desenvolveu uma espécie de androgênese, cujo núcleo paterno era do Minotauro, pai de Aninha, agora com 18 anos de idade e professora naquelas furnas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim por muitos anos. Rubens, andrógino e mãe, cuidava da leiteria onde cunhou uma existência além de suas expectativas, como um bizarro sistema binário de sóis. Sua vida era um pulsar de duas estrelas em colapso e suas danças de morte, imitação do mesmo conjunto de matéria que tenha gerado o Cosmos, um ovo cósmico – sua conjectura e sua fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos olhos externos e humanos, aquilo era um ovo. Um simples corpo, resultado da fecundação do óvulo no ovário de algumas espécies. Albuminas, graxas, protoplasmas, envoltórios e Rubens passou a fecundar. E foi no terceiro ovo que uma criança humana nasceu. Menino purpúreo como o pai, Minotauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono, as vacas engordam e maritacas voltam aos seus ninhos. Tem Vela, Centauro e Cruzeiro do Sul e logo abaixo deste mesmo céu tem Carina, uma estrela que já pereceu. Na madrugada em Furnas de Creta a mesma coisa aconteceu. O gigante negro adormeceu, morreu ao lado de Rubens, Aninha e seu filho que nasceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estradas de Furnas não eram mais labirintos na mente de Rubens e sim caminhos polvilhados de ouro e pólen das borboletas que pousam no coração das flores e, mesmo assim, pensa no amor que já não existe mais. O vinho de leite absorve a tristeza do coração, esvaindo para um céu róseo de nuvens em chumbo. Enternecido e desmesurado, renunciou as vacas leiteiras e a vida encantada que ali cultivou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No oitavo mês, em pleno outono do ano seguinte, quando o vento ruge um perfume de poeira avermelhada, as ruas de Campo Grande ficam forradas pelas folhas que morrem. Tem sol em abundância, meninos gritam por detrás dos muros das escolas públicas, um picolezeiro grita: “tem sorvete moreninha!” Ariadne consome pasteis na feira, quando encontra novamente seu primeiro e verdadeiro amor, Rubens. Agora com seus filhos, Teseu e Aninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fim&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-9001253464102423799?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/9001253464102423799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/08/o-terceiro-ovo-conto.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9001253464102423799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9001253464102423799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/08/o-terceiro-ovo-conto.html' title='O terceiro oVo  -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/TGxgZbIdGEI/AAAAAAAAAVE/wQrSGla4_10/s72-c/o+terceiro+ovo+arte-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-525433688832462006</id><published>2010-05-20T12:32:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T12:42:22.667-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O que sonham as crisálidas negras -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S_WMwZKlkhI/AAAAAAAAAU8/RFH6IAnqpZk/s1600/O+que+sonham-blog+-dadomestica.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" height="222" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S_WMwZKlkhI/AAAAAAAAAU8/RFH6IAnqpZk/s400/O+que+sonham-blog+-dadomestica.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; linha do horizonte quase rubra estava sumindo, mas ainda dava para ver um rio, como uma serpente de espelhos, vagando por entre rochedos e refletindo as primeiras estrelas. Tinha estas imagens e o ruído de um motor triste, entre nuvens. Era tudo que ela se lembrava da sua vida até aquela noite. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Desvairamento ou alucinação, ela não tinha entendimento de nada. Chegou como um vulto na beira de uma estrada pantaneira, quase noite. Caminhou horas mortas rumo ao cruzeiro do sul. Arrebatada, encontrou o bolicho de Fresia na beira do caminho, lugar onde serviam refeições e vendiam quinquilharias, paneiros, ornamentos artesanais feitos por indígenas. Fresia tinha vivido muito por ali e já conhecia a viciação da natureza. Fazia contatos com laranja-do-mato, em abundância em sua culinária. Arroz com grelos de plantas, geléias de pupas e o bolo feito de crisálidas negras. Cuidava de quatro mulheres índias e um bugre, empregado responsável pela lavoura de pupas e pelo cultivo das plantas nativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bolicho sempre ficava vazio. Nas altas horas da noite, não passava ninguém pela estrada. Fresia e seus empregados, aluados pelas substâncias alucinógenas que temperavam o jantar, faziam a rotineira limpeza antes de fechar. Como uma fantasmagoria que surge da noite, a menina de estatura pequena, olhos ligeiramente puxados, cabelos lisos e aparência indígena, entra e se atira sobre uma cadeira ao lado do balcão. Fresia não sofria de estereopsia, tinha o coração fumado de altruísmo, na profissão de parteira ajudou mil almas nas fronteiras da Bolívia e Paraguai. Era especialista em plantas e botânica do fumo-de-angola, pango, soruma, manga rosa, birra, cânhamo e haxixe. Fresia tinha distúrbio de solidão, servir aos andarilhos e viajantes naquele eremitério - era o que melhor sabia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, estou perdida! - a garota fala sorrindo, enquanto retira a mochila e revela os pés no chão. A refração da luz incidental do lampião a gás dava nuances da rara beleza sobre o rosto miúdo da misteriosa menina com aparência de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Resta apenas um pedaço de bolo de crisálida negra. Tem geléia de pupas e suco. É tudo o que você precisa comer nesta noite! Fresia senta-se ao lado da moça, colocando os pratos servidos com desvario e sensatez. Indaga nome e origem e lhe oferece um trabalho. Narra sua chegada por ali como uma efeméride que continua a gravar tudo num banhado da memória e da sua ínfima jornada pelo tempo. A Madrugada se edificou e, quando as horas eram queimadas com folhas de pango, todos foram dormir, exceto Fresia e a andarilha, que numa espécie de torpor, viajavam presas em cadeiras e mesa posta com restos de comidas, mariposas e imagens deformadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O início do tempo caiu no início da noite, que precedeu o sexto dia de outubro, ano de 1956. Neste afã, descobri algumas possibilidades amedrontadoras e bizarras para seres humanos, porém verdadeiras. Fresia continua explicando para a garota sobre estáticas viagens com um combustível tirado do estame da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tive um sonho acordada, um preâmbulo na mente, enquanto andava pela estrada. Antes disso eu era apenas uma mulher nascida no Vietnã e que vivia na fronteira do Brasil com o Paraguai, cidade de Ponta Porã. 18 anos de idade, casada com um homem de 77 anos e uma fuga espetacular, saltei de uma aeronave com paraquedas sobre este lugar ermo. Rise Nong Dan é meu nome, conta a moça com entusiasmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rise Nong, Fresia e seus criados entraram em estado de alheamento do espírito e continuaram o ciclo, retirando energia da natureza, vivendo naquela beira de estrada e cuidando da belíssima lavoura de borboletas irisdescentes. A plantação ficava dentro de um buraco de quase seiscentos metros de diâmetro e com quarenta metros de profundidade. Uma gruta gigante desmoronou, criando um nicho intrincado de vidas. Uma floresta com árvores de Jatobás do Cerrado e Capitães do Mato. As araras faziam ninhos nas copas das árvores. Ao sul, um pântano de águas claras, onde viviam as saracuras que se alimentavam das larvas e pupas, que viviam nos pés da maconha por mais de duzentos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada é falso ou simulado neste Universo, que poderia ser uma bala de revólver viajando numa velocidade fantástica, rompendo um outro universo de nadas. Eu plantei os pés de maconha, depois os ovos das borboletas Phyllocnistis, que povoaram toda lavoura. Quando em estágio larval comem todos os pés da canabis, deixando apenas longos talos para as crisálidas negras dormirem. São haxixes vivos que uso na culinária; as que sobram, criam asas e continuam os sonhos, você me compreende Rise Nong? &lt;br /&gt;(indaga Fresia com o olhar sereno sobre a vietnamita que adormece sobre a mesa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;fim&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-525433688832462006?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/525433688832462006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/05/o-que-sonham-as-crisalidas-negras-conto.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/525433688832462006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/525433688832462006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/05/o-que-sonham-as-crisalidas-negras-conto.html' title='O que sonham as crisálidas negras -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S_WMwZKlkhI/AAAAAAAAAU8/RFH6IAnqpZk/s72-c/O+que+sonham-blog+-dadomestica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8218564090327189004</id><published>2010-04-02T10:56:00.000-07:00</published><updated>2010-04-02T10:56:08.373-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem  papel de parede  1280 x 713'/><title type='text'>A cloudless afternoon – conto</title><content type='html'>&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S7YtpZEpznI/AAAAAAAAAU0/lc_C0XVwqT8/s1600/Um+c%C3%A9u+sem+Tarde-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="182" nt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S7YtpZEpznI/AAAAAAAAAU0/lc_C0XVwqT8/s400/Um+c%C3%A9u+sem+Tarde-blog.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;C&lt;/span&gt;resceram arbustos sobre as pedras, ruínas da antiga fazenda. Antes disso, a casa dos mortos ardeu em fogo, pelo verbo e pelas cunheiras de madeiras, onde abrigavam ninhos de pardais e corujas, cujos filhotes morreram queimados. Não sobrou nada, nem o pomar de frutas cítricas, exceto sementes de plantas insetívoras e carnívoras que, ao acaso, criaram um enigmático matadouro de exornar, um jardim que comia vertebrados, através da planta-jarra australiana, de amarelo transparente, e que sempre exibia em seu estômago borboletas, ratos e camundongos. Fúnebres adornos dourados para a mesa onde serviam o chá das 5 horas da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Vestido de rendas e chapéu, olhar azul imponente, gestos precisos e graciosos, ela era vista assim, naquele extravagante jardim, ao longo dos últimos 12 anos. Aconteceu depois que seu marido, o embaixador Afternoon, morreu. Miss Mary Afternoon tinha perdido o tempo, naquele ermo de sofisticação e fartura de sol. Nascera ao leste da Inglaterra, em Ipswick, onde casou-se e veio parar aqui, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Tomar chá era seu maior prazer naquela hora da vida, por todos os dias, sempre no rotineiro horário e acompanhada de Maria, uma camponesa de hábitos simples, mas que estendia o seu trabalho para o ritual com sua mistress. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Você sabia que a velocidade é o segredo da juventude eterna e que o infinito de uma pessoa está no desvão das pernas? – indaga Afternoon, enquanto ajeita o vestido sobre a cadeira, servindo o chá.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Eu sei que é um lugar tão quente que azeda o leite e adoça o abacaxi. Meu pai, que Deus o tenha, sempre aconselhava: nunca caminhe olhando para as unhas dos pés! – disse a mulher, sentando-se próxima da mesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Maria, vou lhe contar sobre um verdadeiro affair. É a vida daquela moça que serve a nossa mesa todas as tardes. Você gosta com muito açúcar e pouco leite! - Miss Afternoon nunca se esquecia de nada. Era uma criatura de palear palavras como poemas.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Tinha quatro estrelas na cara da noite, sem propósito ou ordem. Aqui, nos pés, a mesma noite acendia vagalumes por entre tangerinas e limões. Em volta da casa na qual ela vivia com seu husband e filhos, subia um muro com altura de quatro sabiás-laranjeira e um pardal. Ela o escalava ardendo de paixão pelo homem azul-púrpura, que a levava, em seu palanquim cor ocre queimado, para o escuro da noite. E assim foram oito anos em noites! Hoje, a vida dessa moça é um murmúrio. Em seu quarto, tem uma réstia de noites viciadas - do teto ao chão. As estrelas são quimeras que nossas línguas ajeitam sobre vírgulas e pontos. Somente para caber mais histórias nas reentrâncias da boca da noite em que vivemos, uma espécie de redemption! Miss Afternoon serve outra xícara, desta vez adiciona uma dose do velho maltado, tira o chapéu e fita o céu vazio, da quase noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Achei o affair úmido e triste! Tenho lágrimas por casas que viram gretas, em que adentram luares, cupins, lobisomens e até cachorros. É um ninho sem doces, guaviras ou mariolas, geralmente sitiado por resíduos de traição e pau seco, isso é o que é! – diz Maria, enquanto serve whisky puro, depois de jogar resto do chá dentro da boca-de-jarra. (planta).&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Só o silêncio é divino! Naquela infinitude, onde as ondas quebravam às 2 horas da manhã, a mudez dos inocentes era o sono. Ela descia as escadas - guiada pelo ruído do ronco do seu husband – e saltava um muro figurado. Your man was sleeping. Unfaithful. Terminou o nosso chá! A moça do affair vem recolher tudo – Miss Afternoon recoloca o chapéu, bebe um último trago e, depois, um gole de chá.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Medeiros era uma mulher de quarenta e poucos anos. Tinha um olhar singular – ora verde ou escarlate. Trabalhava naquele hospital, hospício, desde o desaparecimento do marido e da partida dos filhos. Cuidar de loucos era seu legado.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Vamos Miss Afternoon! A Noite chegou, posso retirar o espelho da sua frente? – pergunta Medeiros, enquanto acalenta as mãos rugosas da senhora inglesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8218564090327189004?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8218564090327189004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/04/cloudless-afternoon-conto.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8218564090327189004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8218564090327189004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/04/cloudless-afternoon-conto.html' title='A cloudless afternoon – conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S7YtpZEpznI/AAAAAAAAAU0/lc_C0XVwqT8/s72-c/Um+c%C3%A9u+sem+Tarde-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-4417972248851463151</id><published>2010-03-14T14:58:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T15:23:42.453-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O Outro  -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S51aeTbH1QI/AAAAAAAAAUs/aB04dht5k2g/s1600-h/OOutro2.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S51aeTbH1QI/AAAAAAAAAUs/aB04dht5k2g/s400/OOutro2.bmp" vt="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;bril terminava ali, naquela noite. Uma estrada de velhos ossos, som estridente das cigarras, incógnitas paisagens e estrelas salpicavam no marrom do céu. Poeira era como roupas sobre as perpétuas encarnadas e carcaças que se alinhavam ao longo da via. Crista dirigia em alta velocidade, tinha pressa de chegar a Meteora, hotel que era a metade do destino e onde passariam alguns dias. Seu franzino macho, marido e amado dormia no banco ao lado, como um réquiem velado pela dedicada esposa. Desde que se conheceram, há 18 anos, Crista e Antonio viveram uma desabrida história de amor. Eles não tiveram filhos, faziam pães e doces para o sustento. Guardaram um pouco de dinheiro para uma vida nova numa outra cidade, onde teriam filhos e não mais trabalhariam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Meteora tinha pouco mais de 200 habitantes e quase todos viviam do hotel que dava o nome para o lugar. Foi construído no meio de gigantescas árvores de pau-de-bugre, ao lado de uma lagoa margeada por timbó-caás venenosos, vegetação de cor púrpura que exterminou outras ervas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegamos! – fala empolgada Crista, que estaciona o carro e beija o marido sucessivamente pelo rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span id="goog_1268603104849"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1268603104850"&gt;No quarto ao lado havia um homem do coração eunuco, amputado daquilo que molha e pulsa. O corpo era como bronze fundido no fogo do inferno e estigmas, sinais em tatuagens gravados na pele. Também se chamava Antonio, queria esquecer o passado turbulento, apagar maus sentimentos e a vida de banditismo que teve. E por dias ele estava ali, onde bebia tequila no café da manhã e observava os peixes venenosos infundidos pelas plantas mortais do lago.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vento aleivoso soprou pelo vão das pernas de Crista, levantando o vestido amarelo e deixando, por alguns segundos, as brancas coxas expostas - partes que somente seu marido tinha visto e tocado. E por detrás de um óculos negro, o olhar incônscio do outro Antonio seguia a moça por todo hotel e nos passeios em volta do lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As águas profundas e púrpuras do lago tinham espessura de saliva, gelatinosa e ele funcionava como um cérebro gigante. À noite dava para ver os peixes vermelhos, que se moviam criando pequenas descargas elétricas, raios, como um pensamento espalhado no espaço, algo sublime que dava interferência em outros cérebros e outras mentes. Crista e Antonio se encontraram sozinhos pela primeira vez no langor do anoitecer. Ela perambulava sozinha, numa espécie de torpor, embriagada por vinho e no cio. E sob a vegetação que murmurava para si mesma, eles beijaram seus corpos e rolaram no virgem espaço da escuridão. Antonio a tragou com seu corpo imenso e sexo por muito tempo. Carícias fulgurantes, ousadas e uma torrente de esperma mancharam o vermelho que escorreu do sexo de Crista. Ela chorava em silêncio no gozo e nem percebeu a dor e a ferida que aquele gigante homem impunha em cada centímetro, cada átomo de seu ser. Antonio, seu marido, dormia sob raios de luar e, no limiar entre um sonho e um pesadelo, ele assistia ao lago, os peixes vermelhos nadando em faíscas e Crista, sua esposa em agonia, êxtase e coberta por tatuagens. E nos dias que se seguiram, Crista e Antonio, seu amante, se misturaram em selvagens confrontos sexuais como ela nunca tinha tido ou sonhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio, aquele homem sem misericórdia, sentimentos apodrecidos e que purgou desgostos por toda uma vida, havia mudado e jurara nunca mais matar outro homem. Carregava o pensamento de que o sono profundo das coisas era dádiva de Deus e suas vidas eram do Diabo. Porém, agora, era prisioneiro de uma mulher pérfida, de energia inquebrável, bela e louca demais para ser tola. Crista, de amor renegado, tinha outro plano para o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite quente, vinho gelado e uma iguaria feita com peixe vermelho habitante do lago. Crista prepara uma despedida de amor e ceia para Antonio, seu marido, que sentiu os odores de outro homem e um sexo que não era mais dele. Mesmo assim, estava embriagado pelo álcool, pelo veneno e pelos fluidos produzidos no auge de uma euforia ante a morte. Na madrugada, Crista carregou sozinha o corpo de Antonio, seu marido, para a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora dormes, meu amor, em teu fúnebre ornamento de vegetais e pedras. O mato te cobrirá e a chorosa ventania desta noite levará tua dor – Crista murmura em lágrimas, enquanto coloca o corpo do marido em pé no oco do tronco de uma grande árvore.&lt;br /&gt;O céu daquela manhã de maio tinha tonalidade rosa bruto, que refletida no lago dava nuances encarnadas de sangue e ferrugem. Crista e Antonio, cúmplices de um crime perfeito, seguem juntos rumo a uma nova vida e longe de Meteora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta anos mudam todas as coisas, inclusive o Hotel Meteora, agora numa cidade com milhares de habitantes. Porém, o lago misterioso e seus habitantes continuavam vivos e pensantes - um cérebro primitivo de grande proporção. Cristina procurou pela árvore de pau-de-bugre, tumulo de seu pai, que ainda estava lá, uma sentinela do tempo. Como Crista, sua mãe, havia confessado, aquele corpo no oco da grande arvore, conservado pela vegetação era seu verdadeiro pai, Antonio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fim &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-4417972248851463151?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/4417972248851463151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/03/o-outro-conto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4417972248851463151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4417972248851463151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/03/o-outro-conto.html' title='O Outro  -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S51aeTbH1QI/AAAAAAAAAUs/aB04dht5k2g/s72-c/OOutro2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2528392588143441692</id><published>2010-03-13T08:00:00.000-08:00</published><updated>2010-03-13T08:00:49.913-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Cachorro bebe vinho sozinho - papel de parede</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S5u2iTfXiAI/AAAAAAAAAUc/GV922WrE0Aw/s1600-h/cachorro+bebe+vinho+sozinho..bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="182" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S5u2iTfXiAI/AAAAAAAAAUc/GV922WrE0Aw/s400/cachorro+bebe+vinho+sozinho..bmp" vt="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2528392588143441692?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2528392588143441692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/03/cachorro-bebe-vinho-sozinho-papel-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2528392588143441692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2528392588143441692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/03/cachorro-bebe-vinho-sozinho-papel-de.html' title='Cachorro bebe vinho sozinho - papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S5u2iTfXiAI/AAAAAAAAAUc/GV922WrE0Aw/s72-c/cachorro+bebe+vinho+sozinho..bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5805143784951152541</id><published>2010-01-12T03:38:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T03:38:04.212-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Caminho para Desencarnação - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S0xeljOcYVI/AAAAAAAAAUU/ojQBG8L2aco/s1600-h/Caminho+para+desencanacion-jpg.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S0xeljOcYVI/AAAAAAAAAUU/ojQBG8L2aco/s400/Caminho+para+desencanacion-jpg.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; simples invisibilidade é algo que ainda surpreende aos olhos dos desatentos. E por esse motivo, Desencarnação ficou escondida, oculta até os dias de hoje. A cidade não pertence ao Brasil e nem ao Paraguai, fica numa estreita franja de terra cercada de montanhas, a oeste da Bolívia. Para se chegar em Desencarnação só existem dois caminhos: o céu e também uma estrada-de-ferro dada como desaparecida no início do século XX. E, para se fugir, ainda tem uma terceira e burlesca opção, a morte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Tristeza tecia um retrospecto da própria existência, dos dias moucos que teve como uma fêmea da espécie humana. Seu corpo belo foi construído quando jovem, contrariando o senso comum - invadiu os domínios da perfeição por ter nascido um homem, tangível, embora igualmente impreciso, um comum postulado da civilização.&lt;br /&gt;A tarde tinha espasmos de cores e sons ante os sentidos daquela mulher, andarilha, que caminhava solitariamente pela estrada Transchaco. Era abril, as nuvens dormiam cedo, deixando o céu amarelo-sépia para marrecos, patos e estrelas. Tristeza tinha os pés descalços. Levava uma sacola de lona com objetos pessoais e pragmas de sua vida até então. Colhia araticuns, cajus do campo e araçás, alimentos que seu instinto primordial indicava. &lt;br /&gt;A noite chegou num piscar de olhos, iluminando a velha estação de trem desaparecida no século XX. Sua mente manteve o mito para impor ordem à realidade, pois ficara tomada de paixão pelo mistério e o enigma que a levava até a cidade de Desencarnação. Tristeza dormiu por dias e noites sobre o banco de madeira da estação iluminada. Ao despertar, deparou-se com alguns homens indígenas e cachorros que também esperavam aquele trem. Caminhou lentamente até o banheiro da estação e, ante ao espelho, emoções fugidias vieram à tona. O medo desencadeado lhe trouxe um alerta para sobreviver e ao voltar para a plataforma da estação, Tristeza era um homem novamente, com havia nascido há 50 anos. Por detrás dos olhos tristes e profundos carregava o conhecimento de ter vivido e sobrevivido sobre a crosta deste mundo, onde modelos matemáticos codificam as nossas observações. Estava pronto para embarcar.&lt;br /&gt;Minimal, um apito e uma luz surgiram como um encanto pelos trilhos enferrujados - era quase manhã. Uma chuva mansa lavou a paisagem que corria pela janela. Havia somente cinco vagões, quase todos tomados por indígenas e seus cachorros.&lt;br /&gt;Américo deixara Tristeza com suas tralhas e sua alma numa cova surda além daquela estação e trilhos. Uma vastidão de pensamentos lhe tomou de assalto. A evolução dos sentidos trouxe à tona partículas de lembranças de quando ainda era um contumaz pensador, que bradava em becos e vendia a alma por gramas de veneno e pão. &lt;br /&gt;Agora, o tempo havia parado dentro daqueles vagões que seguiam rumo a Desencarnação. Todos os passageiros dormiam pesadamente, exceto os cachorros e Américo, que mantinha os sentidos fundidos e abalados. Os ruídos e outros barulhos se tornaram nítidos, tinham cores e até gosto. A chuva havia ficado para trás e a paisagem mudava rapidamente pela janela. Um céu cinzento cobria rochas de halita, que refletiam um mar plúmbeo e sem vida. Américo sentia o gosto do sal que entrava com o vento. Caminhava e fumava pelos corredores, às vezes mudando de vagão. &lt;br /&gt;Novos dias e noites surgiam como fotogramas pelas janelas do trem. Américo esquadrilhava o céu, pasmado, pois nada o intrigava tanto quanto o tempo e o espaço. Agora tinha os sentidos evoluídos, inclusive uma visão ampliada que lhe dava uma maior amplitude no horizonte de eventos.&lt;br /&gt;Aqueles homens indígenas sorriam enquanto acariciavam seus cachorros, atentos aos movimentos, gestos e na fala eloquente do homem branco e cheio de sabedoria.&lt;br /&gt;- Estar vivo significa viver no mundo que precede à própria chegada e que sobreviverá à partida – proferiu Américo, enquanto esticava as pernas sobre o banco da frente ao lado de um cachorro. Sentado ao seu lado estava um bugre muito velho, que fumava cigarro de palha e dizia se chamar Coração Selvagem, nome que ele mesmo escolhera a 95 anos passados.&lt;br /&gt;- Para onde segue este trem? – perguntou Américo para o bugre. Todos ouviram, inclusive os cachorros que latiram em conjunto com as gargalhadas que todos que estavam ali deixaram escapar.&lt;br /&gt;- Nós moramos numa reserva que fica a duas léguas de Encarnação. A cidade é depois do rio – respondeu Coração Selvagem, com a voz embargada.&lt;br /&gt;Américo encolheu as pernas e se perdeu por entre os olhares enigmáticos daqueles homens e também dos animais. Soa um apito profundo para uma noite dupla, entremeada de vaga-lumes, corujas e curiangos, que precedem a chegada.&lt;br /&gt;Américo caminha novamente pelos corredores. Agora tem noção da obscuridade de seu destino. Uma usual fome física atropela seus pensamentos. Os bugres abrem suas matulas e lhe oferecem a carne de aves coberta por farinha de mandioca. O cheiro do solene jantar envolveu todos os vagões, o deserto e suas criaturas noturnas. &lt;br /&gt;E no primeiro amanhecer da noite dupla o trem chegou ao seu destino final. O céu estava muito negro, não havia nuvens e a constelação de Orion parecia flutuar no espaço diante de seus olhos, algo que se assemelhava a uma alucinação. Coração Selvagem ficou parado observando toda agonia daquele homem branco; os bugres e também os cachorros seguiram por uma trilha pelo interior de um mar de xerófilas.&lt;br /&gt;- O que você pensa do espírito? – perguntou Coração Selvagem, enquanto andava em passos lentos em direção ao homem branco, ajudado pelo seu cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não penso nada, espírito não existe! – respondeu Américo, enquanto se ajeitava sobre uma pedra que dava visão para o rio.&lt;br /&gt;- Pois para nós o espírito humano é somente uma transferência. É a nossa presença de pensamento em contato com o mundo e maneira de caminhar sobre ele, desfrutando o melhor, uma busca eterna por um conjunto de normas que funcione perpetuamente em equilíbrio, assim como dentro dessa castanha – explicou Coração Selvagem,exibindo uma semente de araticum.&lt;br /&gt;- Entendo, onde está a cidade de Desencarnação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A cidade ficava logo ali, depois do rio, não existe mais. Você nunca voltará de trem, o mato tomou conta de todos os vagões e trilhos. Retorne pelos fios do telégrafo. Dizendo isso, Coração Selvagem levantou-se, olhou dentro dos olhos de Américo e desapareceu na noite junto com seu cachorro.&lt;br /&gt;E no segundo amanhecer da noite dupla não havia constelação e nem estrelas. As nuvens estavam carregadas de energia e do outro lado do rio fogos-fátuos escapavam de gretas de um lençol de coisas mortas. Américo adormeceu por exaustão física naquele chão duro e salgado.&lt;br /&gt;Tristeza tinha gosto de sal e formigas na boca ao acordar sobre um velho banco de uma estação de trem abandonada. Havia dormido muito e a garoa fazia uma sinfonia com os ruídos de seu sonho longo. Sentia fome e olhava a estrada Transchaco, seu caminho, cujo céu estava cheio de paisagens: nuvens, mar, deserto e miragens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5805143784951152541?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5805143784951152541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/01/caminho-para-desencarnacao-conto.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5805143784951152541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5805143784951152541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2010/01/caminho-para-desencarnacao-conto.html' title='Caminho para Desencarnação - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/S0xeljOcYVI/AAAAAAAAAUU/ojQBG8L2aco/s72-c/Caminho+para+desencanacion-jpg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5365994964768893092</id><published>2009-12-24T10:05:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T10:13:18.546-08:00</updated><title type='text'>Azul disfórico - conto</title><content type='html'>&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SzOqzhTCzqI/AAAAAAAAAUE/toq3FFQxlwg/s1600-h/AzUlDisf%C3%B3rico-Blog.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SzOqzhTCzqI/AAAAAAAAAUE/toq3FFQxlwg/s400/AzUlDisf%C3%B3rico-Blog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;hegou de algum lugar, mas esqueceu de onde. Os olhos eram subterfúgios do verbo que usava para sobreviver. E como um profeta, gritava oportunos discursos que foram escritos por um filósofo de dois mil anos atrás. Tinha 24 anos e já chegara ao limite do seu conhecimento sobre o mundo e seu habitual avezar. Pastor Anderçon Creise carregava o peso da extrema insensatez da idade. Pregava pelos corredores e escadarias do parque Dom Pedro e, de domingo em domingo, foi arrebanhando seguidores, até conseguir reuni-los num pequeno salão, no bairro do Brás, em São Paulo. Nas noites de quinta-feira tinha cerimônia de culto, era quando pastor Creise distribuía alguns cigarros feitos com erva-doce para os seguidores mais fiéis. Ao fim, violava e aviltava sua própria doutrina num discurso em tom amargo, no qual, por repetidas noites, apregoava seu amor hetero-homossexual por tudo que se movia no mundo.No auge de seu arrazoado orar foi que um fortuito episódio lhe revogou a palavra e o pensar. Contaminado pelo amor, sofria uma síndrome de Deus.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E no dia de Natal, São Paulo amanheceu em trovoadas, águas e nuvens pesadas fitavam para um pequeno quarto no Brás, onde por de trás da janela antiga um leito recebia o peso do pastor Anderçon Creise, que respirava pela última vez. Situação de exaustão físico-psíquica, fragmentos de instantes vividos vêm ao lume. O coração parou... O homem está morrendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz deixara de entrar em alguns dos cem cômodos, as paredes adquiriram um tom cinzento esverdeado de pequeninas plantas em musgo, o chão era frio, úmido e pelos cantos lacrimejavam águas armazenadas nos tijolos. Também não tinha janelas, apenas alguns buracos fechados com ferro em cruz, perto do telhado de cinco metros de altura. O lugar era endoidecedor, lúgubre o lar para mais de trezentos internos, loucos, dementes e alienados – uma pintura de Goya. Ele nascera naquele manicômio e passara quase&amp;nbsp;24 anos&amp;nbsp; sem roupas. A parte primitiva do cérebro tomou o controle e seus dentes cresceram, os pelos grossos tomaram conta do corpo e com freqüência tinha alucinações visuais e auditivas, herança dos pais que viveram por mais de cinqüenta anos no manicômio, como internos. Emoções turvas abriram outras portas na mente e como uma cascavel enxergava também no escuro em infravermelho.&lt;br /&gt;Na esquina de um Natal sombrio, nuvens estranhas criaram ilhas de algodões que choveram um oceano por três dias. As portas do velho Manicômio foram abaixo e seus moradores desapareceram tentando atravessar um rio de lama cujas correntes, invisíveis, eram ondas de rádio. Ele sobreviveu, sua cor de morto lhe dava um elevado nível de filosofia ante à morte. Tinha memória de um mundo selvagem do qual nada era pior que assistir loucos morrendo afogados em ondas de rádio sobre um deserto de lama e sal. Depois do temporal o céu voltou para sua rotineira vida. Sozinho, novamente, ele se põe na estrada rústica que levava para Nova Cafarnaum, lugar que conhecia apenas em sonhos. Caminhou por cinco dias e noites, assistia imagens espetaculares sobre sua cabeça, comia paradoxos e greenberrys que colhia pelas margens ásperas daquela via. E no final do quinto dia ele acordou do transe numa vereda onde luzes se cruzavam em velocidades altíssimas rumo ao espaço aberto. Ele sentia o efeito de alguém caindo num buraco sem fundo. Alienado às relatividades temporais do mundo, se viu perdido ante um oceano de fluído escuro e extraordinariamente desabitado de almas como ele conhecia. Sem erudição científica, sem corpo físico, apenas aquela centelha de energia não tinha onde se apagar ou agarrar e, assim, como toda criatura ignorante, se perdeu no vazio absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás da janela de vidro no bairro do Brás, pastor Creise é velado por nuvens grávidas que choramingam as últimas gotas da chuva e alguns poucos fiéis, que cultuam o simples processo neurobiológico como uma experiência mística. Suas vozes oram em coro para um céu absolutamente vazio.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5365994964768893092?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5365994964768893092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/12/azul-disforico-conto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5365994964768893092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5365994964768893092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/12/azul-disforico-conto.html' title='Azul disfórico - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SzOqzhTCzqI/AAAAAAAAAUE/toq3FFQxlwg/s72-c/AzUlDisf%C3%B3rico-Blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6971305159089866029</id><published>2009-12-06T11:53:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T12:00:24.159-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Polux &amp; Castor  - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SxwJxcK3aMI/AAAAAAAAAT8/nD5j44tfqKM/s1600-h/poluxCastor-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SxwJxcK3aMI/AAAAAAAAAT8/nD5j44tfqKM/s400/poluxCastor-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;entado no alto do edifício da Galeria São José, Polux tentava entender a visão que tinha sobre os horizontes em constante sépia avermelhado. Era uma librina de grãos de terra suspensos, formando uma grande redoma de poeira, uma paisagem que ecoava tempos primitivos da Terra e, logo abaixo, a cidade cindida entre córregos, cerrados e um agosto que terminava no finalzinho de outubro. Às vezes, Campo Grande parecia um barco à vela assustado e naufragando sob estrelas gargalhantes do hemisfério sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava Polux: o tempo é irreparável, nasci na extremidade errada dele e tenho que viver detrás pra diante...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Os&lt;/strong&gt; gêmeos nasceram num outono de ventania, sob um céu absurdo e na parte nodosa do dia. A mãe vivia sozinha sobre a margem terrosa e áspera do rio Inhanduí-Guaçu. Maria era uma mulher singular, de muitos amores e pouca idade. Casou-se com dezoito anos e logo ficou grávida. Numa manhã de nuvens baixas, Maria lavava roupa à margem esquerda do rio, cantava com águas bebendo da vida lentamente quando chegou para degustação um homem purificado de natureza bravia e que dizia palavras com amplos sentidos. Era um ser metafórico, que pescava naquele rio e seduziu a moça com precisão e paixão. Irrompendo com a ordem natural dos acontecimentos Maria teve dois filhos, cada um de um pai e ao mesmo tempo. Múcio, seu marido, pai de Castor e progenitor de Polux, fazia um trio musical com paraguaios - tocava harpa na churrascaria “Lá carreta”- ficou profundamente abalado com a situação, triste e foi embora para o Paraguai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; nas sendas do cerrado, onde mangueiras espionam sobre muros, os meninos cresceram juntos. Se amavam como irmãos e conheciam igualmente as razões inconsoláveis de todos os prantos. Artistas de corpo e alma, de mambembes espetáculos pelas calçadas e praças da cidade, os gêmeos sobreviviam desta arte. Polux morava no Grande Hotel Gaspar, tinha gosto por vinhos e charretes – vagava pela cidade de sul a leste.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;a diurna exultação, o quarto de luz amputada pela cortina; no segundo andar do hotel, um bem-te-vi bate o bico contra a vidraça, xícara e restos de alimento sobre a mesa, onde sombras distorcidas de formigas rondam em procissão. Sonolento, Polux se levanta e sua rotina, antes do irmão chegar, era contemplar pela janela do quarto a estação ferroviária, chegadas, partidas e algo miraculoso nas manhãs alaranjadas, onde pássaros explodiam em sons pela esplanada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;astor morava distante do centro da cidade e no meio de um guaviral; tinha oito filhos com a mesma mulher, que se chamava Maria como sua mãe. A família tirava mel das flores de mirtáceas através das abelhas que cultivavam. Qualquer grande esperança é grande engano - pensava Castor - somos peregrinos de uma existência absurda de agonia e lágrimas sem sentido ou glória!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;À&lt;/strong&gt; noite, velas soltam lágrimas aprisionando mariposas no escuro crespusculado dos grilos e, na alvorada do dia, nuvens calmas e aves se reúnem sobre aquele nicho de homens, formigas, bocaiúvas, araticuns e um fogão de lenha recém-aceso. Era quando Castor tinha surto de imaginação ante ao bule de café. Assistia uma gota de orvalho se equilibrando na haste da bananeira, o gato afiando as garras, os filhos dormindo e o mundo girando. Indignação extinta, ressaca vaga, vinho, remorso e um desejo exaltado de pensar forte e de nunca morrer. Castor era ave noturna, abria as auroras e fechava as escuridões, sabia que sua herança era canga pesada, criar os filhos e viver como um mortal. Costumeiramente, encilhava o cavalo para a charrete e seguia em troteada para o centro da cidade onde encontrava com o irmão Polux em frente da Estação Ferroviária. Semeadores enlevados de harmonia, além das paixões terrenais, tinham encanto de deuses gregos que ficou gravado num fotograma no céu noturno de gêmeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;olux balançava as pernas sobre os dez andares do edifício da galeria São José, tinha presságios enquanto assistia nuvens lutulentas que pairavam sobre a profusão de pessoas que se aglomeravam ao longo da Rua 14 de julho até o relógio central. Castor organizava o povo que olhava o relógio e cobrava em coro a decisão de Polux saltar. – Salta! Salta! Salta!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;altou sem se benzer, por entre aplausos e emoções... Desceu os dez andares num silêncio de quem já morreu. Bateu na calçada e, por alguns segundos, ficou inerte, parecia que a vida tinha se apagado mas, de repente, ele se mexeu, sorriu, levantou, sacudiu a poeira e o aplauso em volta muito mais cresceu. Polux e Castor passaram o chapéu recolhendo o dinheiro que a platéia deu. Depois, seguiram abraçados, como sempre, rumo à Praça Ary Coelho, onde a charrete ficava estacionada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6971305159089866029?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6971305159089866029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/12/polux-castor-conto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6971305159089866029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6971305159089866029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/12/polux-castor-conto.html' title='Polux &amp; Castor  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SxwJxcK3aMI/AAAAAAAAAT8/nD5j44tfqKM/s72-c/poluxCastor-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1427848664707669363</id><published>2009-11-20T14:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T14:39:33.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>As noites de Maria Calíope - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SwcWn5j-JvI/AAAAAAAAAT0/gCwfcpLp1s0/s1600/as+noites+de+Maria+Cpe-Blogdomestica.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SwcWn5j-JvI/AAAAAAAAAT0/gCwfcpLp1s0/s400/as+noites+de+Maria+Cpe-Blogdomestica.bmp" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A&lt;/span&gt;quele chão vermelho e o céu sépia, durante os dias, se entrelaçavam entre as noites desconcertantes com estrelas e luzes distantes. Todos os dias de sua vida ela cruzou a fronteira do Brasil com o Paraguai onde lecionava português e música para jovens de uma reserva indígena. E todas estas noites de sua vida foram iluminadas por uma harmonia profunda e criaturas desconhecidas, talvez somente imaginadas por ela durante todos os anos que viveu. Sua natureza abstrata e lógica dava-lhe o prazer de desvendar e interagir com o universo físico, assim como ela mesma. Também acreditava que a matemática era o pilar que dava sustentação para compreender e entender o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Todas as manhãs o sol despejava pacotes de luz sobre os pobres telhados de barro, muros corrompidos e vegetações secas, criando sombras soberanas pelo chão duro e empoeirado. Maria contava as nuvens ralas enquanto caminhava por aquela estrada sem brandura, que levava à escola rural. Ela ensinava quase tudo para aqueles jovens - além de música e de português, falava de filosofia e ciências. No fim do dia voltava só novamente e seus passos exatos eram seguidos pelos corpúsculos da tarde até a linha da fronteira, onde, misteriosamente, paravam alguns segundos, como uma ataxia do tempo, deixando Maria anoitecer do outro lado, dentro de casa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Guardadora de estrelas e com um sorriso de melopéia, Maria Calíope iluminava de sons e luzes toda a rua, moldando as noites de eventos atemporais e mimos em forma de iguarias como sonhos, rabanadas, esquecidos, nuvens e pudins cujas receitas foram trazidas pela avó da terra natal. Os visitantes chegavam com a noite e saíam ao amanhecer. Traziam notícias de acontecimentos notáveis e relatavam suas imprecisas vidas ao redor deste mundo singular. Dissolviam-se as madrugadas em palavras, ruídos, chás e doces. Os poucos moradores e vizinhos que viviam próximos àquela pequena casa de madeira avarandada nunca viram nada anômalo, exceto luzes de cores variadas e sentiam o cheiro dos doces portugueses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A cozinha era o maior cômodo da casa: fogão de lenha e forno, latas cobertas com picumãs, onde guardava os cereais e biscoitos. Quatro cadeiras e mesa de madeira sempre coberta por singelas decorações de flores secas com fuligem e toalha xadrez. Por alguns anos, tempo da adversidade e mocidade, ela compensava a falta de afeto com delírios e doces, junto daqueles que chegavam com a noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Em dezembro de 1989, quando completou quarenta anos, nesta mesma noite recebeu uma visita fora do padrão, um espectro de aparência vã. Pasmada entre o medo e o desejo, se perdeu em fluídos e logo deixou o medo por uma paixão atemporal. . Ela o chamou de “Sem Forma” e o via através do espelho, que ficava ao lado da mesa na cozinha. Mulher madura e versada, amava com intensidade e havia resolvido problemas de solidão e conflitos. Instinto atávico de mãe, trouxe-lhe um filho que adotou na reserva indígena onde dava aulas. Sob os seus domínios de perfeição, o ardor dos sentimentos pelo menino e também pelo amante era de tal intensidade que lhe consentia extravagâncias utópicas. Suppé tinha aspecto exterior indígena, cabelos longos e inteligência musical simétrica, que lhe evocavam aspectos de felicidade, um legado de Maria Calíope ou da singularidade da sua mente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sombras de nuvens correm pelo chão formando algodões sépia sobre a fronteira. Flores brancas de mirtáceas rudemente pintadas com poeira montam sua guarda pelo caminho onde nada passa, a não ser cascavéis e, ocasionalmente, mensagens zumbindo pelos fios telegráficos. Suppé, em passos lorpa, segue rumo ao Paraguai é a primeira vez que ele arreda os pés do território de sua mãe. Então, aquela tarde – como um bicho - começou a ter pensamentos incessantes e, por mais de vinte minutos, sinapses elétricas salpicaram a paisagem que, castigada pelas descargas, incendiava os coqueiros torrando os ninhos de papagaios. O garoto não entendia nada sobre tempestades, sobretudo&amp;nbsp; elétricas, e continuou sua rota rumo ao Paraguai. E logo foi atingido por um daqueles estalos secos, que o jogou fora da estrada. Respiração arquejante, Suppé abre os olhos, vê nuvens negras que se movem, o fogo e os fios do telégrafo num céu surdo. Insiste em movimentar o corpo, perdera os movimentos, mas ainda ouve o coração batendo apressado dentro da cabeça que dói, latejante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Maria Calíope, atônita, observa a tempestade de raios pela janela da casa. Sua mente excitada procura uma solução e lembra que possuía predisposição genética que contrariava a razão e as experiências vividas quando tinha três anos de idade e foi atingida por uma descarga elétrica de alta voltagem. Instantaneamente, ela precisava fazer uma viagem empírica pelo fio do telégrafo, achar Suppé e trazê-lo em segurança para casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&amp;nbsp;A mulher era uma criatura humana e estava condicionada a pensar no tempo como um rio que flui, segue sua rota e não volta. Agora, ela em desespero corria pela casa e pedia uma solução ao céu. E veio pela antena parabólica, que ficava sobre o telhado. Uma cabal corrente elétrica, como um projétil, incorporou seu corpo embrenhando-se pela tomada e fios da casa. Ponderada e analítica, sua mente precisa percorreu, em milésimos de segundo, toda aquela fronteira oolítica que queimava ao vento seco. A matemática mais uma vez foi a salvação, através da música de timbre cristalino que ela tocava pelos fios dos telégrafos. Suppé ouviu seu chamado, sua canção, como um ninar cujas notas eram tiradas dos fios acima do seu corpo, que respirava poeira e continuava inerte no solo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Apesar da severa desordem dos músculos e de seu raciocínio, a música modulada foi decodificando em sua mente confusa o que havia ocorrido. Passos incertos, corpo magoado e com uma terrível dor de cabeça ele retorna para casa. A noite chegou e com ela também veio a ordem na fábula que lhes pertencia e assim, demasiados, os três viveram mais de mil noites extraordinárias, que contagiavam a paisagem revestindo-a de mistérios e dias ensolarados, onde as horas batiam lentamente no limiar da escuridão. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Epílogo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Maria Calíope foi professora por toda sua vida, que durou pouco. Acreditava que o alicerce do pensamento tinha início como o Big-Bang. Impelida à solidão, desenvolveu obesidade e diabete, que a levaram à morte. Na cozinha não havia espelho e sim fogão de lenha e forno, latas cobertas com picumãs onde guardava os cereais e biscoitos. Quatro cadeiras e mesa de madeira e um velho aparelho de televisão. Ali a mulher passava as noites comendo doces portugueses, assistindo a filmes antigos. Sozinha. Partiu para encontrar sua última ilusão no dia do seu aniversário de quarenta anos. Os olhos abertos e cravados no aparelho de televisão que, ligado, captava ecos do Big-Bang. Seu filho Suppé, que não era um índio, desapareceu um dia antes na fronteira do Brasil com o Paraguai. De resto nada existiu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1427848664707669363?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1427848664707669363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/as-noites-de-maria-caliope-conto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1427848664707669363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1427848664707669363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/as-noites-de-maria-caliope-conto.html' title='As noites de Maria Calíope - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SwcWn5j-JvI/AAAAAAAAAT0/gCwfcpLp1s0/s72-c/as+noites+de+Maria+Cpe-Blogdomestica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6902447095559423421</id><published>2009-11-12T15:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T15:01:20.583-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Papoula solitária  -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvyQgW_tgQI/AAAAAAAAATs/YEkmGuw-Kmw/s1600-h/papaula+solit%C3%A1ria-conto.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" sr="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvyQgW_tgQI/AAAAAAAAATs/YEkmGuw-Kmw/s400/papaula+solit%C3%A1ria-conto.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ra como um sonho, no qual eu voava ou caía no vazio do espaço. Sentia beliscões pelos braços e pernas quando passava dentro de nuvens escuras. Despertei estonteado, pasmado e com os olhos colados num teto repleto de teias de aranhas e picumãs. Ouvia vozes por detrás das paredes e não conseguia distingui-las. O quarto girava e o ventilador de teto estava parado. Permaneci deitado por alguns instantes, pensamento lento e corpo pesado – era como um sonho dentro de outro sonho -, pensava que poderia acordar a qualquer instante!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Pelo lado de fora, um alarido de sol e gente que circulava pelas estreitas ruelas com casinhas construídas com um tipo de tijolo artesanal – adobe -, pintadas de branco. Saí daquele quarto desconhecido pela janela enorme que dava para a rua. Pessoas pararam em minha volta e eu não entendia nada - falavam espanhol com diferente pronúncia. Da casa onde acordei saiu uma mulher que se dirigiu a todos que se aglomeravam.”El hombre cayó desde el cielo!” – disse ela sorrindo. Tinha um rosto redondo, cabelos lisos brancos e pouco mais de 50 anos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;“Tengo que regresar a sus alas. Buenos días a todos” – segurou na minha mão e puxou para dentro da casa novamente.Era uma espécie de pousada rústica com alguns quartos e pouco hóspede. A mulher, a senhora com sorriso largo, devia ser a proprietária. Eu ainda não sabia qual lugar era aquele e nem porque estava ali. Confuso e intrigado, comi tudo o que estava sobre a mesa. Algumas crianças com aparência indígena olhavam curiosas pela janela. Mais uma vez a mulher se aproxima e pergunta alguma coisa: “ Hombre del cielo, como la comida?” – parou em minha frente, continuou sorrindo e novamente perguntou outra coisa, fazendo gesto de cigarro até a boca: “El hombre quiere a la marihuana? Sem respostas de minha parte, a mulher se retira cantarolando. Abre uma janela e fala gritando com alguém, ”niño, llevar las alas del hombre!”. Momentos depois entra um garoto carregando um paraquedas todo enrolado e sujo. E tudo virou um enigma novamente. O apetrecho não era meu, apenas havia sonhado que voava por entre nuvens e acordei em um pequeno quarto no fim do mundo. Voltei a dormir com a esperança de acordar daquele velado devaneio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Dois dias de sono pesado, sem sonhar e como um morto passei. No final do segundo dia acordo disposto e com muita larica. Procuro pela mulher de sorriso largo, que já me esperava com uma refeição sobre a mesa da sala. Sempre cheia de cordialidade, ela faz gestos com as mãos, olha para a mesa e diz algo: “Compuesta de Quínoa, arroz, camote, carne de pollo y carne de llama. Auquénido andino.” Depois se retira, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;A noite caiu como uma lavoura de papoulas sobre aquele lugar árido, cujo ar salgado era difícil de respirar. Saí rumo a um deserto que iniciava no final da rua. A paisagem primitiva era estranha aos meus olhos, havia centena de animais desconhecidos pastando e as primeiras estrelas no horizonte. Carregava o paraquedas que não era meu, alguns cigarros de maconha e pensamentos obscuros. Caminhei fumoso noite adentro e, ao fim, estava exausto no meio de um deserto avermelhado. Havia uma mão gigante esculpida em sal e areia e foi neste lugar que escrevi meu nome, história e deitei-me à sombra daquela palma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;O dia chegou novamente, minha percepção estava alterada e o sol parecia o rosto risonho e escaldante daquela mulher... Mi nombre es Ramona. Mi casa está en la ciudad fantasma. Deserto de Atacama, San Pedro. Me encontré con el hombre que cayó del cielo. Era un buen hombre. Pero era demasiado loco. Fumaba 2 libras de marihuana. La marihuana ha hecho bien en su carne. Se lo comió asado con hierbas. Sabroso!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6902447095559423421?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6902447095559423421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/papoula-solitaria-conto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6902447095559423421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6902447095559423421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/papoula-solitaria-conto.html' title='Papoula solitária  -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvyQgW_tgQI/AAAAAAAAATs/YEkmGuw-Kmw/s72-c/papaula+solit%C3%A1ria-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7492256693522196698</id><published>2009-11-11T14:05:00.000-08:00</published><updated>2009-11-11T14:05:48.686-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Amanhecer  - Papel de parede</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Svs1C-AqgzI/AAAAAAAAATk/fSroNRblI9M/s1600-h/blogdadomestica-Sky.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" sr="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Svs1C-AqgzI/AAAAAAAAATk/fSroNRblI9M/s400/blogdadomestica-Sky.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7492256693522196698?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7492256693522196698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/amanhecer-papel-de-parede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7492256693522196698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7492256693522196698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/amanhecer-papel-de-parede.html' title='Amanhecer  - Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Svs1C-AqgzI/AAAAAAAAATk/fSroNRblI9M/s72-c/blogdadomestica-Sky.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-4605812762185315255</id><published>2009-11-03T14:41:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T14:41:23.330-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>NovembrO  - Papel de parede</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvCxaZYbWcI/AAAAAAAAATc/Sodgx4cNZrY/s1600-h/novEmbro-blog-papel+de+parede.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvCxaZYbWcI/AAAAAAAAATc/Sodgx4cNZrY/s320/novEmbro-blog-papel+de+parede.bmp" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-4605812762185315255?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/4605812762185315255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/novembro-papel-de-parede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4605812762185315255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4605812762185315255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/11/novembro-papel-de-parede.html' title='NovembrO  - Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SvCxaZYbWcI/AAAAAAAAATc/Sodgx4cNZrY/s72-c/novEmbro-blog-papel+de+parede.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8457693033865519054</id><published>2009-10-31T06:52:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T07:11:14.483-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Céu líquido - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Suw6dUQvGXI/AAAAAAAAATU/qy83-VtQBBQ/s1600-h/liquidSky+-blogdomestica.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Suw6dUQvGXI/AAAAAAAAATU/qy83-VtQBBQ/s400/liquidSky+-blogdomestica.bmp" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; oeste de Mato Grosso do Sul os morros elevam escarpados e há vales com matas cerradas nas quais nunca um ser humano esteve. Existe uma vegetação atípica, que margeia a única estrada de areia onde árvores se inclinam fantasticamente e finos regatos escorrem do alto das pedras. Ao longo dessa estranha estrada de areias douradas há uma dezena de fazendas, com casinhas feitas de madeira, onde o mato de São Caetano percorre as cercas e paredes, dando a impressão de que estão todas abandonadas e que ainda guardam antigos segredos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Os jovens moradores sempre vão embora. Os velhos continuam no lugar. Esta região não é boa para a imaginação e também não traz sonhos repousantes à noite. E, talvez por isso, este vale quase nunca é visitado por alguém. Outrora havia uma outra estrada, que vinha sobre as colinas e se encontrava com a estrada das areias de ouro. E, justamente neste encontro, formava um pequeno lago onde patos selvagens viviam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&amp;nbsp;Hoje, é apenas um pavoroso pântano, repleto de jacarés, cobras, mosquitos e cercado por morros, onde o céu alcança em tom sépia, dando a impressão que ali estão enterrados segredos dos dias estranhos que se passaram. O silêncio era excessivo nas noites que começavam mais cedo e, às vezes, se ouviam uivos de lobos ao longe, ou melhor, ecos nas colinas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;1.900 e a guerra do Paraguai havia terminado. Quase todas as famílias que viviam ali foram embora e algumas outras chegaram. Ao lado direito do velho pântano arenoso tinha um enorme e retorcido carvalho seco, que balançava sinistramente ao vento. Segundo os moradores, aquele carvalho balançava mesmo sem vento algum. Atrás dele ficava a fazenda de Ramona, uma refugiada da guerra que ali se aportou. Ela nunca pensou em deixar aquele vale estranho. Aquele lugar sinistro combinava com a aparência de Ramona, sempre carrancuda - seus cabelos longos e brancos davam uma visão surrealista de sua figura atarracada mestiça com chiquitanos (índios bolivianos). Contudo, era uma espécie de matriarca da pequena comunidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Foi no quinto dia do mês de agosto que o horror eclodiu. A chuva despencou por toda tarde. No início da noite haviam ruídos estranhos e os cães latiram freneticamente. A madrugada foi invadida por um odor insólito. A chuva passou era 6 horas. Laguna, o ajudante contratado por Ramona para trabalhar na fazenda, voltou numa correria alucinada de sua jornada matinal à estrada de areia com as vacas. Ele estava quase convulsionando de pavor quando entrou, esbarrando em tudo que havia na cozinha, enquanto diante do fogão Ramona ficou a olhar sem palavras. Laguna tentou balbuciar sua história.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- Os anjos, os anjos, eles estão morrendo! Ramona não espera a narração, uma vez que o rapaz tem problemas na fala quando fica nervoso. Saiu em disparada, seguida por Laguna, e foram até a casa do velho Barbalho, um sujeito magro que criava porcos e tinha os dentes enormes de cor ocre. O velho Barbalho já passava dos 100 anos e vivia com sua mulher, uma negra fugitiva de um quilombo, conhecida por Abá. Eram os vizinhos mais próximos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Os quatros saíram em direção à estrada de areia. Ninguém disse uma palavra - o céu estava escuro, corriam baixas nuvens apesar de ainda ser manhã. Dois quilômetros para a frente da fazenda de Ramona, onde passava a estrada velha, tinha um lugar que os antigos moradores denominavam “mesa dos anjos”, que para Ramona soava um tanto excêntrico e teatral - ela relutava contra as crendices daqueles vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Mas, de certa forma, a “mesa dos anjos” guardava mistérios da terra primitiva. Não havia vegetação de espécie alguma numa extensão de cinco quilômetros; apenas cinzas ou uma poeira fina cinzenta que nenhum vento parecia soprar. As árvores próximas eram doentias, mirradas e havia muitos troncos pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;-Está lá - disse Laguna, apontando o dedo em direção à “mesa dos anjos”. O velho Barbalho arregalou os olhos, sempre amarelados, puxou a mulher pela mão e gritou.- Isso é coisa dos traficantes!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Todos olharam com espanto para seis corpos desossados e sem cabeça no centro da ravina seca. Tinham aparência humana, mas eram criaturas aladas. Os alucins, como ficaram conhecidos, viviam ali desde muito antes. Ramona e seus vizinhos preservavam o segredo de mantê-los afastados da civilização, uma vez que estavam em extinção. Estes seres tinham como uma evolução asas, que na fase adulta atingiam até 2 metros de envergadura. Eram dóceis e tinham os dois sexos numa só criatura. Sua procriação era evoluída e controlada, uma vez que os Alucins estavam fadados a um triste fim, levados pela ganância de alguns homens. A carne e as vísceras eram uma espécie de droga alucinógena, complexa e potente para seres humanos que pagavam altos valores por um pedacinho desses anjos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;- foram os traficantes sim. Agora&amp;nbsp;estão extintos! – disse Ramona chorando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;O velho Barbalho, sua mulher e Laguna ficaram de joelhos em volta dos corpos desossados, sem cabeça e sem asas, numa prece em transe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;fim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8457693033865519054?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8457693033865519054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/ceu-liquido-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8457693033865519054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8457693033865519054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/ceu-liquido-conto.html' title='Céu líquido - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Suw6dUQvGXI/AAAAAAAAATU/qy83-VtQBBQ/s72-c/liquidSky+-blogdomestica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1579092291410779278</id><published>2009-10-25T12:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T12:30:48.598-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papel de parede 1280 x 713'/><title type='text'>Depois da chuva   - wallpaper</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuSm3NTFopI/AAAAAAAAATE/4nMS5pv6iY0/s1600-h/tardespantaneiras-xaraes..bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuTBWyVKoDI/AAAAAAAAATM/FWLyqBLo67w/s1600-h/tardespantaneiras-xaraes..bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuTBWyVKoDI/AAAAAAAAATM/FWLyqBLo67w/s400/tardespantaneiras-xaraes..bmp" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1579092291410779278?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1579092291410779278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/depois-da-chuva-wallpaper.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1579092291410779278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1579092291410779278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/depois-da-chuva-wallpaper.html' title='Depois da chuva   - wallpaper'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuTBWyVKoDI/AAAAAAAAATM/FWLyqBLo67w/s72-c/tardespantaneiras-xaraes..bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-3483632351348821595</id><published>2009-10-22T10:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:20:50.732-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Uma história,quase,mágica - 2    - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuCQqYeKm-I/AAAAAAAAAS8/8XG1u4T4rRE/s1600-h/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuCQqYeKm-I/AAAAAAAAAS8/8XG1u4T4rRE/s400/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;asci para conquistar um mundo de coisa alguma, passei minha infância trocando de emprego e, antes de completar os 12, já era guardião de uma plantação de melancias. Dizia seu Trosso, o meu patrão, as melancias precisam ser vigiadas porque existem muitos chupins naquela roça ao lado. Vivendo e aprendendo. Nunca pensei que um chupim tivesse a capacidade técnica de furar a casca dura de uma melancia! Pois não tinha. Porém, os pássaros tinham o trabalho de avisar o verdadeiro ladrão de melancias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Sentado, dias após dia debaixo de um jatobá, percebi que as formigas faziam procissão na beirada da tarde e que o verdadeiro ladrão era um tal de João Rola-flor. Um poeta e sábio, não sabia escrever nem o nome, mas tinha a habilidade de tecer barbante com orvalho – Rola-flor foi meu primeiro mestre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Fiz sociedade com João Rola-flor e fomos rumo à fronteira do Paraguai. Na bagagem levei duas melancias e, meu sócio, uma sacola com dinheiro novinho – que ele mesmo havia feito na máquina de tirar cópias. Homem santo e de bom coração, comprou um chevrolete 51, caindo aos pedaços, somente pra ajudar a Igreja de Encarnacion. Depois, seguimos caminho para o Chaco, passamos por uma dezena de vilarejos, onde a indigência e os cachorros eram atrações principais. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;João Rola-flor tinha planejado tudo em sua mente brilhante: usando o dinheiro novinho da sacola, poderíamos comprar cachorros e, assim, ajudar aquele povo sem versos. Pagávamos a mercadoria com uma nota de 50, novinha. Tinha troco de 20, porque o custo do cachorro era 30 - eu era o contador, mas não entendia porque comprar cachorros... Rola-flor dizia: somos anjos e ajudamos estas pobres criaturas. Cuide bem desses trocos!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Assim fomos até Fortín Florida, lotamos o velho chevrolete com cachorros magros, com fome e sede - foi uma época difícil em minha vida. O dinheiro novinho da sacola havia acabado, então restavam os trocos dos cachorros. Eu e João comíamos um pedaço de sopa paraguaia por dia. Os cachorros queriam comer e beber; o velho chevrolete tinha fome de óleo diesel e tinha também dois homens da polícia querendo prender meu sócio - tudo tinha, até dor de barriga por ter comido jatobá com água de chuva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;A justiça podia até ser inconexa e condenar um homem por ter feito seu próprio dinheiro, mas nunca mediria o grau de bondade anexado àquele coração. Fugimos de volta pra casa, era outono e o dinheiro que era o troco dos cachorros foi investido em comida para 48 cachorros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Recordo-me, com ternura, do vilarejo onde abandonamos os cachorros e também o velho chevrolete. Talvez, muito talvez, aquele lugarejo ganhou o nome de “Jaguaron” devido a este episódio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Voltei a vigiar a plantação de melancias tão pobre quanto antes, mas aprendi a ler pedras e quase tive um filho com aquele pé de jatobá. João Rola-flor virou um santo beberrão e vivia de benzimentos pra espinhela caída, dor de dente, enxaqueca de mulher e doenças da alma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-3483632351348821595?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/3483632351348821595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/uma-historiaquasemagica-2-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3483632351348821595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3483632351348821595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/uma-historiaquasemagica-2-conto.html' title='Uma história,quase,mágica - 2    - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SuCQqYeKm-I/AAAAAAAAAS8/8XG1u4T4rRE/s72-c/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5180723202707563582</id><published>2009-10-16T13:06:00.000-07:00</published><updated>2009-10-16T13:06:17.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Uma história,quase,mágica   -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StjOT9ZnOnI/AAAAAAAAAS0/sKDw05fg19w/s1600-h/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StjOT9ZnOnI/AAAAAAAAAS0/sKDw05fg19w/s400/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp" vr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;T&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;arde de brasa em fogo, que queimava com cigarras ensandecidas. A noite era uma imensidão escura, salpicada pelas pálidas luzes que vinham das estrelas. Na madrugada, as teias de aranha viravam vidros nas pastagens urinadas pelo orvalho. E assim eram os dias daquele lugar. O mato tomava conta das casas e, na rua principal que findava na igreja, havia um beco que começou a mancar de uma perna. Foi justamente no dia em que Caranguejo chegou. Ele ganhou este apelido porque andava feito caranguejo quando perde uma perna. Era um sujeito que não tinha origem de nascimento, nem carteira, nem dente e tudo que o povo daquele lugar sabia sobre a pobre alma é que era bondoso e cheirava a flor de copo-de-leite – igual a morto. Ajudava no açougue, cortava lenha, levava recados e, às vezes, obrava no beco que mancava de uma perna.&lt;br /&gt;O lugarejo incorporou o velho andarilho e, assim, foi por muitos anos. Caranguejo vivia nos fundos da carvoaria, lugar que sempre cuidou, onde escovava a boca e nunca trocou de roupas. Sempre a mesma calça, que ninguém descobriu ao certo que cor era.&lt;br /&gt;Sabia-se que tinha mais de 80 anos e chegado ao&amp;nbsp;norte da ignorância. Seu lugar preferido era o beco que mancava de uma perna, igual a ele. Criatura ordinária, carregava nos bolsos coisas sem utilidade - tampas de vidros, rolhas, papéis amassados e escritos, sem importância divina. Quando as sombras avançavam pela estrada, Caranguejo sentia êxtase de espantalho, corria pros roçados e cantava com voz de tenor.&lt;br /&gt;Tudo era muito comum naquele lugar e as coisas só aconteciam nas noites de quinta-feira, inclusive o baile, para aquelas meninas anônimas que giravam pelo salão da igreja enquanto os mais velhos enfiavam pregos no escuro da noite. Dizem que serviam bolo de gengibre e suco de manga - eu nunca comi.&lt;br /&gt;Um tempo depois veio viver no lugarejo um homem letrado de plantas, que fazia santidades com sementes. Leboulegard comprou uma propriedade desativada e construiu um grande viveiro de plantas exóticas. Ele era francês, tinha hábito de beber vinho tinto e comer coisas estranhas como lesmas, tripas e caracóis. &lt;br /&gt;Logo passou a tarefa de separar semente para o Caranguejo. E, toda vez que uma manhã começava, lá descia homem rengo de uma perna rumo ao seu trabalho como separador de sementes.Com o olhar na fronteira do céu, que dava pra ver do seu quarto, ele fumava folha de bananeira enquanto enfiava coisinhas pelos bolsos da camisa antes de sair de casa. Na ocasião eu tinha 11 anos. Diversão pra um menino desta idade era fazer da palavra um brinquedo,pois isso facilitava meu trabalho, que era de mentir e inventar. Então, passei a cangar as tardinhas espionando o velho enquanto chupava manga e manuseava o pinto. Eu ficava sentado em cima daquele muro cariado por horas a fio. Lá eu anotava tudo.&lt;br /&gt;Numa tarde, Caranguejo atravessou a rua principal e foi direto para o beco. Com a exuberância de quem sabia morrer, fechou a boca pras palavras e os olhos para o eterno. Seu último pedido era que fosse enterrado no fundo da carvoaria, lugar onde viveu por algum tempo. E assim foi. Lembro me que foi um dia muito importante da minha vida e do morto também.Todos os moradores estavam no velório. Leboulegard, que era seu patrão, disse que seria melhor banhar o defunto e tirar aquelas roupas que já tinham atingido grau de cera. Ninguém quis fazer tal coisa. Entre a excentricidade e o misticismo o velho andarilho viveu e morreu.&lt;br /&gt;Numa das visitas que fiz ao túmulo de Caranguejo encontrei plantas, inúmeras plantas com pêlos nas folhas. Será que o velho virou planta, ou apenas um milagre normal? – poderia ser um esforço de poeta, ter virado planta!&lt;br /&gt;A cidade inteira, um tanto erudita, preferiu um milagre. Eu, que amo as coisas sem prestígios, preferi sonhar que o homem virou planta. Leboulegard, que tinha os conhecimentos em desageros, afirmou que suas sementes de morangos tinham sumido e que o velho andarilho esqueceu-as nos bolsos da camisa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5180723202707563582?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5180723202707563582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/uma-historiaquasemagica-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5180723202707563582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5180723202707563582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/uma-historiaquasemagica-conto.html' title='Uma história,quase,mágica   -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StjOT9ZnOnI/AAAAAAAAAS0/sKDw05fg19w/s72-c/Uma+hist%C3%B3ria,quase,m%C3%A1gica-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1409261447935833799</id><published>2009-10-14T13:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T13:42:09.210-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>The lake of wine   - papel de parede</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StY3iWYtUaI/AAAAAAAAASs/ee3vS1v5IcA/s1600-h/the+Lake+of+the+Wine-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StY3iWYtUaI/AAAAAAAAASs/ee3vS1v5IcA/s400/the+Lake+of+the+Wine-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1409261447935833799?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1409261447935833799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/lake-of-wine-papel-de-parede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1409261447935833799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1409261447935833799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/lake-of-wine-papel-de-parede.html' title='The lake of wine   - papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/StY3iWYtUaI/AAAAAAAAASs/ee3vS1v5IcA/s72-c/the+Lake+of+the+Wine-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5457207344905426416</id><published>2009-10-07T06:25:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T06:25:39.604-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O homem da lua  - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyTUaqFFNI/AAAAAAAAASg/M3Xe4pILWLk/s1600-h/o+homem+da+lua-blog-conto.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyTUaqFFNI/AAAAAAAAASg/M3Xe4pILWLk/s400/o+homem+da+lua-blog-conto.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Depois de ter me incorporado como um elétron da tridimensionalidade, passei a perpetuar as tardinhas que desmanchavam cores quentes no horizonte. Sentado ali, na beira daquele lago, fazendo desenhos na água, eu compreendia tudo. As nuances que derretiam no espaço eram asas de borboletas que recortavam o ar. Eu envelhecia feito erva cidreira e as tardes eram o prólogo do que viria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Então, coloquei meu traje azul de mangas leves, porque o que chegou foi a noite e, com ela, não vieram só estrelas e grilos, mas um um vento frio que acumulou folhas na varanda de minha casa; veio, enfim, uma absoluta certeza de que não haverá mais invernos, nem as andorinhas e o cheiro dos tomilhos na beira do lago. A canção no juke-box nunca mais será ouvida, as imagens desaparecerão, então, esquecerei o gosto da comida e os vermes vão beber cabernet sauvignon em minha boca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Logo depois veio a aurora, rompendo melancolicamente a manhã - eu ainda estava acordado. Caminho em volta de minha casa, há nuvens calmas no céu, ouço o palavreado das andorinhas e vejo a tristeza das árvores de tangerina diante do dia que irá morrer comigo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Maria chegou a cavalo e fez fogo cedo. Havia café e bolo de fubá sobre a mesa da cozinha e, na parede, um relógio cujos ponteiros haviam enferrujado dentro dele; bebi meu último café. O dia abriu em mim. As emoções descritas não foram sentidas naturalmente, usei meios artificiais para senti-las. Eu nunca senti tais emoções, verdadeiramente, como humano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;O mistério da vida me causa a mais forte emoção. Tenho grande amor pela minha espécie, mas com muita dificuldade me integro com os homens e em suas comunidades. Não sinto falta deles porque sou profundamente solitário. Deixo este tipo de prazer aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo. Hoje, vivo sozinho na Lua - talvez eu seja o resquício de uma fera tentando entender sonhos de deuses.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Nasci em 2.048, no “Mar da Tranqüilidade” – onde o homem pisou pela primeira vez. Um pouco antes, as agências espaciais Nasa, Esa e China resolveram construir um grande laboratório fora da Terra. A Lua foi escolhida e meu pai, um jovem cientista, foi um dos pioneiros. Na mesma turma havia uma bela exobiologista, que era minha mãe e, juntos com mais 55 pessoas, formaram um grupo de cientistas fora do planeta Terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Meus pais viveram na Lua por cinco anos. Nasci no terceiro e, quando eles voltaram para a Terra, eu ainda era uma criança. Fui afetado e moldado fora deste planeta, por isso tenho as afeições alteradas, ou seja, diferente de outros humanos. Sou o primeiro homem a ter nascido na Lua. Até os 25 anos morei num lugar da Europa onde aprofundei os meus conhecimentos em gravidade. Comecei onde um alemão parou – no século 20, um cientista chamado Albert Einstein descobriu que a gravidade, basicamente, era a dobra no espaço. A teoria foi provada por ele mesmo e a partir dela eu busquei meu caminho. Inscrevi-me no projeto e voltei para a Lua, levei na bagagem um chip com memória de uma moça que conheci – Artificial foi o meu único amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;O projeto durou por mais seis anos e todos os cientistas voltaram para a Terra. Resolvi ficar e provei para as agências que era preciso, eu tinha nascido ali, eu era um cidadão extraterrestre, apesar do DNA humano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;E, solitariamente, eu vivi dentro daquele vasto laboratório, não havia dias nem noites, havia estrelas e aquele planeta azul girando ora minguante, ora cheio e, às vezes, recebia uma visita dos meus pais via ondas de rádio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;O grande simulador continha toda a história da humanidade e sua memória era na Terra, mas do espaço eu interagia e vivia todas as emoções humanas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Enternecido pelo tempo, comecei a ter medo de morrer sozinho. A Lua estava um pouco mais próxima da Terra, mas havia muito lixo no espaço e o laboratório sofria ação deste material&lt;strong&gt;...(mensagem final)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Oceana caminha até o refeitório da nave, ela está com água nos olhos e com a voz fragmentada. Ela diz para os companheiros de bordo: “Olhem, achei este disco e nele uma gravação antiga... É sobre um homem que nasceu e viveu na Lua em outro tempo”. Oceana vai até a janela e fica com o olhar perdido no horizonte de eventos – ela mal consegue falar sobre a antiga canção que também está na memória. A nave, suavemente, segue rumo à Terra com os restos do laboratório.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;fim&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5457207344905426416?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5457207344905426416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-lua-conto_07.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5457207344905426416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5457207344905426416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-lua-conto_07.html' title='O homem da lua  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyTUaqFFNI/AAAAAAAAASg/M3Xe4pILWLk/s72-c/o+homem+da+lua-blog-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2665260339587233597</id><published>2009-10-07T05:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T06:06:55.831-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O homem da lua - A gênese   - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyN5o5wJ1I/AAAAAAAAASY/asOsT53E4Sw/s1600-h/o+homem+da+lua-g%C3%AAnese-blog.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyN5o5wJ1I/AAAAAAAAASY/asOsT53E4Sw/s400/o+homem+da+lua-g%C3%AAnese-blog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ano 20 271dC&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;o silêncio interestelar ouvia-se apenas as batidas dos corações da tripulação que dormia há meses. A nave estava a mais de duzentos bilhões de quilômetros longe da Terra e, agora, presa pela gravidade de um planeta desconhecido, fazia um remanso com dezenas de luas. Oceana, a única acordada, perdera o controle daquele veículo gigante movido a ventos solares e cujas velas haviam se rompido. Não tinha combustível e nem comunicação, os motores deixaram de funcionar, a nave estava perdida, sem rumo e por algum tempo circundou o planeta até se chocar com uma de suas luas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Amplo cenário de uma noite adulta, Oceana inaugura os olhos num mundo estranho, obscuro e desconcertante. Ela está viva, sozinha e os corpos dos companheiros foram para uma tumba num deserto branco e inóspito. O que sobrou da nave agora servirá de morada para ela. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Há um céu congestionado de mundos não muito distante, um grande mar de águas vermelhas onde pequenos animais e vegetais vivem em suspensão, planícies solitárias e nos pólos as florestas são azuis, como um vazio exaltado.No terreiro, uma mortalha do que sobrara da nave era onde Oceana caminhava em círculos enquanto olhava uma luz que imaginava a Terra, bela para seus olhos, um ponto na superfície sem fundo da muralha de estrelas. Respirava o espaço pesado, onde passavam os astros que brilhavam muito além da sua angústia, enquanto a profundeza das alturas em sua solidão se apoiava em noites, dias e anos a fio.Com o equipamento que sobrara na nave, Oceana precisava obter uma fonte de energia para restabelecer o computador com milhões de informações e sobreviver. Havia comida e luzes de seu equipamento pessoal. Oceana estava presa na grande lua de um planeta com um campo magnético fortemente inclinado, um gigante gasoso com anéis formados de gelo e restos de luas que se chocaram. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Aquela lua, seu novo mundo, um cais num oceano de trevas, tinha atmosfera parecida com a do planeta Terra quando era apenas um jovem de quatro bilhões de anos.A fonte de calor e luz vinha do planeta azulado, cujos anéis faziam um rio de prata que tomava conta do sul do céu diurno. As noites eram minúsculas, fabulosas e cheias de desconhecidos encantos ao Norte. Quando surgiam várias luas no céu, a paisagem mudava de comportamento e de tonalidade, eram instantes e horas de abissal solidão para Oceana, uma exobiologista e astrofísica que pilotava nave espacial, fêmea da espécie humana, nascida no planeta Terra - ano 20250 DC. - agora uma náufraga num mundo desconhecido, num sistema distante. Eva e Platão de uma nova espécie de humanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Assim se passaram muitos anos, num tempo sem hábito, uma extensão do mesmo tempo conhecido. Oceana se transformara numa figura ambígua sexualmente. Seus traços externos ficaram mais rudes, a inteligência aumentou e seus órgãos de reprodução sofreram mutações. Ela passou a produzir todos os hormônios normalmente. Agora não havia um homem, macho da espécie, mas Oceana tinha chegado ao limiar, antecipadamente, de uma evolução programada no DNA humano. Por algum tempo - tempo e calendário que ela mesmo criara - passou a ovular e fecundar. Foi à gênese naquele sistema planetário desconhecido. Suas filhas, seus clones e depois clones dos clones, a nova espécie de seres humanos havia rompido, perdido seus comportamentos agressivos e ritualísticos.Evoluíram para o conhecimento, criaram uma civilização anos-luz dos humanos do planeta Terra.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Tornaram-se viajantes das estrelas em suas naves zumbindo próximas à velocidade da luz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;fim&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2665260339587233597?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2665260339587233597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-lua-genese-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2665260339587233597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2665260339587233597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/o-homem-da-lua-genese-conto.html' title='O homem da lua - A gênese   - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsyN5o5wJ1I/AAAAAAAAASY/asOsT53E4Sw/s72-c/o+homem+da+lua-g%C3%AAnese-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5012849833937500267</id><published>2009-10-05T06:52:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T06:52:08.192-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Elas  - Papel de parede</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Ssn55xBPJJI/AAAAAAAAAR4/aVTERXMnyOI/s1600-h/CRIS-PAPEL+DE+PAREDE.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Ssn55xBPJJI/AAAAAAAAAR4/aVTERXMnyOI/s400/CRIS-PAPEL+DE+PAREDE.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5012849833937500267?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5012849833937500267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/elas-papel-de-parede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5012849833937500267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5012849833937500267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/elas-papel-de-parede.html' title='Elas  - Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Ssn55xBPJJI/AAAAAAAAAR4/aVTERXMnyOI/s72-c/CRIS-PAPEL+DE+PAREDE.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-4897253460239585282</id><published>2009-10-02T15:00:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T13:29:21.036-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papel de parede 1280 x 713'/><title type='text'>Sírius sua irmã morta  - conto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsZ5YhEhPPI/AAAAAAAAARw/PSWejV4P0GQ/s1600-h/S%C3%ADrius+and+your+sister+blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsZ5YhEhPPI/AAAAAAAAARw/PSWejV4P0GQ/s320/S%C3%ADrius+and+your+sister+blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;om um lápis desenhava numa folha de papel sobre uma mesa de madeira. Os olhos captavam as rachaduras na torre da igreja e nuvens. O vento sacudia a cortina e conduzia a canção do rádio junto com o cheiro dos pães por todo o quarto, que ficava sobre a padaria. Cama de solteiro, armário abarrotado de livros; nas paredes, vários cartazes de balés e antigas fotos de família. Tinha também uma coleção de discos de Mario Lanza, amava suas canções, sobretudo “Because you’re mine” – sempre que ouvia chorava, talvez por se lembrar de um amor que nunca teve.&lt;br /&gt;Sírius gostava de desenhar paisagens e caminhos íngremes, mas o sustento vinha da dança, cujo palco era o salão de baile que ficava bem na fronteira do Brasil com o Paraguai. E, nas noites de sábado, era o apogeu quando vinham homens de toda a região à procura de diversão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;No amplo salão, feito com tábuas e piso de vermelhão, aquela moça de apenas 20 anos, e mais outras tantas, contribuíam para a alegria dos rapazes. Dançavam, dançavam e giravam ao compasso de velhas canções para viver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sírius nasceu numa gravanha perto daqui. Era a primeira de doze, todos homens e somente ela de mulher. Ela e sua irmã gêmea, que não chegou a nascer. Sua irmã havia desaparecido por completo no sexto mês da gestação, um grande mistério para sua mãe, que vivia naquele fim de mundo. Segundo a visão instigante de Sírius, ela ainda estava ali, presente em seu corpo. Havia se atrofiado na gestação e seu minúsculo cérebro ainda vivia dentro dela. E ambas eram diferentes: sua irmã morta tinha estranhos desejos. Sírius era o contrário, e até parecia que nunca tinha desejos, ela apenas dançava e tentava compreender a vida para ambas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Disse ela, ilustrando em detalhes, que em volta de seu tálamo, no cérebro, ficava o complexo “R” - de réptil mesmo. Este lugar era a sede da agressividade, do ritual e nasceu quando nossos ancestrais eram répteis - talvez fosse esta parte a mais desenvolvida em sua irmã morta. Logo depois, o sistema límbico - e este sim era dos mamíferos - responsável por suas manifestações de sobrevivência no planeta. Por fim, o córtex cerebral, lugar onde nasceu à civilização, a arte e a compreensão – neste lugar onde a matéria se transforma em consciência.Sírius compreendia sobre o funcionamento do cérebro humano, portanto sofria de um mal. Atribuía às atitudes e gestos grotescos em manifestações de sua irmã morta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sírius tinha paixão pela sua parte “R”, que dizia ter duas, e numa noite desceu aquelas escadas antigas do quarto que ficava sobre a padaria, caminhou pela praça da igreja com o vestido rodado, comprou pipocas e foi trabalhar no salão de baile.Sábado cheio de gritos de crianças, estrelas e músicas no autofalante da igreja. Sírius estava feliz, como sempre, e sua estrutura de pensamento era comum ante à vida, exceto pelo fato da menina ter desejos de réptil e coisas sem explicações. Ela trabalhou, dançou e, num determinado momento, convidou seu par para um passeio na madrugada. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;As ruas já estavam desertas; no céu, por ironia, navegava a constelação de Cão Maior e a estrela Sírius. Eles andavam em passos lentos - uma no céu outra no chão. O coração de Sírius batia acelerado, era sua pulsação que levava fluidos conhecidos apenas por ela. Ruas depois, seus olhos estavam totalmente negros, já não tinha fala e a delicadeza da bailarina se transformara em gestos exaltados de desejo e fúria. E, como uma fera, ela dilacerou e comeu a genitália do jovem enquanto sentia êxtases primitivos. Gritava e olhava para o céu, feito uma fêmea selvagem e&amp;nbsp;sua vítima se esvaía em sangue num corredor escuro. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O pensamento é algo complexo, composto de impulsos eletroquímicos, cujo exemplo pode ser esta história em todos os seus aspectos. Portanto, o pensamento é apenas uma das possibilidades infinitas que a mente humana é capaz de forjar. Esta intrincada maravilha, o cérebro, pulsa, palpita e segue o complexo padrão do Universo físico. Então, como seria o “tear encantado” de Sírius e sua irmã morta...?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;fim&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-4897253460239585282?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/4897253460239585282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/sirius-sua-irma-morta-conto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4897253460239585282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4897253460239585282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/10/sirius-sua-irma-morta-conto.html' title='Sírius sua irmã morta  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SsZ5YhEhPPI/AAAAAAAAARw/PSWejV4P0GQ/s72-c/S%C3%ADrius+and+your+sister+blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-3587218644634446615</id><published>2009-09-27T14:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T14:57:36.409-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>A jornada cósmica de Theopoulous Guaraná – conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sr_QI5aRkCI/AAAAAAAAARg/SGlouvrZwog/s1600-h/a+jornada+c%C3%B3smica+de+theopoulous+guaran%C3%A1-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" iq="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sr_QI5aRkCI/AAAAAAAAARg/SGlouvrZwog/s400/a+jornada+c%C3%B3smica+de+theopoulous+guaran%C3%A1-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ra o primeiro dia do ano de 1.951. O porto de Santos estava lotado de pessoas que desembarcaram de um navio vindo da Turquia. Theopoulous segurava firme nas mãos de seu pai, suava e estava pálido, numa espécie de transe. Ele olhava para o alto e via a desordem das gaivotas e ouvia o emaranhado de sons que vinha das águas e das vozes humanas - de uma língua que nada entendia. Tinha apenas oito anos e, junto com os pais, deixara a Grécia, sua terra natal. A mãe morrera na longa viagem; o pai, agora, era seu elo com este mundo novo e estranho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Uma semana depois atravessaram de trem o sul do pantanal e foram parar na cidade de Corumbá, fronteira com a Bolívia – lugar onde vivia um patrício. Pelas barrancas do rio Paraguai, pai e filho foram se ajeitando. Moravam num barco velho e rústico, que também servia de transporte para as viagens que faziam como mascates. Theopoulous e seu pai vendiam argola para laço, tecidos, chapéus, ferramentas, cordas, fumo, álcool, vidros de arnica, biscoitos e mil outras coisinhas que os nativos do litoral central consumiam. Logo eles ficaram conhecidos, desde as terras dos índios Guaicurus, guatós, até a dos Paiaguás.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Dois anos se passaram. Theopoulous e seu pai aprenderam um pouco de cada coisa, inclusive a língua portuguesa, e também a tupi-guarani. Durante as viagens, o garoto carregava no olhar uma espécie de torpor, então seus olhos engoliam a paisagem, que era formada pelo azul do céu e também pelas águas que refletiam o mesmo azul e o mato que seguia o rio. A noite tinha pérolas espalhadas no espaço e, nas águas, as luzes das estrelas se misturavam com as vegetações de camalotes – criando borrões de luzes esverdeadas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Neste universo poderoso, que principia e se propaga, há uma eternidade de coisas acontecendo em instantes contínuos no horizonte de eventos. E, numa noite igual a estas, desceu um rude temporal e a embarcação se desmanchou nas águas do rio Paraguai. As mercadorias foram engolidas por um redemoinho que levou o resto do barco e também o pai do garoto. Theopoulous acordou muito além da fronteira do Paraguai, em terras indígenas no Chaco. Fora salvo pelos Guaicurus e levado para uma aldeia bem longe do rio, onde ele se anonimou entre crianças, cachorros e uma vida inimaginável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&amp;nbsp;Guaraná foi o nome escolhido pra esquecer o gosto da civilização, sua cultura, costumes e o nome grego que enterrara numa curva daquele imenso rio. Foi adotado pelos últimos membros de uma nação quase extinta. E, aos dez anos de idade, ele coordenava o trabalho dos meninos da aldeia, que era aprisionar nuvens em cima do chapadão. Como uma ave aprendeu a olhar, trançava madeiras com Caranchos, gostava de Caburés, Tesourinhas, Cabeças-secas e aprendia coisas com Emas. As nuvens que os meninos aprisionavam eram torcidas e viravam água, que servia para beber no período da seca, que se prolongava por quase seis meses todos os anos. Guaraná era chamado de baquara - o que sabe das coisas, esperto – apelido dado pelos meninos Guaicurus. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Épocas de chuvas e secas vieram e foram, os meninos se tornaram rapazes, guerreiros e exímios cavaleiros. Guaraná se transformou num caçador forte de pele escura para se proteger do sol. Tinha sua própria palhoça e o respeito dos mais velhos de toda a tribo. Matava onça com zagaia, porco monteiro, cateto pegava na corrida e sobre um cavalo acertava qualquer coisa que se movesse – era um legítimo Guaicuru. Passaram-se algumas monções e Guaraná conheceu Aondê, mulher da tribo dos Paiaguás, aliados dos Guaicurus, cujos poucos remanescentes viviam numa reserva que ficava em outra região do pantanal. Um lugar pouco extenso, cercado de chapadões, com entrada natural apenas de um lado – conhecido por Covanca do índio. Bela e forte, a menina tinha apenas doze anos. Casaram-se e tiveram dois filhos. Guaraná cavaleiro e caçador Guaicuru passou a chefiar a pequena reserva Paiaguás, que ficava ao norte do pantanal sul. A aldeia era formada por velhos, crianças e cachorros. Muitas vezes faltavam alimento e água para beber, devido à seca que se arrastava por meses a fio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sublevado pela noite árida, Guaraná apoiou seu rosto no espaço noturno, como se na janela da própria palhoça, lugar no qual Aondê e seus filhos dormiam. Saiu cheio de estrelas, arma em punho e andou léguas por caminhos onde nunca havia passado. Precisava caçar em quantidade para alimentar toda a aldeia. O dia amanhecia, era um final de setembro, e ralas nuvens apareciam num céu pálido de horizonte avermelhado. Subitamente, um vulto felino e faminto salta sobre o cavalo que, assustado, prende a perna do caçador num tronco de árvore seca. Cavalo e cavaleiro despencam no solo árido. Já no chão, o guerreiro segura a zagaia com a ponta virada para o céu. O animal sem sorte salta sobre a lança de madeira, que lhe rasga o coração, caindo pesadamente sobre as suas duas pernas. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A onça pintada estava morta, o cavalo quebrou uma das patas e Guaraná havia quebrado os dois pés. Por mais de seis horas os três ficaram esticados ao relento daquela fornalha que derretia os horizontes. Guaraná acordou com os lábios arrebentados, os urubus faziam círculos num céu morno e vazio, seu cavalo respirava pesadamente e moscas faziam zumbidos sobre o sangue seco da onça morta. Arrastou-se até o cavalo agonizante e, num golpe certeiro, tirou-lhe o sofrimento com a mesma zagaia. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O dia terminou com rajadas de ventos que fizeram a paisagem mudar. Em pouco tempo o céu estava pesado, carregado de nuvens plúmbeas, que pareciam querer afogar aquela terra rachada e seca. Caíram gotas grossas e esparsas, as lavas-bundas e os pássaros entraram em frenesi e Guaraná se arrastou com sua dor por vários quilômetros noite adentro - como um caimã à procura de corixo. A chuva passou e na madrugada o céu estava transbordante de estrelas que brilhavam acima da sua angústia - ele se arrastava e tentava, em vão, tirar alguma força daqueles astros distantes, de modo que o firmamento se inclinasse e se confundisse com o seu árduo destino. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Então, pela primeira vez, ele se recordou da mãe que ficara numa sepultura em mar além, também das águas do Mediterrâneo e dos campos da Turquia, onde nada deu certo. Recordou da ilha de Santorini na Grécia, lugar onde nasceu e viveu por um breve período. Ao fim das lembranças veio à tona um vocabulário desconhecido naquela região e que ecoou como um lamento, até que os primeiros raios da manhã atravessaram seu corpo, descumprindo regras e normas da natureza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Guaraná parecia ter acordado de um transe ou sonho noturno. Estava diante de uma enorme cidade, feita de barro e bosta, onde moravam milhões de cupins. Nas sombras daqueles morros, seu corpo cansado e sem forças adormece pesadamente. A chuva cai novamente em abundância por todo o dia e noite. Na alvorada, Guaraná consegue aplacar a dor física: aumentara a sensibilidade, mas perdera os movimentos do corpo, que se encontrava envolto numa manta de lama fabricada pelas operárias dos cupins; seus ouvidos captavam a radiação cósmica de fundo e ondas eletromagnéticas. O coração ficara rengo e havia um gosto de metal na sua boca, por onde cupins entravam e saíam. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Era aurora, úmida angustiante, bela, cheia de luzes nos formigueiros e o cérebro daquele homem entrara em colapso. Theopoulous Guaraná sabia que seu universo era finito até ali, como ser humano, mas sem limites no tempo imaginário. Uma bola de fogo ficou suspensa a meio metro do chão. Do seu corpo separaram-se os átomos, cujos núcleos se decompuseram em dois, liberando energia. Isso também ocorreu com um inseto, era uma fissão nuclear em andamento, que culminou com uma fusão nuclear espetacular, na qual uma estranha e forte força mantinha unidos os novos átomos. Um pouco antes do amanhecer, aquela energia virara um cupim com asas na fase adulta, pronto para criar uma nova colônia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O homem grego se transformara em cupim, seu pequeno cérebro não compreendia nada, a visão era ampliada e deturpada, os sons eram só zumbidos e o pantanal era um planeta distante que seus olhos tentavam decifrar. Leve e sem rosto, perdera o compasso voando sem rumo para cima e para baixo. Depois pousou sobre um formigueiro e ali ficou imaginando o que seria aquela infinita curvatura de impassibilidade! Terminava naquele instante a lógica de suas conjecturas humanas. No quinto dia, Aondê e seus filhos alcançaram aquela cidade de cupins, que voavam loucamente por todo o vale. Nem vestígios do marido foram encontrados. A mulher segurou nas mãos dos meninos, sentaram-se sobre uma pedra e ficaram até o anoitecer olhando os tamanduás devorarem os cupins com asas, num banquete alucinado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Guaicuru&lt;/strong&gt; – tribo indígena que vivia no estado de Mato Grosso e também no Paraguai. Eram exímios cavaleiros e guerreiros. Os Guaicurus eram aliados aos Paiaguás contra os portugueses, eles ofereceram grande resistência à povoação do Pantanal mato-grossense. Um tratado de paz em 1791 os declara súditos da coroa portuguesa. A partir do século XVIII, chamou-se guaicuru todo os indígenas do Chaco que compartilhavam sua língua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Paiaguás &lt;/strong&gt;hoje extinto, vivia no Pantanal quando os portugueses chegaram na região. Juntos com os Guaicurus travaram batalhas, matando muitos portugueses. Foram perseguidos e aos poucos exterminados, não existindo atualmente nenhum registro de descendentes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Zagaia&lt;/strong&gt; - uma arma feita com madeira. Espécie de lança usada para escorar onça. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Fissão nuclear&lt;/strong&gt; - quando um núcleo se decompõe em dois ou mais núcleos menores, liberando energia. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Fusão nuclear&lt;/strong&gt; - Quando dois núcleos se colidem para formar um núcleo maior e mais pesado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Força forte - Mantém os quarks unidos para formar prótons e nêutrons – estas formam o núcleo atômico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Radiação cósmica de fundo&lt;/strong&gt; – luz emitida quando o Universo era apenas um bebe. Surge como microondas e captadas como zumbidos.(pode ser captada na televisão).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Ondas eletromagnéticas&lt;/strong&gt; - Oscilações num campo elétrico por ondas que viajam na velocidade da luz. – ultravioleta, luz branca, ondas de rádio e raio x .&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Lava-bunda&lt;/strong&gt; - libélula&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-3587218644634446615?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/3587218644634446615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/jornada-cosmica-de-theopoulous-guarana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3587218644634446615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3587218644634446615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/jornada-cosmica-de-theopoulous-guarana.html' title='A jornada cósmica de Theopoulous Guaraná – conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sr_QI5aRkCI/AAAAAAAAARg/SGlouvrZwog/s72-c/a+jornada+c%C3%B3smica+de+theopoulous+guaran%C3%A1-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-4752582959586603305</id><published>2009-09-23T15:41:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T15:49:40.814-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Matança de porcos   - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrqfpEhDuHI/AAAAAAAAARY/UPU1Q2Lz0V4/s1600-h/MATAN%C3%87A+DE+PORCOS.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" iq="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrqfpEhDuHI/AAAAAAAAARY/UPU1Q2Lz0V4/s400/MATAN%C3%87A+DE+PORCOS.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ob o sol vermelho e ardente, as folhas das árvores ficaram azuis. Havia um túnel formado por mangueiras, cujos frutos alimentavam os cardumes de baleias que voavam rumo aos mares do norte. A terra tinha aparência do chão do planeta Vênus, vermelho e sépia. Adiante do matadouro, numa das extremidades das mangueiras, havia um grande rio que levava o sangue dos porcos abatidos. Ao lado, um enorme bosque onde moravam Corah e sua família.O abatedouro de porcos alimentava a população daquele lugar, onde as perspectivas familiares de espaço e tempo eram estranhas. Tudo escapava às regras, inclusive a luz, que viajava a uma velocidade de 80 quilômetros por hora, fugindo a uma lei natural que é de 300 mil quilômetros por segundo. Então, o tempo também caminhava lento e todos os relógios eram muito vagarosos. As bicicletas eram os veículos mais rápidos e a velocidade dependia de cada um. Na ampla casa de pedra onde Corah vivia com os pais havia inúmeros relógios mecânicos, biológicos e estacionários.Ela estudava no vilarejo, onde a população não passava de cinco mil pessoas. A região era belíssima, e quando chegava o outono os campos ficavam com um azul profundo, que parecia líquido. E todas as tardes, ante à revoada de baleias, ouvia-se um coro de gritos que ecoava por aquele descomunal céu em rosa: eram os porcos sendo mortos.&lt;br /&gt;Olhos amendoados, sobrancelhas intensas que combinavam com o carmim da boca grossa e nariz imponente. Corah nascera em dezembro e quando chegou aos 12 ganhou uma bicicleta toda violeta e rosa. A estrada entre sua casa e a escola era feita de pedras escuras, lisas e as voltas do vilarejo seriam muito mais rápidas e prazerosas.Assim, numa manhã, quando voltava da aula, a menina pedalou o mais rápido que pôde. Foi na descida perto da ponte que ela chegou muito próxima da velocidade da luz naquele lugar. Como o tempo é mais lento próximo à velocidade da luz, Corah experimentou a relatividade especial - descobriu que suas partículas atômicas não envelheciam em tal velocidade.Em cinco minutos a estrada virou um buraco de minhoca, um túnel, ela chegou em casa e o lugar já não era o mesmo. As paredes de pedras foram substituídas por tijolos e madeiras. Havia vários vizinhos e crianças por todos os lados. Ela entrou normalmente em casa. Sua mãe preparava o almoço de rotina para o pai, que estava no matadouro de porcos. Agora, na casa, havia um outro quarto que era de Samuel, o irmão que até cinco minutos atrás não existia. Corah caminhou pela casa, descobriu que o tempo havia passado e ela não envelhecera. Mas as folhas estavam amarelando, ainda se ouvia os gritos dos porcos morrendo e as baleias se confinaram em mares profundos.A menina de pernas longas ficou extasiada pelas leis naturais do Universo e resolveu estudar sobre as partículas atômicas e suas vidas diante de paradoxos como este. E numa outra manhã, de volta para casa, Corah e Samuel desceram juntos numa mesma bicicleta e se depararam novamente com a dilatação do tempo. Em cinco minutos a estrada já estava pavimentada, o bosque havia desaparecido, assim como o rio e o túnel de mangueiras. A cidade havia aumentado, o céu já não era mais vermelho, rosa e sim azul claro, onde aves e nuvens voavam. As folhas ficaram verdes, o matadouro de porcos dobrou suas dimensões e ganhou uma chaminé, que chegava nas nuvens.&lt;br /&gt;Corah e o irmão vagaram pelo apartamento vazio e repleto de conforto. Seus pais haviam morrido há muitos anos. Em cinco minutos eles mudaram suas vidas para sempre.Mesmo assim, o tempo passou e eles continuaram a viver naquele lugar extraordinário, como duas crianças que eram e que enganavam o tempo.&lt;br /&gt;“A relatividade especial é uma lei natural, que nos alenta o sonho de viajar para as estrelas...”, gritou Corah, diante da sala de aula lotada de adultos. Era um outro tempo e a menina de apenas 12 anos costurava o espaço e o tempo fazendo um enorme lençol bordado com estrelas, sonhos e possibilidades. O que aquelas crianças não sabiam é que as implacáveis forças da natureza eram indiferentes para sonhos e anseios de criaturas como elas.&lt;br /&gt;E nas pedaladas dos irmãos Corah e Samuel, o futuro chegou em novos 5 minutos, invadindo os campos de ruas e estradas, cercas, edifícios e gente. Foi um horror, porque com o futuro chegou a destruição e o previsto fim. Passaram-se alguns milhões de anos.O Sol estava inchando, morrendo, já havia engolido Mercúrio, Vênus e cobria o céu da Terra – uma estrela nos últimos estertores, uma gigante vermelha.&lt;br /&gt;Naquela manhã modorrenta, quando eles chegaram, o céu se abriu deixando a atmosfera escapar para o espaço, os oceanos que cobriam a Terra se evaporaram e o planeta foi vorazmente engolido por sua estrela, que outrora havia lhe dado todas as vidas. E, como aqueles porcos diante do medo, eles gritaram, todos gritaram e seus gritos esvaíram-se para o vazio. Porém, não havia mais ninguém para ouvi-los.A luz voltou a sua rotina e velocidade. Um monstro, um buraco negro de proporções gigantescas transformou tudo em energia. No lugar onde viveu o Sol e seus filhos sobraram uma mortalha de gases e restos de mundos que vagariam pela escuridão. Átomos de carbono que também chegarão à estrela, um dia, num outro lugar do Universo. Uma supernova fênix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-4752582959586603305?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/4752582959586603305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/matanca-de-porcos-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4752582959586603305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4752582959586603305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/matanca-de-porcos-conto.html' title='Matança de porcos   - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrqfpEhDuHI/AAAAAAAAARY/UPU1Q2Lz0V4/s72-c/MATAN%C3%87A+DE+PORCOS.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6677573860950323489</id><published>2009-09-21T15:59:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T15:59:48.695-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>contos curtos para twitter - wallpaper</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrgEy-NjykI/AAAAAAAAARQ/UA_m-QHUQD8/s1600-h/shot-story+for+twitter+-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" iq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrgEy-NjykI/AAAAAAAAARQ/UA_m-QHUQD8/s400/shot-story+for+twitter+-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6677573860950323489?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6677573860950323489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/contos-curtos-para-twitter-wallpaper.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6677573860950323489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6677573860950323489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/contos-curtos-para-twitter-wallpaper.html' title='contos curtos para twitter - wallpaper'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrgEy-NjykI/AAAAAAAAARQ/UA_m-QHUQD8/s72-c/shot-story+for+twitter+-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-3382776735550888739</id><published>2009-09-20T15:42:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T16:06:16.555-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Os corvos crocitam na noite  -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrarIW2T0II/AAAAAAAAARI/vebAnU4iQzE/s1600-h/Os+corvos+crocitam+na+noite-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" iq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrarIW2T0II/AAAAAAAAARI/vebAnU4iQzE/s400/Os+corvos+crocitam+na+noite-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;m meio ao brilho do cetim, da seda e dos vapores de arroz surge um rosto, exuberante, cuja cor carmim e lápis preto acentuam a simetria da face e os olhos, já rasgados de si, como dois peixinhos que se estendem até a fronte. Com gestos, olhares e movimentos sinuosos ela cambaleia e canta - o último ato da ópera chinesa. Os tambores fazem dueto com seu coração, que cede à ponta de uma flecha... O vermelho quase bordô do sangue tinge o cetim cor de pérola. As notas dos violinos e do Huquin soam como um lamento, como folhas mortas que caem ou vidas que se findam. O tempo suspende seu vôo, a cortina desce e o público se levanta enquanto aplaude por alguns segundos. Na platéia, com olhar e coração em êxtase, ele aplaudia pela décima vez aquele espetáculo de extravagância, paixão e dor. Ninguém compreenderia a alegria que transbordava daqueles olhos - talvez ela tivesse cantado somente para ele naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Há um céu e uma outra terra na mente de cada homem, como também na mente de Cortazar havia um céu onde corriam nuvens baixas de chumbo e uma terra que deixara na infância.Ele saiu do teatro com a mesma serenidade nos olhos, apaixonado pela atriz da ópera chinesa e, vestido com um terno preto de linho, prostrou-se em frente a uma pastelaria numa esquina da Avenida da Liberdade. Por horas a fio esperou aquela moça de olhos amendoados, pele clara como porcelana, gestos sutis de infinita beleza - ela tinha estatura de boneca e coração em desatino. Peônia tinha nascido na China, província de Henan. Seu nome de batismo era Bian Wu, homenagem ao pai, que também tinha esse nome. O senhor Wu se estabeleceu com um pequeno comércio de pastel na Rua Barão de Itapetininga e, por razões desconhecidas, deixara de falar com sua filha Peônia.O vento encanado da noite na avenida trouxe um perfume de peônias, atemporal, que fez o coração de Cortazar bater mais forte - eis um instante de simetria neste fotograma cósmico.A menina sem a máscara e vestes do espetáculo chegou com uma rosa na mão. Naquele encontro, um espinho feriu o dedo de Peônia. Seu sangue correu na rosa branca, que se tornou vermelha. Havia barulhos de alguns carros e do coração de Cortazar, que tentava saltar do peito como um galope enlouquecido. Os seus olhares se tocaram profundamente, então, não se ouvia mais nem um ruído - o sangue parou, havia nuvens calmas sobre São Paulo na madrugada. Peônia tropeçou com as palavras, mas cantou com a alma e sua doce voz era levada por entre os edifícios que dormiam. Cortazar respondeu com versos, que se perdiam nas avenidas. E, assim, eles dançaram “tangos de los exilados”, que estava na cabeça de Cortazar até o limite do amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Passaram-se quatro outonos e o amor entre Cortazar e Peônia tinha chegado ao céu, e podia ser colado num paredão de estrelas pela eternidade. Eles eram felizes como deviam ser. Cortazar nunca se abalou pelo fato de Peônia ser Bian Wu, um homem de rara beleza, alma feminina e seu único amor neste mundo.Cortazar era um grande cozinheiro, um chef com raras qualidades, que colocava especiarias em todos os sentidos. Sua amada deixou os palcos e criou um palco em seu quarto, onde fazia trechos de óperas da sua terra natal para o amado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Da janela do apartamento no segundo andar, onde viviam, na Rua Barão de Limeira, podia-se avistar pessegueiros e isso recordava o coração de Peônia, que lembrava a infância que teve em Henan, na China. No velho edifício em frente havia uma família de corvos que, de tempos em tempos, aportava sobre os pessegueiros. Cortazar cozinhava para Peônia e ambos se amavam pelo centro velho da cidade, pelas praças ouviam histórias da boca-do-lixo, pelas calçadas da Rua Barão de Itapetininga, da Sete de Abril e das galerias eles se fundiam em momentos sublimes de um amor contagioso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Passaram-se muitos e muitos outros outonos. Não havia mais nada neste mundo que pudesse ao menos abalar as vidas de Cortazar e Peônia, exceto a morte. As ruas estavam agitadas, calçadas repletas, a cidade se expandia, o céu sempre carregado e até a antiga garoa havia desaparecido. Somente aquela família de corvos mantinha-se sobre os pessegueiros – agora, alguns galhos secos no quintal de um depósito abandonado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Nuvens de poluição vagavam sobre os edifícios da cidade. Os corvos voltaram aos seus ninhos e crocitavam sobre os prédios vagos. Por de trás da cortina de cetim azulada, uma mulher se pintava ante um espelho, seu rosto era a máscara de uma antiga ópera da região em que nascera. Subitamente, deixou o lápis percorrer a face: profundamente melancólica, pensou em Cortazar, que ainda não havia chegado. E, sozinha no quarto, deixou cair uma chuva de lágrimas. Peônia levantou-se, colocou o quimono vermelho com flores de cerejas, os pés descalços alvos e pequenos desceram as escadas, seguindo rumo ao centro da cidade. Caminhou pela Avenida Barão de Limeira até a Praça da República, Teatro Municipal e Praça das Bandeiras, onde foi vista pela última vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Nossa vida neste mundo é apenas um sonho, pensava, em voz alta, Cortazar. Ele caminhou sem rumo pela casa vazia e seu coração em turbulência estava angustiado, como os corvos que crocitavam sobre os galhos retorcidos dos pessegueiros. Por alguns instantes ele relembrou, colocou a música daquela noite em que amou Peônia para sempre. Foi até a janela dos pessegueiros, gritou com os corvos e enxergou a lua que caminhava no chão, refletida pelas asas das baratas que andavam pelo quintal na madrugada. Num ato de extremo desespero, loucura e fúria, ele rompeu com a própria vida, tal qual Van Gogh diante daqueles corvos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Passaram-se&amp;nbsp;mil&amp;nbsp;outonos, o musgo cresceu pelas paredes do lugar onde moravam. No terreiro dos antigos pessegueiros havia um edifício moderno e os corvos também desapareceram. Moradores mais velhos da rua contam que sempre aparece uma velha chinesa descalça, com uma cabeleira trágica e vestida com um quimono vermelho com flores de cerejas. Ela caminha pela Rua Barão de Limeira até a Praça dos Emigrantes – onde os portugueses costumavam se encontrar. Depois, retorna pela mesma avenida até o antigo prédio do jornal Folha de S. Paulo, onde passa o resto do dia. À noite, ela se esconde no velho edifício onde moravam Cortazar e Peônia, lá no fim da rua...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-3382776735550888739?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/3382776735550888739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/os-corvos-crocitam-na-noite-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3382776735550888739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3382776735550888739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/os-corvos-crocitam-na-noite-conto.html' title='Os corvos crocitam na noite  -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrarIW2T0II/AAAAAAAAARI/vebAnU4iQzE/s72-c/Os+corvos+crocitam+na+noite-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-9008144263916465343</id><published>2009-09-17T05:20:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T05:20:11.616-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Teorema da incompletude de Deus   - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrIkIn9SqUI/AAAAAAAAARA/AFtj28tgyXI/s1600-h/TEOREMA+DA+INCOMPLETUDE+DE+DEUS-BLOG.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrIkIn9SqUI/AAAAAAAAARA/AFtj28tgyXI/s400/TEOREMA+DA+INCOMPLETUDE+DE+DEUS-BLOG.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;R&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;etrato de um gorila macho ele era. Sendo um gênio da música, desde a vila onde nasceu até o mundo, Deusdemiro ficou conhecido por Deus. Usava roupas largas, que davam a impressão de serem muito maior ainda. O virtuosismo com o violino lhe deu a oportunidade de conhecer o mundo. Concertos, sinfonias, solos, luzes, mulheres - e a glória. Depois disso, Deus ganhara a chance de ser um homem comum e viver o resto de sua vida da maneira que desejasse, inclusive longe da música, que tanto lhe fez bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;De orelhas pequenas, olhos escondidos em supercílios grossos, o rosto era um mapa de alegria e até uma certa beleza bruta. Sorriso estampado no corpo e nas vestes, que passaram dos elegantes trajes eruditos para o popular. Camisa florida de linho, bermuda, chinelo de couro e um chapéu de palha. Quase todas as tardes, ele bebia vinho na varanda da confortável casa que construiu perto do lago, enquanto ouvia Sergel Rachmaninov. Foi convidado a fazer parte dos arrebóis, desde a cidade até o alto da colina onde ficava o convento. Tardes e vinhos ao som do concerto número três, opus 44, ele podia alcançar o cheiro das árvores enquanto saltava feito um grilo pesado pela vasta varanda da casa. E assim foi por algum tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Allegro ma non tanto, Deus passou a cultivar o hábito de ficar em casa. Deixou de ver os amigos e nunca mais ouviu Rachmaninov, só ouvia rock em inglês e ficou viciado em cigarros feitos com formigas, que viviam nos troncos das árvores de figueira-do-inferno. A planta produzia uma química cujo poder alucinógeno era consumido pelas formigas pretas, que comiam as flores, e produziam feromônios fortíssimos.Introspectivo, agora ele ouvia a música muito alta, fumava formigas e bebia vinho enquanto caminhava pela varanda da casa. E, chapado com os acordes da guitarra de JJCale, esqueceu que era Deusdemiro, o gênio da música e o virtuose do violino. Comia enlatados e ficava seminu pela casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Nuage, Sallete e outras seis irmãs viviam no alto da colina. Eram freiras da ordem francesa das filhas da caridade de São Vicente de Paula. Elas vieram de Porto Príncipe, particularmente de uma favela violenta e miserável chamada Cité Soleil. Neste lugar aprenderam a lidar com as degradações humanas. Agora, como redenção, as duas francesas cuidavam de órfãos e faziam geléias de pêras e figos, que vendiam pela cidade. Sallete cuidava das embalagens e das vendas, e Nuage fazia as entregas de casa em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Os pais de Nuage eram franceses, mas ela nasceu na Ilha da Martinica, em Fort-de-France. Seguiu o caminho da religião por vontade do pai, mas queria ser atriz ou cantora de óperas. Tomou gosto por fazer caridade e, aos vinte e nove anos, era um símbolo de bondade e perseverança por todos os lugares que passava. O hábito escondia sua exualidade, deixando apenas os olhos, azuis, em realce e um rosto como uma porcelana protegida da luz. Tinha estatura pequena e era apenas isso que todos naquele lugar sabiam.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;No silêncio desfolhado do arvoredo, incha o barulho dos pneus da bicicleta que vem chegando. Nuage faz entregas todas as semanas para Deus, agora confinado na grande casa perto do lago. Num misto de perversão e inocência, aqueles olhos azuis faziam os fluidos de Deus se alterarem. E, sempre sorrindo, ele comprava geléias enquanto caminhavam e conversavam ao redor da casa pela varanda. Repetidas tardes eles se encontravam. Ele agia com honestidade, eficiência e estilo, era o caçador e a presa. A fascinação exercida pelo sagrado fez com que Deus se apaixonasse profundamente pela freira. Logo, imagens codificadas surgiram ante sua visão. Seria um sonho ou um gigante sonho coletivo do qual fossemos apenas hologramas, pensava Deus, enquanto caminhava com Nuage até o portão da casa. Num gesto amigável, suas bocas se tocaram num instante de uma fotografia, quando Nuage desequilibrou-se na bicicleta por acidente. Havia um vento, uma brisa que levantou suas vestes deixando expostas por alguns segundos as coxas brancas. Os pássaros subiram meio tom em seus cantos e Deus perdeu a fala. Alguns homens perdem a memória, mas Deus perdeu o esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;A freira se retraiu, com medo do amor de um homem. Sallete fazia as entregas e Nuage passava as tardes cortando frutas sobre um fogão. Fazer geléias era um tipo de reconforto melancólico, que fazia a moça tirar contemplação das menores coisas – ela tentava compreender a doença do tempo e o amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Numa dimensão do tempo, onde poderíamos decifrar histórias indecifráveis, Deus, agora com o coração partido, volta a encontrar Nuage pela região – amava a fragilidade de instantes como aquele. A moça delicada foi amordaçada, amarrada e levada à força por ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;“Aqui guardo imagens, invento paisagens e disponho minhas criaturas preferidas, a quem dou o nome das músicas de Sergel Rachmaninov”. Foi a primeira coisa que Nuage viu ao acordar. Estava escrito numa das paredes do quarto sem janelas. Depois, ela viu uma cama de casal, um criado-mudo com um livro de seu poeta preferido, Tristan Corbière, além de quadros com fotografias de Deus quando era a estrela da música. O quarto-cativeiro parecia um hai-kai decorado com alucinações, um simulacro. Para a freira, o horror e prazer tinham um rosto e um nome. E ela precisava se aliar a ambos. O convívio com o silêncio e a luxúria lhe fizeram enfeitar a dor e cravejá-la de desejos - passou suas últimas horas lendo “Amores amarelos”. Agora, o luxo para ele eram mil garrafas vazias espalhadas pelo quintal e a triste sorte da heroína, vítima de seu anseio animal. A parede que separa a vida da morte é tão espessa quanto aquele corpo enorme sem roupas, que vagava por entre o ventre e as coxas de Nuage que, nua, expunha seu sexo pela primeira vez aos olhos de um homem. Um pequeno monte coberto por um mato avermelhado, igual aos cabelos nos quais Deus encostava o rosto e o nariz, tragando odores inebriantes - assim ele ficava por horas a fio. A moça, inerte, olhava para o teto e respirava fundo, deixando seu algoz entre a melancolia e o deslumbramento. Ela permaneceu amarrada junto à cama por um longo tempo. Não comia e não tomava banho, apenas bebia água.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;A noite do último dia chegou mais cedo, e com chuva. Trovões ao longe e, dentro da casa, a volta da música de Rachmaninov. Nuage estava no preâmbulo de um sono viciado, pernas abertas e o sexo exposto. Deus caminhava pela casa, bebia vinho e fumava cigarros de formigas pretas. Era resquício de um homem tentando compreender uma fera.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Deusdemiro caminhava nu por uma estrada, também tinha o olho esquerdo furado e não dizia nada quando foi preso e acusado pela morte da freira. Nuage foi encontrada por Sallete. Estava desfalecida sobre a cama do quarto, na casa onde Deusdemiro morava. Os olhos azuis estavam abertos, repletos de lágrimas, como um lago raso. Tinha o corpo nu e o sexo suturado pelos grandes lábios - ainda se ouvia o concerto for pino número 3, opus 30, finale-alla-breve de Sergel Rachmaninov.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Teorema da incompletude de Godel&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Em 1931, o matemático Kurt Godel provou seu famoso teorema da incompletude sobre a natureza da matemática. O teorema afirma que, dentro de qualquer eixo formal de axiomas, como a matemática atual, sempre persistem questões que não podem ser provadas e nem refutadas...A partir daí, segue a minha história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-9008144263916465343?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/9008144263916465343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/teorema-da-incompletude-de-deus-conto.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9008144263916465343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9008144263916465343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/teorema-da-incompletude-de-deus-conto.html' title='Teorema da incompletude de Deus   - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrIkIn9SqUI/AAAAAAAAARA/AFtj28tgyXI/s72-c/TEOREMA+DA+INCOMPLETUDE+DE+DEUS-BLOG.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8504138638397866913</id><published>2009-09-16T05:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-16T06:15:24.220-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O homem que queria ser um limão - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrDejOA5qRI/AAAAAAAAAQ4/f62_LeoB1b8/s1600-h/O+homem+que+queria+ser+um+lim%C3%A3o+-+blog+-imagem.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrDejOA5qRI/AAAAAAAAAQ4/f62_LeoB1b8/s400/O+homem+que+queria+ser+um+lim%C3%A3o+-+blog+-imagem.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;spremido de gente e angústia, eu chegava em casa sempre depois das oito. Aquele quarto cinéreo, antigo e com janelas enormes me ampliou a solidão. Ouvia-se tudo dali: o barulho dos ônibus e o ressoar das gargalhadas dos bordéis e dos bares da região do bairro do Limão. Nas noites de quinta-feira eu ia ao cinema, e todos os meses eu recebia uma carta. No descomeço da carta, como dizia Armando, um índio kinikinawa, ele colocava sempre o desenho da sua voz. As cartas que eu recebia do índio eram uma espécie de relatório dos fatos e coisas que deixei no Pantanal, antes da última cheia. Na época, éramos vizinhos e o lugar tinha cheiro e fósseis de conchas e de mar. Armando era um poeta, pagão e primitivo, cuja natureza estava enraizada até os dentes, mas sua inteligência técnica impunha ordem e simetria no seu trabalho, que era de esculpir e manufaturar canoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Numa das primeiras cartas, Armando contou que o mato estava tomando conta da sua boca e da sua alma. Deixara de ser um canoeiro porque foi obrigado a viver numa outra reserva, longe do rio. A negligência é um golpe na extinção, escreveu Armando; e num canto de uma aldeia Kadiwéu, confinado, ele passou a fazer trabalho pesado para a nação dominante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Aos domingos, eu passeava altivo por entre o arvoredo das alamedas e do Parque Ibirapuera - era pra afinar o coração, que perdia a sintonia. E foi num domingo, quando me ocupava de esconder de nuvens mágicas e pesadas, que encontrei o meu primeiro amor. Embora haja muito o que viver e aprender, tenho desejo de virar uma árvore, um limoeiro – escreveu Armando numa das cartas. Também havia se casado com uma índia Kadiwéu - eles plantavam milho e tinham dois filhos. Passaram a viver na aldeia do Limão-Verde, cidade de Aquidauana que margeia o Pantanal sul. Contava também que todas as mudanças eram ocasionadas pelos homens, que ditavam regras em suas vidas. E que o Pantanal, agora, era um fóssil, uma jóia presa num âmbar e em nossas memórias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Amanhã é 1º de abril e faz um ano que reparto momentos de paixão em tardes de domingo. Não houve a intenção de roubar aquele amor, que pertencia a outro homem, mas Amanda preenchia minha solidão arcana e magnificava meu coração. Jovens sonhadores e solitários, dividíamos camas em quartos de hotéis baratos da Rua Augusta. Eu tinha profundo desejo de voltar para casa - eu estava sempre voltando. Angustiante carta recebi de Armando, proclamando-se um ovo, em cuja gema nasceria um pé de limão-de-bugre. Para viver nesta apagada existência prefiro levar minha família para longe daqui, há um canto de sereia naqueles limoeiros, ele me chama. E assim passou a morar nos arredores da cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul. Anonimado pela beleza daqueles rios, que pareciam esmeraldas líquidas saindo das montanhas, Armando e sua família faziam artesanato e plantavam coisas para seu sustento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Antes de ver Amanda se perder na multidão pela última vez, sentei-me num daqueles esquálidos bancos da Praça da Sé. Com o olhar duro e velado de tristeza, fiquei a observar os pombos, que voavam no preâmbulo da noite sobre a cidade. Imóveis, as imagens anoitecem. Mais uma vez eu estava partindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sou uma sombra de aldeias distantes - começava assim a derradeira . Não era uma carta como outra qualquer, era uma conclusão, um lamento. Armando escreveu que era sobrehumano deter uma correnteza de lanças e a inabalável direção da civilização. Contou o índio que foi humilhado, algemado e preso diante de sua família. Repousava no fundo de seu quintal uma planta que tombou em floração, era uma flor amarela de folhas espalmadas, que a polícia florestal disse chamar &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cannabis"&gt;“cannabis”.&lt;/a&gt; Para o Kinikinawa, era apenas uma planta que lhe causara imensa melancolia. Foi noticiado em todo Estado e até no Paraguai. “Índio preso por cultivar maconha”. Envergonhado, passou seus últimos dias em profunda tristeza e dela também morreu – contou a família de Armando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Descendo o Rio Formoso, em Bonito, Mato Grosso do Sul, lado esquerdo, há uma mata terciária formada por aroeiras e limoeiros onde moram cobras, borboletas noturnas, aranhas e morcegos - um jardim insólito, onde a sombra errante de um limão-de-bugre vagueia na tarde rubra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Fim.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8504138638397866913?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8504138638397866913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/o-homem-que-queria-ser-um-limao-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8504138638397866913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8504138638397866913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/o-homem-que-queria-ser-um-limao-conto.html' title='O homem que queria ser um limão - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrDejOA5qRI/AAAAAAAAAQ4/f62_LeoB1b8/s72-c/O+homem+que+queria+ser+um+lim%C3%A3o+-+blog+-imagem.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8624427106467618617</id><published>2009-09-15T15:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T16:16:12.739-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minhas fotos'/><title type='text'>Pudim de bocaiúva  - receita</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAckTizmjI/AAAAAAAAAQo/a7DFfczK9Lc/s1600-h/coquinho-blog+4.bmp" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAckTizmjI/AAAAAAAAAQo/a7DFfczK9Lc/s200/coquinho-blog+4.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAb0tfY8TI/AAAAAAAAAQg/J0KNMB_2uzk/s1600-h/coquinho-blog+02.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAb0tfY8TI/AAAAAAAAAQg/J0KNMB_2uzk/s200/coquinho-blog+02.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAdVzwLiRI/AAAAAAAAAQw/X74_SbjxjH8/s1600-h/coquinho-blog+3.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAdVzwLiRI/AAAAAAAAAQw/X74_SbjxjH8/s400/coquinho-blog+3.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ábado lacônico. Passei no jardim da casa de&amp;nbsp;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Esp%C3%ADndola"&gt;Geraldo Espíndola&lt;/a&gt; - &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/geraldo-espindola-o-menestrel-pantaneiro"&gt;nosso cancioneiro&lt;/a&gt; -, recolhi estas &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bocaiuva"&gt;bocaiúvas&lt;/a&gt; e as transformei neste pudim.&lt;/div&gt;20 bocaiúvas&lt;br /&gt;01 lata de leite condensado&lt;br /&gt;03 ovos&lt;br /&gt;01 copo de leite (300 ml).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fazendo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tire as cascas das bocaiúvas, coloque numa panela junto com o leite&amp;nbsp;e deixe ferver até engrossar.&lt;br /&gt;O resultado é um creme exótico e aromático ( tão bom quanto a baunilha mexicana).&lt;br /&gt;Misture uma lata de leite condensado ao creme e os ovos. Bata no liquidificador...&lt;br /&gt;De resto é tudo igual ao mais comum dos pudins.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8624427106467618617?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8624427106467618617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/pudim-de-bocaiuva-receita.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8624427106467618617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8624427106467618617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/pudim-de-bocaiuva-receita.html' title='Pudim de bocaiúva  - receita'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SrAckTizmjI/AAAAAAAAAQo/a7DFfczK9Lc/s72-c/coquinho-blog+4.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7452730836070739782</id><published>2009-09-12T09:26:00.000-07:00</published><updated>2009-09-12T09:58:41.508-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>O grito   -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqvH-FbUg9I/AAAAAAAAAQA/oZxMQOBcxf8/s1600-h/O+grito-blog-conto.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqvH-FbUg9I/AAAAAAAAAQA/oZxMQOBcxf8/s400/O+grito-blog-conto.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;le estava adequado à solidão e, com o tempo, também ficou nu e sem Deus - tinha sua própria religião. Usava uns trapos de cânhamo sobre o corpo. Nada que fosse fabricado pelo homem ele tinha na casa, só natureza e pau-a-pique, construída por ele mesmo e o nome. Morava no meio de uma gravanha, aonde nem cavalo queria entrar. Era formada por árvores de grande porte, que serviam como edifícios para os tucanos e bugios. Outubro vivia isolado do mundo desde muito moço; aprendeu a ler e se apaixonou por literatura. Porém, só lia dicionários, escrevia os seus próprios livros. Tinha uma coleção de poemas desenhados com carvão, em folhas que ele mesmo curtia. As obras serviam de recheio para o travesseiro – como o travesseiro de um antigo poeta russo. Jamais seriam publicadas. Em volta da sua casa tinha uma centena de cabaças penduradas, lado a lado. Dizia Outubro que, dentro daquelas cabaças havia o conhecimento sobre as coisas deste mundo e de outros. De uma das cabaças ele tirou um monte de anotações, foi num sábado à noite. Fui visitá-lo, menino curioso, na esperança de ver o céu bordado de luzes e explicações científicas e filosóficas. &amp;nbsp;Caminhamos pelo terreiro da casa e havia muitos motivos no céu. Outubro aponta o dedo para uma constelação e fala como um sábio: &lt;br /&gt;- Se olharmos com atenção, veremos figuras que foram colocadas pelos homens em épocas distintas. As mais comuns, quando éramos caçadores, por isso pusemos cães, leões, mulheres, caçadores e todas as coisas que nos interessavam. Se as constelações fossem batizadas no século 20, imagino que seriam geladeiras, bicicletas, cantores de rock e talvez até uma nuvem em forma de cogumelos. O céu é um espelho, um conjunto de esperanças, crenças e medos colocados pelo homem entre as estrelas, não se iluda garoto, o céu é tão absurdo... O que enxergamos pode ser uma ilusão, mas sempre um fotograma de um filme cósmico... &lt;br /&gt;Outubro era um homem prático e matemático, que sabia muita coisa, inclusive sobre seu próprio isolamento e insólita solidão. Também era retrato do vazio, do nada, como todas as coisas deste vasto rincão cheio de estrelas e grandes vazios - como um fractal de nadas absoluto. Gostava de alecrim, tomilho, carne de peixe e, naquela cozinha cujo fogão era apenas um buraco no chão, ele fazia tudo à moda caçador – assados envoltos no barro. Comemos milho verde até umas horas. &lt;br /&gt;Muitos anos se passaram e a natureza forjou Outubro para o primitivo. Tinha barba longa por todo o corpo, olhos negros brilhantes como de uma fera. A voz mudou, ele desenvolveu um grito primal e esqueceu o gosto da civilização. Trouxe à tona fósseis que haviam desaparecido do homem, ele já era quase bicho.&lt;br /&gt;A região onde morava Outubro foi devastada como a floresta de Tunguska, na Sibéria. Não ficou uma única árvore viva no raio de um quilômetro. O chão virou uma massa escura, flores derreteram, bugios e tucanos morreram todos. Ele desapareceu depois do grito terrível que ecoou por toda a região na madrugada. Foi um berro de proporções cósmicas, como nunca se ouviu. Feriu nossos tímpanos e todos que moravam próximos à casa do velho Outubro, sangraram pelos ouvidos até o dia amanhecer. Procurei por entre os vestígios da destruição algo que pudesse lembrar o velho e só achei um dos seus poemas que era assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Este meu arsenal de emoções ronda pelos três milhões de anos. Antes disso, já comia antepassados de pia-vovó pelas estepes africanas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Na orvalhada da consciência admirava perpétua-roxa em cavernas petrificadas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Sou cinza da alquimia do Cosmos e matéria estelar que colhe a luz do Sol. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Em duras sendas vi os átomos que formam toda a matéria e as forças que moldam este mundo e outros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Enquanto ouço pulsares preparo geléias de mel, mas quando tiver asas no cérebro saberei discursar sobre a inacreditável força que prende o átomo ao núcleo da matéria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Até lá, vírus e bactérias chegarão ao ponto Omega e não mais ousarão outros seres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7452730836070739782?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7452730836070739782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/o-grito-conto.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7452730836070739782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7452730836070739782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/o-grito-conto.html' title='O grito   -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqvH-FbUg9I/AAAAAAAAAQA/oZxMQOBcxf8/s72-c/O+grito-blog-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1230744361462901039</id><published>2009-09-11T15:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T15:48:42.297-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>WildMirror   - Chocolate</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqrTEfEcMlI/AAAAAAAAAP4/ToVWX9BR_eg/s1600-h/WildMirror-chocolate-blog.bmp" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqrTEfEcMlI/AAAAAAAAAP4/ToVWX9BR_eg/s320/WildMirror-chocolate-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqrSaWnWoUI/AAAAAAAAAPw/hYlDQNwwJpQ/s1600-h/wildmirror-blog.bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqrSaWnWoUI/AAAAAAAAAPw/hYlDQNwwJpQ/s200/wildmirror-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1230744361462901039?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1230744361462901039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/wildmirror-chocolate.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1230744361462901039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1230744361462901039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/wildmirror-chocolate.html' title='WildMirror   - Chocolate'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqrTEfEcMlI/AAAAAAAAAP4/ToVWX9BR_eg/s72-c/WildMirror-chocolate-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6694160342930620990</id><published>2009-09-10T07:22:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T07:42:18.103-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper -grande'/><title type='text'>A casa amarela da rua rubra -     conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqkHmAIUciI/AAAAAAAAAPo/eYVBqVwJpUs/s1600-h/A+casa+amarela+da+rua+Rubra-blog.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqkHmAIUciI/AAAAAAAAAPo/eYVBqVwJpUs/s400/A+casa+amarela+da+rua+Rubra-blog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;s casas eram mudas, assombradas e todas brancas, exceto a do fim da rua, de cor amarela, com jardim de flores purpúreas, que matizavam as manhãs. As calçadas eram feitas com tijolos avermelhados como ferrugem. Seguia enfileirada, do outro lado da rua, uma centena de árvores de acácias vermelhas, que deixava tudo rubro de nuances incertas, que variavam conforme o sol mexia e a terra andava. As cores nasciam com o dia e, à noite, os gatos perambulavam pelos telhados de cor néon à procura da Lua. Os cachorros, que eram só três - Caronte, Fobos e Deimos - trocavam confidências e uivos para a mesma lua refletida nas poças d’água. Havia um poste cuja luz clareava o jardim e a janela frontal da casa amarela, onde ficava o quarto de Mimas, a mais nova das três mulheres que ali moravam; era uma menina de nove anos, cabelos avermelhados, sardas por todo corpo e olhos acinzentados. Tinha um grande amigo que sofria de depressão, um peixinho corcoroca que vivia no aquário em seu quarto. Ela caminhava pela vizinhança da rua rubra em saltos e passos de balé – se imaginava dançando o Lago dos Cisnes pelas calçadas. Ajudava as pessoas e sonhava em desinfantilizar a lógica da sua avó, da mãe e de todos os moradores da rua rubra.Carme, a mãe de Mimas, fazia doces ajudada por Europa, à avó. As duas mulheres misturavam açúcares, essências, clara em neve ao ponto, especiarias e teciam o dia como um vidro mole; depois, deixavam os docinhos sobre um girau de madeira e ficavam a olhar a noite passar pela janela dos quartos. Nas madrugadas, Carme dizia ter encontros com a alma de Oberon, seu marido e pai de Mimas. Europa tinha mais de 60 anos. Ávida, possuía uma cabeleira de cometa, tocava harpa de som doce e polcas que deixavam as tardes como que suspensas na vermelhidão carmesim da poeira. E como todos os moradores da rua rubra, Europa também via fantasmas e assombrações. As três mulheres que viviam na casa amarela, iluminada e com um jardim purpúreo, eram diferentes dos outros moradores da rua rubra; principalmente Mimas, que tinha uma visão perpendicular às coisas do mundo. Ela compreendia porque aquela rua era assombrada, não só pelas longas sombras das acácias vermelhas, mas por um pavor motivado por encontros ou aparições imaginárias de coisas sobrenaturais que habitavam na mente de seus vizinhos.Às vezes, Mimas se perguntava: aquela gente da rua rubra teria mesmo existido? Embora fosse muito jovem, Mimas entendia o tratado da natureza e convenceu Carme de que a causa inexplicável das aparições de seu pai, por exemplo, era apenas uma peça pregada pela mente, influenciada por emoções guardadas. Oberon sempre aparecia de terno branco e chapéu de feltro cinza, fato que contrariava a lógica, uma vez que roupas e acessórios não poderiam virar fantasmas. Se fosse possível um evento dessa natureza, talvez, muito talvez, fosse uma centelha de energia sem forma, mas somente de coisas vivas. A menina da casa amarela ficou conhecida e festejada por todos os moradores da rua rubra. Dançava balé pelas calçadas, vendia os doces feitos pela mãe e avó, também curava ignorância e espantava assombrações.Numa noite ela chorou ao voltar para casa. No aquário, um vulto rígido de animal cinza flutuava sem vida. O peixe corcoroca morreu afogado. Mimas se emocionou pela falta que o pequeno corcoroca faria em sua vida, ela o enterrou no jardim purpúreo e iluminado da casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Miranda era a vizinha mais próxima, tinha oito gatos: Erriapo, o patriarca que vagava sobre os telhados em companhia de Pallene, e seus filhos Rhea, Dione, Io, Tarvos, Janus e Belinda. A velha senhora era uma pintora que não pintava nada. Vinha de uma família de artistas e, quando jovem, fazia dupla e cantorias com a irmã Europa. Conseqüentemente, Miranda era tia de Carme e tia-avó de Mimas. A casa onde Miranda morava com seus gatos era terrivelmente assombrada, e foi à procura de algo simples que Mimas revirou o segredo que mudaria a vida de todos os moradores da rua rubra.Revirando a terra para descobrir o mistério das luzes de néon dos telhados, ela encontrou uma argila, cujo composto dava o lume nas telhas. E, ao lado um deserto de silício, areia cinza em abundância, que era usada nas construções de casas e também na fabricação de memórias artificiais.Mimas caminhou pela sala da tia avó Miranda. Todos os moradores da rua rubra estavam presentes. Passou as mãos sobre as paredes, suavemente, sorriu e disse: “Descobri o motivo das aparições fantasmagóricas que habitam a rua rubra”. Inicialmente, ninguém quis acreditar, mas ela provou que a areia, o silício tinha um grande poder de armazenamento, assim como a memória de um computador. Sendo as paredes de todas as casas revestidas ou rebocadas com este material, havia um passado gravado em todas as salas, quartos e cozinhas. Não se tratava de fantasmas e sim de energia, imagens e ruídos. Os espectros que Miranda e todos os moradores viam e ouviam, eram apenas reflexos de combinações guardadas na memória das paredes e mal interpretadas pela mente humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Fim&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Silício&lt;/strong&gt; – elemento não metálico muito abundante na crosta terrestre. Usado na fabricação de ligas.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Silicaluminoso&lt;/strong&gt; – composto de silício e alume.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Peixe Corcoroca&lt;/strong&gt; - Haemulon Album&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Corpo alongado, moderadamente alto e um pouco achatado. Coloração cinza-bronzeada clara uniforme em todo o corpo. Medem normalmente de 15 a 20 cm de comprimento, podendo chegar a 50 cm e pesar mais de 1 Kg.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6694160342930620990?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6694160342930620990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/casa-amarela-da-rua-rubra-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6694160342930620990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6694160342930620990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/casa-amarela-da-rua-rubra-conto.html' title='A casa amarela da rua rubra -     conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqkHmAIUciI/AAAAAAAAAPo/eYVBqVwJpUs/s72-c/A+casa+amarela+da+rua+Rubra-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8506286135855500011</id><published>2009-09-08T11:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T11:00:41.839-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Sexta-feira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sqabl2udbjI/AAAAAAAAAPg/wDcS52YUEgE/s1600-h/sexta-feira-blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" mq="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sqabl2udbjI/AAAAAAAAAPg/wDcS52YUEgE/s400/sexta-feira-blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8506286135855500011?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8506286135855500011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/sexta-feira.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8506286135855500011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8506286135855500011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/sexta-feira.html' title='Sexta-feira'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sqabl2udbjI/AAAAAAAAAPg/wDcS52YUEgE/s72-c/sexta-feira-blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6919960076122210094</id><published>2009-09-07T09:24:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T09:43:40.073-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>A extraordinária vida de Clorofila  - conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqU0qJBe6uI/AAAAAAAAAPY/KHRF3DJVtYc/s1600-h/extraordin%C3%A1ria+vida+de+clorofila+-conto.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqU0qJBe6uI/AAAAAAAAAPY/KHRF3DJVtYc/s400/extraordin%C3%A1ria+vida+de+clorofila+-conto.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;apela, Rigel, Castor, Polux, Acrux, Al Nair, Alcor, Arcturus, Mira Canopus e... Olha, é o Cruzeiro do Sul! Veja aquela parte negra, perto da Cruxis, é uma nebulosa escura chamada “Saco de Carvão”... &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Assim eram todas as noites na vida de &lt;a href="http://coisaegente.blogspot.com/2009/05/o-homem-da-lua-surpreende-pela-criativa.html"&gt;Clorofila&lt;/a&gt;. Contar estrelas deitada sobre a grama e tecer histórias para ela mesma. Também colecionava céu e paixão por sinfonias em adágio. Era uma menina de olhos amendoados, feito olhos de bugre, pernas longas, grossas e trocou os vestidos desgastados por calças curtas de menino. Tinha aparência misteriosa e erudita - apesar da pouca idade - fazia confidências sexuais com árvores e, devido o gosto por música, aprendeu a tocar tuba.O lugar onde Clorofila morava com os avós era repleto de seres anônimos, exceto o rio, que ficava no fundo da lavoura de melões, onde ela se banhava nua. Seu avô, cujo nome de batismo era Butrus, quis ser chamado Pedro depois que chegou da Arábia. Era um homem altruísta, que adotou a paisagem do lugar e sempre dizia: “O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Por isso, tenha cuidado com o que planta!”. Usava barrete e um poncho de sarja para se proteger do sol. Seu longo cabelo e a barba esvoaçante tinham uma tonalidade vermelha, intensa e terrível. Eram de uma incrível profusão.Ele voltava da lavoura quando o horizonte amolecia e também tocava tuba. Ancha, avó de Clorofila, tinha as afeições de índio. Nascera do outro lado do rio - numa aldeia de Chiquitanos. Mesmo não sabendo ler nem escrever musica, fazia maravilhas com mandioca, milho e batata doce. Autodidata em flauta de bambu e com muita habilidade no tear da sarja, fazia calcinhas com sacos de açúcar alvejados - assim Clorofila ficou doce na infância. Ancha era uma mulher inexplorada, cujo olhar sabia mais que ela própria. E assim, isolados do abandono, eles faziam da vida tudo em alegro e andante. A cozinha ampla, com utensílios domésticos, muitos quadros de natureza morta e alguns metais de orquestra como trombone e bombardino trazidos da terra natal do avô. Sobre a mesa, queijo e sopa de cebolas. Era verão e Pedro disse para as mulheres que, naquela noite, os três teriam que virar os melões na roça. Clorofila pegou sua tuba e perguntou para o avô o que eles iriam tocar. “Opus 364”, disse o avô. “Vou com o bombardino e Ancha faz a flauta de bambu. Também leve a trompa porque você poderá ensinar algumas notas para o novo espantalho da plantação”. Noite adentro, se ouvia “Donde florecen los limones” com uma trompa desentoada – enquanto viravam melões. Foi também nesta noite, e com esta valsa, que Clorofila descobriu o amor. Era um espantalho sem muitos atrativos, exceto pela cabeça, que poderia ser trocada de acordo com as plantações - ora abóbora, melancias ou melões. Só a menina e os vaga-lumes compreendiam sua fala, mas ele tinha o conhecimento nato das leis naturais. Clorofila e o espantalho se amaram em noites de lua cheia com melancias, noites escuras de melões ou abóboras, mas sempre iluminados pelo luar verde dos vaga-lumes. Assim foi por algum tempo. Ela o ensinou a ler música e, numa noite sem vaga-lumes, a menina tirou a calcinha feita de saco de açúcar para o espantalho. Neste ato nasceu o compromisso de ficarem juntos até o fim.&amp;nbsp; Clorofila compôs uma sinfonia baseada em sua coleção de céu e iniciou uma plantação de lambaris de rabos azuis, que consistia em deixar a natureza fazer tudo. Bastou ela espalhar um boato que, lambaris com qualquer vestígio de azul em seu rabo, que fosse pescado ou capturado, teria que ser devolvido, pois era venenoso.Passaram-se alguns verões e a menina, que nunca havia sentido dor, exceto com o desaparecimento dos avós, perdeu um pedaço do coração ao ver seu único e verdadeiro amor partir numa lufada de vento sem alma. Foi uma tarde imensa, de tormento, trovoadas e águas, que ficou gravada na memória. O mesmo vendaval secou as suas lágrimas - era uma mulher e ensinou tudo que sabia sobre plantações e sinfonias para suas filhas.Berenice, que tocava tuba igual ao bisavô e tinha uma cabeleira imensa, ajudava na plantação de milho. A outra tinha habilidade no tear e fazia delícias com açúcar e cacau - era bela como o amanhecer e, por isso, ganhou o nome de Aurora - tocava flauta e sabia cantar. Al Nair, a menorzinha, era parecida com o pai - introduziu a harpa e foi ela que compôs uma rapsódia sobre os lambaris dos rabos azuis.O tempo ficou enferrujado dentro de um relógio no quarto de Clorofila. Claro que isso é apenas uma licença poética, pois o tempo é implacável e eterno, basta olhar as coisas que ele constrói e destrói, compreenderá que o tempo é um deus. E como tudo, aquelas plantações de sinfonias e frutos também se transformaram em outras e outras. Berenice, Aurora e Al Nair fazem solos sob a regência de Clorofila. Os lambaris de rabos azuis são comuns pelos rios da região. Todo mundo sabe disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/a-extraordinaria-vida-de-clorofila-conto"&gt;fim&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6919960076122210094?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6919960076122210094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/extraordinaria-vida-de-clorofila-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6919960076122210094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6919960076122210094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/extraordinaria-vida-de-clorofila-conto.html' title='A extraordinária vida de Clorofila  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqU0qJBe6uI/AAAAAAAAAPY/KHRF3DJVtYc/s72-c/extraordin%C3%A1ria+vida+de+clorofila+-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8423156082604624950</id><published>2009-09-05T10:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-05T10:34:11.680-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Giovedi</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqKg38AKaFI/AAAAAAAAAPI/G4WHfK_-vD8/s1600-h/Quinta-feira.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqKg38AKaFI/AAAAAAAAAPI/G4WHfK_-vD8/s400/Quinta-feira.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;quinta-feira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8423156082604624950?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8423156082604624950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/giovedi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8423156082604624950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8423156082604624950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/giovedi.html' title='Giovedi'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqKg38AKaFI/AAAAAAAAAPI/G4WHfK_-vD8/s72-c/Quinta-feira.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7506795642615862983</id><published>2009-09-04T10:31:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T10:42:57.306-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem  papel de parede  1280 x 713'/><title type='text'>Prelúdio para um tango    -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqFAUtRcM9I/AAAAAAAAAPA/xt8OlDG7GzU/s1600-h/prelude+for+a+tango+-+blog.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqFAUtRcM9I/AAAAAAAAAPA/xt8OlDG7GzU/s400/prelude+for+a+tango+-+blog.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;oje sepultei minha mulher. Enterrei debaixo da sequóia que ela mesma plantou, há cinqüenta anos. A chuva havia passado e o céu estava estranhamente verde. As nuvens tinham dezenas de tons em verdes e corriam rápidas - era o vento forte daquela tarde. Ante ao corpo que havia enrolado num lençol de linho estava eu, com uma pá na mão, o verde vento que fazia uma prece e Abril, um cachorro de 15 anos de idade, que chorava. Não havia mais ninguém naquele lugar. Lembrei-me daquela noite em que minha mulher acordou assustada e fez este pedido: quero ser enterrada debaixo da sequóia que eu trouxe da África, assim poderei olhar sempre para a janela do nosso quarto. Voltou a dormir e me deixou cismado com os olhos pregados no teto do quarto. &lt;br /&gt;Voltei para casa embriagado pela adrenalina, foi um momento único em minha vida. Não sei se estou triste ou feliz! Talvez ambos. Triste porque enterrei minha amada numa tarde de inverno e dor. Pelo caminho entre o arvoredo, percebi algo que me fez mudar de atitude ante as coisas do mundo, inclusive minha própria existência. Não saberei explicar o que se passou naqueles minutos ao longo da caminhada. Foi como se um oceano de líquidos, que minha mente jamais havia produzido, surgisse junto, me abrindo portas e ampliando a minha percepção, profundamente.Talvez a despedida de minha mulher naquela tarde única... Melhor, talvez as nossas vidas, até aquele momento, fossem apenas o prelúdio para uma outra existência.&lt;br /&gt;Já é noite e pela janela do nosso quarto, ainda vejo Abril sobre o túmulo de Brana. Logo vai chover, acho que vou dormir.Manhã fria, as nuvens mijam grossas gotas de água, que empoçam ao longo da estrada. O céu escuro de metal, às vezes, é traçado pelo brilho dos relâmpagos e alguns peixes miúdos que despencam das nuvens com a chuva. Abril continua deitado sobre o túmulo de Brana, vejo isso pela janela. Caminho novamente pela casa vazia. É o primeiro dia do resto de minha vida, estou triste e vou buscar o cachorro que pode até morrer sob a forte chuva. Abril é um cachorro idoso; sua companheira também havia morrido. Ariel foi picada por uma cobra como foi Brana, minha querida esposa. Ele está frio e com os grandes olhos esbugalhados, treme muito. Acho que Abril sabe o que é a morte! Eu não sei o que é a morte ao certo. Imagino que seja apenas transformação da matéria. Restos de estrelas.&lt;br /&gt;Refeito, Abril adormece debaixo da mesa da cozinha.O dia divaga como a fumaça do cachimbo. Águas do céu, relâmpagos e cores cinzas fossilizam em minha janela.Os pássaros estão em seus ninhos e, pela janela, vejo o reflexo da vegetação nas poças e folhas mortas que dançam ao vento sobre o túmulo de Brana.Eu nunca havia escrito uma linha sobre nada neste mundo. Abril dorme profundamente, o dia parou. Meu coração está quebrado e a chuva continua a urrar como um animal ferido. Penso em Brana, que já não vive, recordo do seu sorriso invisível e sua geléia de morangos. Agora escrevo versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/preludio-para-um-tango-geraldo-espindola"&gt;"Prelúdio para um tango"&lt;/a&gt; (Geraldo Espíndola/Arlindo Fernandez) - mp3&lt;br /&gt;voz e violão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O mundo é um cais à margem de um oceano de trevas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;criaturas aportam em jornadas épicas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;rumo a tragica evolução&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;São anjos e predadores concebidos no austero inferno das estrelas mortas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O mundo é um jardim enclausurado na imensidão do espaço&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;homens e feras vagam rumo à trágica evolução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;São anjos e predadores concebidos no austero inferno das estrelas mortas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O mundo é um grão de areia ante o paredão de estrelas vivas e mortas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;onde a lótus e o lodo se alia à simetria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;da trágica evolução.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;São anjos e predadores concebidos no austero inferno das estrelas mortas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O mundo é uma laranja azul pregada na eternidade onde almas e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;átomos procuram beleza na desordem de deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;São anjos e predadores concebidos no austero inferno das estrelas &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;mortas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7506795642615862983?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7506795642615862983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/preludio-para-um-tango-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7506795642615862983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7506795642615862983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/preludio-para-um-tango-conto.html' title='Prelúdio para um tango    -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SqFAUtRcM9I/AAAAAAAAAPA/xt8OlDG7GzU/s72-c/prelude+for+a+tango+-+blog.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5648782738476615423</id><published>2009-09-02T14:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T14:55:52.389-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Quarta-feira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp7ngZNZxVI/AAAAAAAAAO4/ZXLlj1Fv6ow/s1600-h/quarta-feira-wallpaper.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp7ngZNZxVI/AAAAAAAAAO4/ZXLlj1Fv6ow/s400/quarta-feira-wallpaper.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5648782738476615423?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5648782738476615423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/quarta-feira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5648782738476615423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5648782738476615423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/quarta-feira.html' title='Quarta-feira'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp7ngZNZxVI/AAAAAAAAAO4/ZXLlj1Fv6ow/s72-c/quarta-feira-wallpaper.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7878946585940463778</id><published>2009-09-02T09:43:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T10:01:30.374-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Saiu pra comprar cigarros e caiu num buraco negro  -  conto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp6ci8Q4moI/AAAAAAAAAOw/q8kVQhcb3fU/s1600-h/SAIU+PORA+COMPRAR+CIGARROS+-+BLOGDOMESTICA.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp6ci8Q4moI/AAAAAAAAAOw/q8kVQhcb3fU/s400/SAIU+PORA+COMPRAR+CIGARROS+-+BLOGDOMESTICA.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;A &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;menstruação da matéria vai expandindo o espaço e o tempo que, exaltados, fazem estrelas e mundos. Em suas orgias criativas vomitam átomos de hidrogênio, que ovulam homens, monstros e outros predadores. Não creio em Deus como o criador de tudo, e sim como uma equação quântica em algum canto do Cosmos. Terminava, assim, o último capítulo do livro de Destino O. Magalhães, um astrofísico que acabara de concretizar um trabalho de 25 anos de pesquisas e estudos. Sua obra retrata a jornada do Universo desde a sua turbulenta infância, passando pela adolescência - na qual a matéria se separa da energia - até os dias de hoje. Havia um capítulo especial sobre buracos-negros, tema sobre o qual ele ministrava aulas na Universidade de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Também por 25 anos viveu entre o trânsito da Marginal Pinheiros, em São Paulo, as aulas e a casa em Embu, onde morava com Paz, sua esposa por 26 anos. Não tinham filhos e ela sofria da Síndrome das Pernas Inquietas que, associada à depressão, a levou ao suicídio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Destino acreditava que a natureza havia conspirado e misturado os ingredientes certos para o capítulo final de sua vida. Largou tudo e foi embora num redemoinho de acontecimentos - terminava sua primeira infância como adulto.Aninhada entre montanhas frias, intermináveis e o Oceano Pacífico, fica a cidade de &lt;a href="http://www.laserena.cl/"&gt;La Serena&lt;/a&gt;, no Chile. Também numa dessas montanhas, Cerro Pachón, está localizado um grande complexo de observatórios astronômicos, entre eles o sítio do Observatório SOAR, onde Destino, agora, exercia sua função de astrofísico. À noite, ele vasculhava as profundezas do céu com o poderoso olho do telescópio e remetia as informações para o laboratório nacional de astrofísica no Brasil. E, naquele pequeno paraíso do vale Elqui - estreita franja de terra onde nascem uvas e cactos - ele passou a viver. Durante o dia perambulava pelos cais de &lt;a href="http://mollyring.files.wordpress.com/2009/04/la-serena-031.jpg"&gt;La Serena&lt;/a&gt; e pelas destilarias de pisco, que se amontoavam ao longo da estrada árida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Apaixonado pela obra da poetisa chilena &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriela_Mistral"&gt;Gabriela Mistral&lt;/a&gt;, que nasceu ali, Destino acabou por conhecer Andrômeda, uma mulher misteriosa e bela, proprietária de uma mariscaria na beira do porto, cujas paredes eram repletas de poemas, fotos e informações sobre a poetisa. Servia peixes, frutos do mar, piscos e vinhos. Andrômeda tinha nascido no Brasil e morava no Chile desde criança, época em que seu pai fazia serviços para a embaixada brasileira em Santiago - La Serena era seu último porto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Nas azuis revoadas da tarde passava um bando de aflição que seguia rumo à Cordilheira dos Andes. Era quando Destino terminava seu último gole de &lt;a href="http://elizabites.files.wordpress.com/2009/01/img_0372.jpg"&gt;pisco&lt;/a&gt; antes de ir para o monótono trabalho de observar estrelas. Destino O. Magalhães, que era a síncope do desatino, agora vivia em paz e embriagado ao lado de Andrômeda na mariscaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Quase todas as noites Destino subia até o sítio do telescópio, observando paisagens do céu. Numa noite, ele parou o carro, desligou a chave e saiu caminhado rumo a uma margem da estrada. Abaixo, numa ribanceira, havia centenas de ovelhas, dormindo como se fossem veladas pelo braço da Via-Láctea. Aquele clima semi-árido e as alturas davam a impressão que podia se alcançar as estrelas com as mãos. Junto às ovelhas dormia também um menino, tinha pouco mais de 13 anos, aparência do rosto era de um peixe – uma espécie de má formação genética. Apesar de ter a fala primitiva, o garoto possuía inteligência superior, compreendia tudo e era entendido pelo astrônomo.Menino-peixe, como Destino o chamou, disse que era nascido num lago perto dali, fora gerado por salmões e agora pastoreava a noite junto com as ovelhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O astrônomo foi surpreendido pela conjectura do Menino-peixe. O garoto acreditava que existiam vários outros universos e que um átomo poderia ser um destes universos. Uma galáxia poderia ser apenas um átomo de um universo muito maior, e assim sucessivamente, para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Deslumbrado e confuso, Destino voltou para o telescópio. Depois deste encontro ele mudou algumas atitudes, passou a fumar charutos e deixou o trabalho prioritário do Observatório &lt;a href="http://www.soartelescope.org/"&gt;SOAR&lt;/a&gt;, que funcionava em conjunto com o telescópio Gemini - e ficou só. Dono de suas próprias razões, aprofundou-se na teoria de que existiam muitos buracos-negros em miniatura espalhados por aí. A ciência não lhe tirava a razão, uma vez que existem possibilidades de tais eventos. Destino se apegou a fatos e acontecimentos não explicados, como o da floresta na Sibéria, que fora totalmente devastada por algo parecido. E alguns outros da era moderna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Exausto, Destino dormiu por três dias e noites nos braços de Andrômeda, misturava sonhos nos quais ele andava por recifes medonhos, mares de aflição e sargaços. Então, algo extraordinário aconteceu. Destino passou a interagir no sonho de outra pessoa. As imagens apareciam como que projetadas – talvez fossem imagens levadas por ondas de rádio que ficaram a vagar. Destino captava estas imagens em seus sonhos, como se estivesse vendo. Num deles, encontrou-se com Andrômeda, e ela bailava solitária num amplo salão. A mulher não dizia nada, apenas dançava tristemente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Destino, embora enigmático, continuava a procurar o Menino-peixe, a tecer suas teorias sobre buracos-negros em miniatura e passava as tardes bebendo pisco ao lado de Andrômeda na mariscaria. O Laboratório Nacional de Astrofísica perdeu contato com o homem e o substituiu por outro astrônomo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Destino chegara na adolescência da velhice e tinha toda a irresponsabilidade do mundo estampada no olhar, nos passos lentos, nos pratos com mexilhões, piscos e uma mulher. Recomeçou a escrever teorias astrofísicas sobre buracos-negros e também sobre o pastor da noite que ele conhecera. Ganhou o coração de Andrômeda depois de ter decifrado seu estranho sonho, onde ela bailava sozinha. Nem ela recordava que num passado distante perdera seu primeiro amor nas ruas de Santiago. Mendez era um poeta e foi morto, jogado de uma aeronave durante o golpe militar no Chile. Dançar só, num sonho, representava apenas uma metáfora para aquelas vidas.À procura de estrelas, numa noite, Destino saiu pra comprar cigarros. Deixou Andrômeda parada na paisagem de uma porta. Seguiu a pé pela estrada fria, rumo à Cordilheira dos Andes. Encontrou novamente o Menino-peixe, que pastoreava à noite com vultos de ovelhas. Havia um silêncio de pedras, grilos e estrelas, muitas estrelas, que pareciam um demasiado rio de prata. Destino e o Menino-peixe caminharam lado-a-lado por algum tempo, até o astrônomo compreender que tal criatura era apenas um sonho dos seus sonhos.Ele estava sozinho, parado no alto da estrada e o vento frio sibilava em seu corpo. Era um vulto inerte ante aquele paredão de montanhas, o bando de aflição voltava pra casa num céu absurdo Destino O.Magalhães: o astrônomo e astrofísico nunca mais voltou para La Serena e nem lugar nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;fim&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/janela-para-a-eternidade-roteiro-documentario-afernandez"&gt;Janela para eternidade&lt;/a&gt; - roteiro 60 minutos -&amp;nbsp;documentário sobre o telescópio&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;a href="http://www.lna.br/soar/soar.html"&gt;SOAR&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;O maior telescópio brasileiro instalado no Chile com uma lente de 4.5&amp;nbsp;&amp;nbsp; - super moderno.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7878946585940463778?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7878946585940463778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/saiu-pra-comprar-cigarros-e-caiu-num.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7878946585940463778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7878946585940463778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/saiu-pra-comprar-cigarros-e-caiu-num.html' title='Saiu pra comprar cigarros e caiu num buraco negro  -  conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp6ci8Q4moI/AAAAAAAAAOw/q8kVQhcb3fU/s72-c/SAIU+PORA+COMPRAR+CIGARROS+-+BLOGDOMESTICA.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-9160712068081241315</id><published>2009-09-01T05:10:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T05:10:11.247-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Looking at the time</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp0O6vQY7II/AAAAAAAAAOA/sJyCwyGkgHA/s1600-h/ter%C3%A7a-feira.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp0O6vQY7II/AAAAAAAAAOA/sJyCwyGkgHA/s400/ter%C3%A7a-feira.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-9160712068081241315?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/9160712068081241315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/looking-at-time.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9160712068081241315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/9160712068081241315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/09/looking-at-time.html' title='Looking at the time'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Sp0O6vQY7II/AAAAAAAAAOA/sJyCwyGkgHA/s72-c/ter%C3%A7a-feira.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-3680798480005826544</id><published>2009-08-31T12:41:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T13:03:32.420-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minhas fotos'/><title type='text'>El plato del día</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spwl58tIsQI/AAAAAAAAAN4/HX40FPESG7M/s1600-h/arroz-de-carreteiro+(foto-1).bmp" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lk="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spwl58tIsQI/AAAAAAAAAN4/HX40FPESG7M/s320/arroz-de-carreteiro+(foto-1).bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; parte nodosa do dia é pela manhã, quando urubus voam nas grimpas das magras nuvens e sabiás-laranjeiras irritam ouvidos de cigarras. É também quando preparo o almoço e tenho reflexões sobre a nossa absurda existência... Feijão preto é um grande mistério que fere as regras da utopia e arroz-de-carreteiro uma quimera.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Meu pai era cozinheiro de “comitiva”, vagava por estradas empoeiradas ao som das rodas do carro mineiro – carro-de-boi - na hora do almoço era assim. E naquela época nem tinha&amp;nbsp; o shoyu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Arroz-de-carreteiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;2 xícaras de arroz (xícara de chá)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;1&amp;nbsp;cebola grande&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;6 colheres (chá) de óleo &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;6 colheres (chá) de shoyu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;250 g de carne de sol, carne seca, jabá e até carne assada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sal a gosto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Fazendo numa panela de ferro ou barro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Coloque o óleo ou azeite (não pode ser o extra virgem porque vira gordura saturada) na panela de sua escolha, a cebola cortada à sua moda e frite. Acrescente a carne picada ou desfiada e adicione o shoyu. Deixe por uns 10 minutos (note que a carne ficará bem escurinha). Coloque o arroz, sal e continue fritando. 10 minutos depois acrescente água fervente, tampe e desligue quando ainda estiver com pouca água, pois na hora de servir a quentura da panela terá absorvido o excesso.&lt;br /&gt;Acompanha&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ovo frito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;feijão preto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;mandioca frita&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;salada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;farofa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-3680798480005826544?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/3680798480005826544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/prato-do-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3680798480005826544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3680798480005826544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/prato-do-dia.html' title='El plato del día'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spwl58tIsQI/AAAAAAAAAN4/HX40FPESG7M/s72-c/arroz-de-carreteiro+(foto-1).bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8575585230988636924</id><published>2009-08-31T04:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-31T05:00:05.625-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Lunes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spu7Ogk9jVI/AAAAAAAAANw/39BCKPaTueo/s1600-h/lunes.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376096438134345042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spu7Ogk9jVI/AAAAAAAAANw/39BCKPaTueo/s400/lunes.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8575585230988636924?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8575585230988636924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/lunes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8575585230988636924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8575585230988636924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/lunes.html' title='Lunes'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spu7Ogk9jVI/AAAAAAAAANw/39BCKPaTueo/s72-c/lunes.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8507491534904493883</id><published>2009-08-30T03:27:00.001-07:00</published><updated>2009-08-30T03:29:47.681-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Domingo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SppUhoYCXFI/AAAAAAAAANo/K_K4E3cx9FA/s1600-h/domingo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375702041970760786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SppUhoYCXFI/AAAAAAAAANo/K_K4E3cx9FA/s400/domingo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8507491534904493883?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8507491534904493883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/domingo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8507491534904493883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8507491534904493883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/domingo.html' title='Domingo'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SppUhoYCXFI/AAAAAAAAANo/K_K4E3cx9FA/s72-c/domingo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1024463018557879290</id><published>2009-08-29T11:24:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T11:33:28.250-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713 - sábado'/><title type='text'>Un Jour  quelconque</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spl0Y6uBdfI/AAAAAAAAANg/KSAhipwT8gQ/s1600-h/Un+jour+quelconque.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375455601671370226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spl0Y6uBdfI/AAAAAAAAANg/KSAhipwT8gQ/s400/Un+jour+quelconque.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;R&lt;/strong&gt;acines du soleil&lt;br /&gt;Qui rampent sur lês murs&lt;br /&gt;Pétales de vent&lt;br /&gt;Lê jour entier&lt;br /&gt;Parfume,parfume&lt;br /&gt;Octobre paien&lt;br /&gt;Manades de nuages&lt;br /&gt;Sous la brume du matin&lt;br /&gt;Un bruit dans la rivière&lt;br /&gt;Lê saut d”une grenouille&lt;br /&gt;Celèlebre un jour quelconque&lt;br /&gt;C‘est déjà le printemps&lt;br /&gt;Le ciel fond&lt;br /&gt;Dans lê rouge&lt;br /&gt;Parfume,parfume&lt;br /&gt;Le jour entire&lt;br /&gt;Sur un tronc&lt;br /&gt;Des papillons&lt;br /&gt;Endormis&lt;br /&gt;Voyagent,voyagent&lt;br /&gt;Sur les eaux&lt;br /&gt;La riviére s‘extasie&lt;br /&gt;Et la nuit&lt;br /&gt;La pleine-lune sort de l‘armoire&lt;br /&gt;Et illumine lê voleur de basers et de fleurs.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1024463018557879290?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1024463018557879290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/un-jour-quelconque.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1024463018557879290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1024463018557879290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/un-jour-quelconque.html' title='Un Jour  quelconque'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Spl0Y6uBdfI/AAAAAAAAANg/KSAhipwT8gQ/s72-c/Un+jour+quelconque.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-205460827972076810</id><published>2009-08-29T10:19:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T10:23:16.487-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Ant cimetière</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Splj4LZK9WI/AAAAAAAAANY/9198Dn5D5vk/s1600-h/cemiterio+de+formigas.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375437447025587554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Splj4LZK9WI/AAAAAAAAANY/9198Dn5D5vk/s400/cemiterio+de+formigas.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-205460827972076810?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/205460827972076810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/ant-cimetiere.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/205460827972076810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/205460827972076810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/ant-cimetiere.html' title='Ant cimetière'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Splj4LZK9WI/AAAAAAAAANY/9198Dn5D5vk/s72-c/cemiterio+de+formigas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-8958498944889797218</id><published>2009-08-29T09:11:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T09:15:19.729-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>Les fruits de Léo Dayan</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SplT8b53JLI/AAAAAAAAANQ/To4fWYkOURA/s1600-h/les+fruitis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375419927991100594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 222px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SplT8b53JLI/AAAAAAAAANQ/To4fWYkOURA/s400/les+fruitis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://http//www.apreis.org/"&gt;Professeur Leo University Nomade&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-8958498944889797218?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/8958498944889797218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/les-fruits-de-leo-dayan.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8958498944889797218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/8958498944889797218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/les-fruits-de-leo-dayan.html' title='Les fruits de Léo Dayan'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SplT8b53JLI/AAAAAAAAANQ/To4fWYkOURA/s72-c/les+fruitis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-4321509909543423771</id><published>2009-08-24T09:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T11:47:03.627-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem papel de parede x foto bobinho'/><title type='text'>Não foi indicado ao prêmio Jabuti de literatura, mas sonhou com tangerinas!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpLZ6B1DwMI/AAAAAAAAAMc/LGkVSV3yOV4/s1600-h/cadeira+af-vangpgh.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373596896353042626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpLZ6B1DwMI/AAAAAAAAAMc/LGkVSV3yOV4/s400/cadeira+af-vangpgh.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Bobinho 中國狗&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpLZcit7cRI/AAAAAAAAAMU/uvNiez6OGdg/s1600-h/bobinho-domestica-blog.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373596389785432338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpLZcit7cRI/AAAAAAAAAMU/uvNiez6OGdg/s200/bobinho-domestica-blog.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;omo doméstica, tenho assistido e ouvido coisas que ficam alheias ao meu raciocínio e até minha lógica. Na casa de um escritor amigo peguei esta história do homem que se apaixonou pela &lt;a href="http://http//www.paintingmania.com/Arts/Big/2832_big.jpg"&gt;cadeira&lt;/a&gt; pintada por Van Gogh. Desvelo exaltado pelo que fez e sempre sonhou, sentou-se naquela cadeira com seu cachorro chinês e, como uma roseira que protege a lavoura sensível das vinhas, começou a dormir; no interlúdio do sono, teve sequência de fenômenos psíquicos com tangerinas e sentiu um sussurro de frases musicais que saíam de nuvens. Escreveu canções, bolo onírico e na manhã da quinta-feira, em agosto, saiu para comprar cigarros e caiu num buraco negro ante a banca de revista ao ver que seu livro, “O homem da lua”, não estava entre os escolhidos na lista.&lt;br /&gt;Segundo &lt;a href="http://http//pt.wikipedia.org/wiki/Stephen_Hawking"&gt;Stephen Hawking&lt;/a&gt;, no meio desse monstro nem a luz pode escapar é também quando o tempo chega ao seu final. Contrariando leis naturais, o Homem da Lua voltou e trouxe nos bolsos sementes de tangerinas, que espalhou pelo quintal. Depois, escreveu no encardido do muro uma nova canção:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/sonhos-de-tangerinas-geraldo-espindola-1"&gt;Sonhos de Tangerinas - (Geraldo Espíndola/Arlindo Fernandez) mp3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tarde em vinho, deixe escorrer carmim, sobre horizontes de florestas, rios e estradas.&lt;br /&gt;Baldes cheios de noites e estrelas logo cairão do céu.&lt;br /&gt;Então coloco meu traje azul de mangas leves e vou me deitar, por entre árvores de tangerinas, que ela amava.&lt;br /&gt;Sonho em azul sobre maravilhas da via-láctea e de se ter um amor.&lt;br /&gt;Apenas&lt;br /&gt;Sonho até o reflexo lilás da aurora voltar.&lt;br /&gt;Então coloco meu traje azul de mangas leves e vou me deitar... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-4321509909543423771?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/4321509909543423771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/n-ao-foi-indicado-ao-premio-jabuti-de.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4321509909543423771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/4321509909543423771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/n-ao-foi-indicado-ao-premio-jabuti-de.html' title='Não foi indicado ao prêmio Jabuti de literatura, mas sonhou com tangerinas!'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpLZ6B1DwMI/AAAAAAAAAMc/LGkVSV3yOV4/s72-c/cadeira+af-vangpgh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-929564334983327437</id><published>2009-08-24T07:51:00.001-07:00</published><updated>2009-08-24T09:09:03.742-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minhas fotos'/><title type='text'>Bolo de tangerinas    - receita</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpK6pBNUKcI/AAAAAAAAAJU/t-bcmG3IwVo/s1600-h/bolo+pronto01.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpK6pBNUKcI/AAAAAAAAAJU/t-bcmG3IwVo/s400/bolo+pronto01.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373562519268108738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpK6Q3HfVkI/AAAAAAAAAJM/ml3opTULevQ/s1600-h/tangerina02-blog.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373562104242460226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpK6Q3HfVkI/AAAAAAAAAJM/ml3opTULevQ/s200/tangerina02-blog.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ingredientes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;8 tangerinas pequenas&lt;br /&gt;2 xícaras de farinha de trigo (chá)&lt;br /&gt;1 caixa de creme de leite - medida exata&lt;br /&gt;3 ovos&lt;br /&gt;2 xícaras de açucar (chá)&lt;br /&gt;1 colher fermento em pó&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;fazendo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;coloque 6 tangerinas com casca e tudo no liquidificador - tire sementes. Bata as frutas, as gemas,o açucar e o creme de leite por 5 minutos.&lt;br /&gt;Manualmente bata as claras em neve e misture com o resultado do liquidificador, adicione o trigo e fermento.&lt;br /&gt;assadeira redonda, untada e forno 150 graus por 40 minutos.&lt;br /&gt;pronto&lt;br /&gt;2 frutas esmagada (sem sementes)&lt;br /&gt;1 xícara de açucar (chá)&lt;br /&gt;fazer uma calda e regar sobre o bolo quente.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpKqL-5pPwI/AAAAAAAAAIM/7Co_pksQ1Mg/s1600-h/bolo+pronto01.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpKpr4hLVXI/AAAAAAAAAIE/O2Gr0d7MIH8/s1600-h/tangerina-abertura-blog-da+domestica..bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-929564334983327437?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/929564334983327437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/bolo-de-tangerinas-receita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/929564334983327437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/929564334983327437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/bolo-de-tangerinas-receita.html' title='Bolo de tangerinas    - receita'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpK6pBNUKcI/AAAAAAAAAJU/t-bcmG3IwVo/s72-c/bolo+pronto01.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6040114140213870330</id><published>2009-08-24T07:38:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T07:50:18.727-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papel de parede'/><title type='text'>Sonhos de Tangerinas   -   conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpKmjt3O8xI/AAAAAAAAAH0/EH3inxsFtXE/s1600-h/sonhos+de+tangerinas+-conto.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373540437943317266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpKmjt3O8xI/AAAAAAAAAH0/EH3inxsFtXE/s400/sonhos+de+tangerinas+-conto.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; papel de parede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ua vida lírica naquele quintal já atravessava um século, por isso decidira que, naquela manhã de dezembro, deixaria de ser uma árvore na paisagem daquela casa e que também não mais serviria de abrigo para aranhas, formigas e sabiás-laranjeira. Para ela, um pé de tangerinas, aquilo tudo era uma grande entropia, um desvio da natureza e um enigma que lhe dera pensamentos e indícios de gente. Então, seus galhos velhos, retorcidos, cheios de espinhos e bosta de pássaros, sacudiram com força suas folhas amarelas que vão ao vento. Em passos lentos, as raízes romperam o chão e começaram a andar, tomando a forma de pés humanos. Com seus novos braços, mãos e unhas, tentou puxar a linha do horizonte mas não conseguiu dominar o espaço tridimensional. Singularidade nua.&lt;br /&gt;Vista do alto pelos marrecos que faziam rota por ali, era algo atemporal e assombroso. Talvez, as aves pensassem que fosse uma queimada. As pessoas que viviam na casa correram apavoradas ao ver aquela tangerineira tomando forma humana &amp;shy;- tronco, cabeça, seios - e caminhando porteira afora. Andou nua por uma estrada boiadeira, até o chaco paraguaio. Sua pele branca, cheia de sulcos, ficou vermelha, tinha odor de formigas e mexericas.&lt;br /&gt;A mulher exausta, assustada e sem nome foi encontrada por uma comunidade de religiosos, tinha fezes de sábia e teias de aranha grudadas sobre o corpo. Não falava em língua alguma, mas a voz tinha um som vegetal e, por algum tempo, ficou por entre as pessoas da comunidade. Aprendeu tudo muito rápido: ajudava na lavoura de algodão, levava as crianças da vila para a escola e procurava um desnome – algo que aparecia como uma história em seu sono. Sonhava muito e, às vezes, tinha pesadelos com árvores carregadas de frutos e bosta de caranchos. Aprendeu a beber vinho, descobriu que não tinha origem africana e que possuía síndrome de camaleão na alma.&lt;br /&gt;Então, aquela mulher que outrora foi uma tangerineira, passou a engolir as cores de tudo que passava perto dela, inclusive de gente. E, numa tarde de ano novo, bebeu o carmim do céu pensando que fosse o vinho. Exilada pelos membros da comunidade de religiosos, passou a vagar por estradas empoeiradas e, enquanto andava, pensava muito sobre os mistérios desse mundo, que aos seus olhos era uma pedra voando na goela de um vazio eterno – como a vida daquela mulher, sua mãe, que nunca saía de seu pensamento – conjecturava ela.&lt;br /&gt;Numa tarde de ventania, poeira e céu sépia, a mulher que foi árvore encontrou com um homem que tinha pêlos na alma, conhecido por El Pombero e os dois seguiram amarrados por um cipó por mais cem anos. Quem trafega pela estrada transchaco, que fica ao extremo leste do Paraguai, não deixa de olhar aqueles dois vultos que, furtivamente, vagam colados e suspensos na paisagem empoeirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O desnome &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Menina bela e prodígia carregava desnome de Mandarina, tinha nos olhos a cor verde do pomar, que tomava o terreiro da casa onde nasceu. Nunca viu a luz do dia. Mandarina enxergava com a mente e, apesar do quociente de inteligência de cento e oitenta, lecionava portunhol aos papagaios nas sombras das laranjeiras.&lt;br /&gt;A casa onde vivia era conhecida, imponente construção feita em pedras, erguida numa estrada acostumada com cavalos, carros-de-boi e poeira. Funcionava ali uma espécie de pousada e restaurante boiadeiro, um ponto de encontro entre peões brasiguaios, bois, bugres e espíritos, que servia sopa paraguaia, bori-bori, chipa, arroz-de-carreteiro, rabos de jacarés ensopados e logros.&lt;br /&gt;As almas não comiam nada, só bebiam tereré e gemada a noite inteira. No total, eram seiscentas almas e foram levadas até ali por Junho Yoréu. Isso foi depois que a guerra do Paraguai havia terminado – Mandarina nem tinha nascido. Junho Yoréu, um brasiguaio sonhador, queria forjar a fogo uma nova nação. Saiu de Guia Lopes da Laguna, Mato Grosso, e seu destino era a capital, Cuiabá. Na estrada em frente aquela pousada tombou numa emboscada com seu pequeno exército formado por argentinos, bolivianos e paraguaios. Seus fantasmas ficaram hospedados para sempre ali.&lt;br /&gt;Mandarina percorria toda a casa pela manhã, antes do café, inclusive o pomar. O silêncio aumentava à medida que a menina caminhava por entre almas, pessoas e, numa manhã silenciosa, cheirou uma fruta que repousava sobre a mesa da cozinha. Era uma tangerina que tinha o tamanho de uma hora, madura e estava viva. Seu perfume de cravo exalava pelos poros e algumas formigas entravam e saíam dos gomos. Apaixonada pela fruta, que não existia em seu pomar, se deliciou com casca e tudo. Naquela noite de lua cheia Mandarina obrou sementes de tangerinas pelo terreiro da casa. Porém, um grande enigma morreu com a menina, que envelheceu naquela casa de pedra à beira da estrada. Nunca soube quem deixara aquela fruta de tangerina sobre a mesa. E de onde teria vindo? Talvez o pai daquela árvore fosse seu único amor nesta vida.&lt;br /&gt;A tangerineira que nasceu ali, na casa de pedra, tinha personalidade e ficou conhecida por toda região, até no Paraguai. Por cem anos seus frutos traduziram energia do sol em beleza, perfume e açúcar. Seu corpo ainda serviu de abrigo para aranhas, sabiás-laranjeira, pardais, azulões e bem-te-vis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As tangerinas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silencioso na beira do pomar, um menino observava o vento esvaindo-se por entre as árvores de tangerina, que lançavam frutos ao chão. Aquieta o canto lamentoso dos sabiás-laranjeira, nuvens negras percorrem a tarde e abelhas repousam sobre o cheiro das tangerinas. Findava o dia de sua rotina e Bugrinho – um menino índio que vivia só naquele esculápio – se masturbava sobre aquelas tangerinas. Ele era parte daquele cenário na plantação de frutas. Dali tirava o sustento, carregando caixas com mexericas que colheu ao longo de cinco anos. As frutas eram distribuídas e vendidas nas feiras de Nioaque, Laguna, Bonito e Caarapó. Solitário, sem propósito ou ordem, Bugrinho seguia seus instintos. A mente primitiva lhe permitia fulgores e aragens intermitentes, que vinham de um mundo de sonhos que só ele conhecia. Em suas elucubrações mais inóspitas, imaginava sexo com tangerineiras, desejava ter um filho e depois viver naquele insólito sepulcro de árvores de tangerinas. Após um dia de trabalho, Bugrinho deitou na paisagem fresca de orvalho, onde aves brancas voavam na noite escura de breu. Entrou em devaneios até a eternidade, virando coisas, árvores e bichos. Foi numa noite como as outras – a última que ele viveu – exceto pela morte do menino índio, que deixou o sêmen escorrer por entre os gomos de uma tangerina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6040114140213870330?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6040114140213870330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/sonhos-de-tangerinas-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6040114140213870330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6040114140213870330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/sonhos-de-tangerinas-conto.html' title='Sonhos de Tangerinas   -   conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpKmjt3O8xI/AAAAAAAAAH0/EH3inxsFtXE/s72-c/sonhos+de+tangerinas+-conto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1615015630731349009</id><published>2009-08-22T07:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T07:41:51.393-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem 4621 x 2110 - bryce 3D  -  foto NASA'/><title type='text'>Papel de parede</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpACJhvrjbI/AAAAAAAAAHs/rwJ2erGl0Bo/s1600-h/Meu+quintal+-blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372796718153436594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 183px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpACJhvrjbI/AAAAAAAAAHs/rwJ2erGl0Bo/s400/Meu+quintal+-blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt; meu quintal&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;as aves ja foram dormir&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1615015630731349009?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1615015630731349009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/meu-quintal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1615015630731349009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1615015630731349009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/meu-quintal.html' title='Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SpACJhvrjbI/AAAAAAAAAHs/rwJ2erGl0Bo/s72-c/Meu+quintal+-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1481349121506541602</id><published>2009-08-21T10:46:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T10:58:08.982-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 8545 x 3898'/><title type='text'>Papel de parede</title><content type='html'>&lt;strong&gt;sexta-feira - limpeza pesada!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;   tarde de agosto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7eTe-UBGI/AAAAAAAAAHk/5ufbf6-Bjzo/s1600-h/sexta+feira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372475831812883554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 182px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7eTe-UBGI/AAAAAAAAAHk/5ufbf6-Bjzo/s400/sexta+feira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1481349121506541602?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1481349121506541602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1481349121506541602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1481349121506541602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede_21.html' title='Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7eTe-UBGI/AAAAAAAAAHk/5ufbf6-Bjzo/s72-c/sexta+feira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-3696575466235813830</id><published>2009-08-20T11:27:00.000-07:00</published><updated>2009-08-20T11:41:49.468-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='wallpaper 1280 x 713'/><title type='text'>A vida secreta dos Anus-pretos   - conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So2Yg-ikpmI/AAAAAAAAAHM/LElAB3hBN2A/s1600-h/a+vida+secreta+(blog).bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372117622834112098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So2Yg-ikpmI/AAAAAAAAAHM/LElAB3hBN2A/s400/a+vida+secreta+(blog).bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; O&lt;/strong&gt; dia chegava de susto em sangue banhando muros, casas e quintais de luz. Borboletas vermelhas desciam o rio de carona, num tronco de árvore morta. O vento que vinha do sul fazia as vacas pastarem de bunda ao sopro, enquanto os anus-pretos formavam quadrilhas por entre moitas de bambus e inauguravam o silêncio com seus palavreados. Isso era a rotina daquela estradinha viciada em bois e cavalos, a qual eu cruzava todas as manhãs de abril. Seguia rumo à charqueada, onde minha ocupação era espantar urubus – trabalho que me elevou à categoria de observador científico de pássaros.&lt;br /&gt;Numa destas manhãs, notei que os anus-pretos se organizavam em grupos de vários indivíduos, e que sempre obedeciam a uma ordem natural, a de viver em comunidades – como os humanos. Gostavam de apanhar sol se empoleirando uns sobre os outros, ao longo da cerca na estrada. As fêmeas lavavam suas roupas pretas nas águas empoçadas e, depois, tiravam os alimentos dos lombos dos bois - isso quando faltavam os artópteros.&lt;br /&gt;Descobri que os anus-pretos falavam mais de doze dialetos e eram de estranha beleza, que variava de acordo com a nossa visão. Portanto, um anu-preto não era somente átomos cozidos em estrelas, mas o meu limite científico só sabia isso. Eu era incapaz de medir seus encantos.&lt;br /&gt;No meu aniversário de 11 anos fiz um discurso em língua de pássaros para aquela quadrilha de anus-pretos e descobri que eles queriam ser vistos por humanos razoáveis. Isso, porque João Rola-Flor, o benzedor, tinha a crença no valor curativo da ave. Ele vendia suas magras carnes para doenças venéreas – João curou meia cidade.O dia chegava de susto em sangue banhando muros, casas e quintais de luz. Borboletas vermelhas desciam o rio de carona, num tronco de árvore morta. O vento que vinha do sul fazia as vacas pastarem de bunda ao sopro, enquanto os anus-pretos formavam quadrilhas por entre moitas de bambus e inauguravam o silêncio com seus palavreados. Isso era a rotina daquela estradinha viciada em bois e cavalos, a qual eu cruzava todas as manhãs de abril. Seguia rumo à charqueada, onde minha ocupação era espantar urubus – trabalho que me elevou à categoria de observador científico de pássaros.&lt;br /&gt;Numa destas manhãs, notei que os anus-pretos se organizavam em grupos de vários indivíduos, e que sempre obedeciam a uma ordem natural, a de viver em comunidades – como os humanos. Gostavam de apanhar sol se empoleirando uns sobre os outros, ao longo da cerca na estrada. As fêmeas lavavam suas roupas pretas nas águas empoçadas e, depois, tiravam os alimentos dos lombos dos bois - isso quando faltavam os artópteros.&lt;br /&gt;Descobri que os anus-pretos falavam mais de doze dialetos e eram de estranha beleza, que variava de acordo com a nossa visão. Portanto, um anu-preto não era somente átomos cozidos em estrelas, mas o meu limite científico só sabia isso. Eu era incapaz de medir seus encantos.&lt;br /&gt;No meu aniversário de 11 anos fiz um discurso em língua de pássaros para aquela quadrilha de anus-pretos e descobri que eles queriam ser vistos por humanos razoáveis. Isso, porque João Rola-Flor, o benzedor, tinha a crença no valor curativo da ave. Ele vendia suas magras carnes para doenças venéreas – João curou meia cidade.&lt;br /&gt;Para se tornar pássaro depende da prática, tive escola com aqueles anus-pretos por um longo período. Quase criei penas, mas em duras penas desvendei seus anseios e sua evolução. Tive a impressão poética de que tais criaturas eram parentes distantes dos dinossauros, que resolveram evoluir até criar asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-3696575466235813830?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/3696575466235813830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/vida-secreta-dos-anus-pretos-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3696575466235813830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/3696575466235813830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/vida-secreta-dos-anus-pretos-conto.html' title='A vida secreta dos Anus-pretos   - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So2Yg-ikpmI/AAAAAAAAAHM/LElAB3hBN2A/s72-c/a+vida+secreta+(blog).bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2944073506674879216</id><published>2009-08-19T08:22:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T09:58:02.680-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem  papel de parede  1280 x 713'/><title type='text'>O lado oeste da noite  - conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SowcJND1d2I/AAAAAAAAAGk/oK_p2MrZMZc/s1600-h/o+lado+oeste+papel+parede+-high.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371699399996307298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SowcJND1d2I/AAAAAAAAAGk/oK_p2MrZMZc/s400/o+lado+oeste+papel+parede+-high.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este conto é um sonho - do personagem principal - para o roteiro de   &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/o-lado-oeste-da-noite-roteiro-cinema"&gt;"O lado oeste da noite".&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi escrito em 2004 - &lt;strong&gt;durante as gravações do doc. "O poeta é um ente que lambe as palavras e&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;se alucina".(&lt;/strong&gt; 55 minutos prod. TVE-Minc. Arlindo Fernandez/lider vídeo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conto/रोटियो दो सोंहो.&lt;br /&gt;Como dizia uma poetisa, “o passado é uma estranha criatura”.&lt;br /&gt;Claro que é. Creio que os fósseis dessa criatura são ecos para&lt;br /&gt;sempre, assim como as ondas de rádio que vagam por todos os&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;rincões&lt;/span&gt; do Universo. Minha condição humana me fascina, pois&lt;br /&gt;conheço a fronteira de minha existência e ignoro porque estou&lt;br /&gt;neste mundo. Hoje uso &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;calcinha&lt;/span&gt; de renda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;nhanduti&lt;/span&gt;, mas já fui&lt;br /&gt;fera primitiva, cuja ignorância fazia brotar flor. Isso foi em 1977,&lt;br /&gt;quando cheguei por aqui. Eu era um rapaz magro, erótico, cujo&lt;br /&gt;conhecimento em filosofia chegava ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;deslimite&lt;/span&gt; da idiotice por&lt;br /&gt;não querer ser mais idiota que os outros. Foi um bom tempo.&lt;br /&gt;Naquela época eu bebia cervejas e ouvia óperas.Foi então que conheci Mimi. Decorei cada canto e cada acorde,&lt;br /&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Bohème&lt;/span&gt; foi decisiva para minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;transfiguração&lt;/span&gt;. Notei que&lt;br /&gt;a natureza fazia experimentos com desmanches e procurava a simetria&lt;br /&gt;matemática nas coisas. Eu, que não tinha uma prece para&lt;br /&gt;rezar, nem um canto além daqueles becos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Corumbá&lt;/span&gt;, resolvi&lt;br /&gt;seguir os passos do Cosmos. Ouvi seus pulsares, vi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;desvões&lt;/span&gt; na massa&lt;br /&gt;escura, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;paredões&lt;/span&gt; de galáxias, estrelas, mundos e átomos. Percebi&lt;br /&gt;que tudo isso seguia em linha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;reta&lt;/span&gt;, igual à conjectura de Poincaré.&lt;br /&gt;Pela janela da pensão onde eu morava, esticava o olhar sobre&lt;br /&gt;o rio que, como um espelho, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;refletia&lt;/span&gt; gaivotas, nuvens, a lua e&lt;br /&gt;as estrelas em noites escuras. Éramos criaturas que viviam ao lado&lt;br /&gt;oeste de algum lugar, sitiadas pela melancolia, pelos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;camalotes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;errantes, barcos, telhados e becos cheirando a urina e peixe. A&lt;br /&gt;noite era uma janela aberta e servia como moldura para os loucos&lt;br /&gt;e bêbados. Eu tinha a certidão de homem adolescente e sonhos&lt;br /&gt;de quimeras.&lt;br /&gt;Queria ser uma mulher no sentido mais profundo da palavra.&lt;br /&gt;Não era para incorporar, era para compreender. Gostei de&lt;br /&gt;ser um menino e cheirar fendas de moças com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;fiapos&lt;/span&gt; de manga –&lt;br /&gt;foi uma teoria e uma proeza solitária. Mas, em meio à trama do&lt;br /&gt;espaço e do tempo fui, aos poucos, me moldando a Quimera,&lt;br /&gt;cujo corpo me deixava em brasa de desejo ante ao espelho. Nas&lt;br /&gt;somas de tudo, o resultado era uma bela conjectura que me ampliou&lt;br /&gt;cientificamente para o nada. Mesmo assim, decidi que o&lt;br /&gt;Universo era mulher. Vesti saias coloridas, coxas delineadas, curvas,&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;batons&lt;/span&gt; e gestos, eu era uma mulher perfumada.&lt;br /&gt;Quimera tinha vestígios de homem, mas era bela e de coração&lt;br /&gt;sem lei e comportamento no qual homens e mulheres vadiavam.&lt;br /&gt;Era artificial e, mesmo assim, abençoada pelo amor de Agosto, um&lt;br /&gt;homem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;platônico&lt;/span&gt; e verdadeiro – desapareceu no Rio Paraguai.&lt;br /&gt;Das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;vilezas&lt;/span&gt; do homem herdei todas. Como mulher, cheguei ao limiar&lt;br /&gt;de uma evolução absurda e verdadeira.&lt;br /&gt;Hoje, o dia envelhece em meus pincéis. Pinto quadros para&lt;br /&gt;meu sustento e as nuvens são ponteiros de um relógio invisível em mi-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;nhas&lt;/span&gt; telas. Nem as moscas me iluminam mais, o tempo envelheceu até&lt;br /&gt;o horizonte do rio. Tenho &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;nudofobia&lt;/span&gt; e olhos pagãos sobre os corpos perfeitos&lt;br /&gt;das moças que passam pelas ruas.&lt;br /&gt;Quando a noite vem nascendo, sinto uma melancolia de&lt;br /&gt;trem, ligo o rádio e ainda me recordo de Mimi. As gaivotas desaparecem,&lt;br /&gt;embebedo-me com licor de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;guavira&lt;/span&gt; e canto...&lt;br /&gt;“&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Sì&lt;/span&gt;. Mi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;chiamano&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Mimì&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;ma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;il&lt;/span&gt; mio nome è &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Lucia&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;La &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;storia&lt;/span&gt; mia è breve.&lt;br /&gt;A tela o a seta&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;ricamo&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;in&lt;/span&gt; casa e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;fuori&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Son&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;tranquilla&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;lieta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;ed&lt;/span&gt; è mio &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;svago&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;far&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;gigli&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;rose&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Mi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;piaccion&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;quelle&lt;/span&gt; cose&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;che&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;han&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;sì&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;dolce&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;malìa&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;che&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;parlano&lt;/span&gt; d’amor, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;di&lt;/span&gt; primavere,&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;di&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;sogni&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;di&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;chimere&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;quelle&lt;/span&gt; cose &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;che&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;han&lt;/span&gt; nome poesia...&lt;br /&gt;Lei m’intende?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://http//www.overmundo.com.br/banco/o-lado-oeste-da-noite-roteiro-cinema"&gt;O lado oeste da noite - roteiro &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;aprox&lt;/span&gt;. 100 minutos -    &lt;/a&gt; (arquivo 4.6 Mb )&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Domestica produções&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trilha sonora - Geraldo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;Espíndola&lt;/span&gt;/Arlindo Fernandez&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/o-lado-oeste-da-noite-a-cancao-geraldo-espindola"&gt;"O lado oeste da noite" - a canção.&lt;/a&gt; (mp3)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.apreis.org/ger.esp-atres.htm"&gt;"atrás dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;camalotes&lt;/span&gt;" -&lt;/a&gt; (mp3)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.apreis.org/ger.esp-atres.htm"&gt;(na França) (video)&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;As locações na cidade de &lt;a href="http://www.corumba.com.br/"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Corumbá&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e arredores. (Mato Grosso do Sul - Brasil )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005 participei das gravações de &lt;a href="http://festival.sundance.org/2009/film_events/films/carmo_hit_the_road"&gt;Carmo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;Hit&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;the&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Road&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - filme de &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/_usuarios/multiplas/1188950844_murilo_pasta.jpg"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;Murilo&lt;/span&gt; Pasta&lt;/a&gt; (nas mesmas locações).&lt;br /&gt;&lt;a href="http://portalliteral.terra.com.br/_usuarios/multiplas/1231546628_gravacaocarmo2007.jpg"&gt;Fiz uma ponta...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2944073506674879216?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2944073506674879216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/o-lado-oeste-da-noite-conto.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2944073506674879216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2944073506674879216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/o-lado-oeste-da-noite-conto.html' title='O lado oeste da noite  - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SowcJND1d2I/AAAAAAAAAGk/oK_p2MrZMZc/s72-c/o+lado+oeste+papel+parede+-high.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5688149786152693933</id><published>2009-08-19T07:55:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T20:45:53.801-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poster  1190 x 1684'/><title type='text'>pelas ruas de Campo Grande</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SozGpipVSfI/AAAAAAAAAGs/y3CFaUTIzXw/s1600-h/cal%C3%A7adasCampoGrande-poster+1190+x+1684.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371886872523262450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SozGpipVSfI/AAAAAAAAAGs/y3CFaUTIzXw/s400/cal%C3%A7adasCampoGrande-poster+1190+x+1684.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quarta-feira é dia de faxina meia-boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vangogh passou por aqui num disco-voador!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-3eef233041df07dd" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v14.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3eef233041df07dd%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2FC8F2DD2E98DCE2F60ABDBB6FD0427EC48BFE9.13700CD97732184261285F3CD9D43C6B582A7DA%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3eef233041df07dd%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DHWd6ImH9ZvWEWDEN0uSha1BFR8U&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v14.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3eef233041df07dd%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D2FC8F2DD2E98DCE2F60ABDBB6FD0427EC48BFE9.13700CD97732184261285F3CD9D43C6B582A7DA%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3eef233041df07dd%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DHWd6ImH9ZvWEWDEN0uSha1BFR8U&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5688149786152693933?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=3eef233041df07dd&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5688149786152693933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/pelas-ruas-de-campo-grande.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5688149786152693933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5688149786152693933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/pelas-ruas-de-campo-grande.html' title='pelas ruas de Campo Grande'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SozGpipVSfI/AAAAAAAAAGs/y3CFaUTIzXw/s72-c/cal%C3%A7adasCampoGrande-poster+1190+x+1684.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1857258034954880151</id><published>2009-08-18T13:45:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T09:17:33.221-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minhas fotos'/><title type='text'>Broa de fubá    (minha receita)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7Ig7t0XfI/AAAAAAAAAHc/BADnNlwBUgg/s1600-h/receita+da+v%C3%B3-fub%C3%A1+broa-fotos.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 223px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7Ig7t0XfI/AAAAAAAAAHc/BADnNlwBUgg/s400/receita+da+v%C3%B3-fub%C3%A1+broa-fotos.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372451873610817010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SotEZDMJtZI/AAAAAAAAAGU/rkDQ019srmI/s1600-h/broa2-foto-blogdom%C3%A9stica.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371462177713141138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SotEZDMJtZI/AAAAAAAAAGU/rkDQ019srmI/s400/broa2-foto-blogdom%C3%A9stica.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Minha avó tava arrumada pra pedra quando me ensinou a cozinhar. Eu descobri que tinha predisposição genética, que contrariava a razão quando assisti o filme “A comilança” - La Grande Bouffe de Marco Ferreri – e tentei reescrever o roteiro umas dez vezes... (um clássico do cinema)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 xícaras (chá) de fubá&lt;br /&gt;1 xícara de maisena ou polvilho doce&lt;br /&gt;1 lata de leite condensado&lt;br /&gt;1 colher de erva-doce&lt;br /&gt;1 xicara de óleo ou azeite (troquei a manteiga).&lt;br /&gt;1 pitada de sal (a gosto).&lt;br /&gt;1 colher de fermento em pó&lt;br /&gt;1 ovo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa panela coloque o óleo, erva-doce, sal e o leite condensado. Deixe ferver alguns segundos e acrescente 2 xícaras de fubá. Mexer bem até virar uma polenta. Retire do fogo e deixe esfriar. Acrescente mais uma xícara de fubá e outra de maisena, ovo e o fermento. Sove alguns minutos até a massa ficar moldável. Untar as formas polvilhar com fubá e assar 150 graus.(40 minutos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VEM AÍ UM BOLO DE &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/sonhos-de-tangerinas-geraldo-espindola-1"&gt;TANGERINA!&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1857258034954880151?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1857258034954880151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/minha-avo-tava-arrumada-pra-pedra.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1857258034954880151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1857258034954880151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/minha-avo-tava-arrumada-pra-pedra.html' title='Broa de fubá    (minha receita)'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/So7Ig7t0XfI/AAAAAAAAAHc/BADnNlwBUgg/s72-c/receita+da+v%C3%B3-fub%C3%A1+broa-fotos.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-968944976472511096</id><published>2009-08-18T12:30:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T13:46:55.994-07:00</updated><title type='text'>Faxina na casa do vizinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosCEXS8JHI/AAAAAAAAAFc/_UWVK2gZDkQ/s1600-h/faxina+na+casa+do+vizinho....bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosCEXS8JHI/AAAAAAAAAFc/_UWVK2gZDkQ/s320/faxina+na+casa+do+vizinho....bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371389254565635186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu &lt;/strong&gt;tenho problemas com sujeiras. Estudei todo tipo, desde a conhecida poeira até os pelos de animais, cabelos e restos de pele de humanos e poluição. Assim, tenho sina de doméstica e reservo todas as sextas-feiras da semana para limpeza de minha casa. Deixo as quintas-feiras pra lançar um livro ou fazer um vernissage, bolos e doces – coisas sem importância divina.&lt;br /&gt; Na quinta-feira que passou fui até a casa do poeta, às 5 horas da tarde. A linha do horizonte estava rubra e tinha um cheiro de poeira pregado no espaço, entre vãos de casas, quintais, telhados e calçadas irregulares. Campo Grande estava se recolhendo para caber dentro da noite. Estela, a musa do poeta, como uma estrela indez, servia o café enquanto eu faxinava despojos de poemas. Manoel de Barros disse que está no final de árvore e que prefere não lembrar do seu passado como um rio. Hoje, tem predileção por contemplar as engrenagens de um monturo... E, como uma luz que vegeta na roupa de um pássaro, saí da casa de Manoel de Barros escrevendo com cascas de poesia receitas mortas. Segundo o próprio poeta, “ninguém é pai de um poema sem morrer”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-968944976472511096?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/968944976472511096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/faxina-na-casa-do-vizinho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/968944976472511096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/968944976472511096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/faxina-na-casa-do-vizinho.html' title='Faxina na casa do vizinho'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosCEXS8JHI/AAAAAAAAAFc/_UWVK2gZDkQ/s72-c/faxina+na+casa+do+vizinho....bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-7202672327164393769</id><published>2009-08-18T12:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T13:45:15.218-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem 4134 x 1671'/><title type='text'>A mulher do japonês2   - conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosSq8m32II/AAAAAAAAAF8/ZA2mnCFXgFk/s1600-h/a+mulher+do+japon%C3%AAs2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 258px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosSq8m32II/AAAAAAAAAF8/ZA2mnCFXgFk/s400/a+mulher+do+japon%C3%AAs2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371407509602424962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;aquele campo imenso morava pouca gente, inclusive eu, menino ainda – nem pêlos tinha. As coisas por lá aconteciam lentamente, até as nuvens voavam de ré. O dia tinha a espessura de uma folha seca que viajava no vento morno e, para chegar ao poente, ainda havia dois córregos e uma lagoa para atravessar. Assim, o tempo vadiava, vadiava.&lt;br /&gt;Todas as casas tinham uma mangueira, limão-de-bugre, uma goiabeira e quase todas ficavam na rua principal. A mercearia do japonês ficava em frente ao mercado municipal. Lá vendia-se fumo, guavira, guaraná em pó e araticum. Aquele campo era um lugar bem alegre, largado e vadio, mas todos os moradores se entendiam, inclusive os libaneses – o preconceito e as andorinhas tinham sido banidos dali.&lt;br /&gt;O idiota da vila anunciava a noite cantando ao longo da rua principal e, quando as estrelas tiravam suas roupas, ele dormia sobre o telhado de alguma das casas enquanto a noite salpicava urina de orvalho em seu chapéu rasgado. Os homens capinavam a preguiça no bar do Zé, quando o sol estava a pino; depois, bebiam de tudo, inclusive cachaça, chimarrão, tereré e falavam em língua de boi enquanto as mulheres cantavam em morenês e maceravam a mandioca, a guavira, a farinha e faziam delícias em sopa paraguaia, chipa, pães e doces.&lt;br /&gt;Os meninos e as meninas estudavam todos juntos. Depois, os moleques sondavam as pererecas e as jias das meninas, que fingiam ser apenas girinos. Viver naquele remanso de acontecimentos esculpidos no vazio era tarefa árdua de sabiá-laranjeira e poeta.&lt;br /&gt;Numa manhã, chegou por ali uma mulher estranha, com a pele e olhos iguais a de um lagarto, e que comia ovos de orvalho. Tempos depois, a mulher se apaixonou pelo japonês e eles se casaram. Aniceto, o japonês, era um índio Terena, que por razões desconhecidas ficara branco e, por isso, todos o chamavam de japonês. E nesta vastidão de monotonia, onde nada de incomum acontecia, todos vivíamos felizes por muito tempo. O japonês e sua mulher trabalhavam no armazém, onde ela fazia e vendia pastéis de lingüiça de surubim – os melhores do mundo. Todos apreciavam aquele acepipe com pimenta: João Rola-Flor, o benzedor, comia mais de dez – todos os dias – mas morreu logo em seguida. E assim foi. As pessoas não comiam mais os pastéis com medo de morrer.&lt;br /&gt;Aniceto e sua mulher chegaram ao apogeu do vazio, e o japonês confessou que havia inventado aquela mulher para fazer ajuda em seus negócios e também na vida sexual – ele queria um bugrinho com ela. Ninguém acreditou na história e a mulher foi se transformando em lagarto até o fim - nem benzedor deu jeito. Dizem que ela vive no meio dos tiús até hoje.&lt;br /&gt;Manoel era um menino magro, que parecia um mosquito de hospício. Ele vivia a céu aberto e sem camisa, mostrava a língua para pássaros, arrancava pétalas de sapos e tinha vício de espionar por dentro das pessoas – depois escrevia nas pedras com gosma de lagartixa para todos ficarem sabendo – ficou conhecido no mundo inteiro.&lt;br /&gt;Menino endiabrado, me convidou para assustar a lua no Lago do Amor. Saímos de mansinho. Pra lá da meia-noite, topamos com uma figura desfolhada, que remava rumo à cidade - nunca enxergamos seu rosto. Naquela noite, dona Marcília morreu e, noite após noite, morria um dos velhos moradores – sempre depois da visita do remador.&lt;br /&gt;Tenho segredos com Manoel. Numa noite escura furamos a canoa daquele estorvo e tapamos o buraco com sabão de cinzas. Canoa e canoeiro foram parar no fundo do lago lamacento de bagres e carás. Para aquelas bandas, hoje só nasce criança de dupla e ninguém morre, inclusive nas Moreninhas.&lt;br /&gt; Sempre encontro Manoel fazendo arranjos para canto de tucanos pelas ruas de Campo Grande. Outro dia, perguntei se ele lembrava da mulher do japonês. Ele respondeu em Fellini. - Claro que recordo, a mulher do bugre Aniceto, aquela que virou “largato”!&lt;br /&gt;Foi bem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-7202672327164393769?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/7202672327164393769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/mulher-do-japones2-conto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7202672327164393769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/7202672327164393769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/mulher-do-japones2-conto.html' title='A mulher do japonês2   - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SosSq8m32II/AAAAAAAAAF8/ZA2mnCFXgFk/s72-c/a+mulher+do+japon%C3%AAs2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-5419061396807645513</id><published>2009-08-17T05:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T14:48:19.945-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagem domésticas  640 x 640'/><title type='text'>Domésticas!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolYYuHq7iI/AAAAAAAAAEI/lxIjbqJuiFM/s1600-h/blog-pimenta.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370921212336336418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolYYuHq7iI/AAAAAAAAAEI/lxIjbqJuiFM/s400/blog-pimenta.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Doméstica. Nos dicionários, substantivo feminino, empregada doméstica, empregada e criada. Eu e milhões de mulheres - e hoje em dia centenas de homens - fizemos por merecer carregar o feliz fadário de “doméstica”. Desde a minha avó eu já conhecia este cargo, que geralmente era exercido por mulher como ela, que criou treze filhos nos cafundós de Caarapó, em Mato Grosso do Sul. Falo, escrevo e dou fé que é uma profissão filosofal inexplicável de pedra e que ressoa como versos de um relato de amor (só assim pra agüentar!).&lt;br /&gt;Brilham as constelações diurnas nas profundezas do azul de agosto. É quando a amada vai trabalhar, o dia recende a guaviras, poeira, rumores de aves e o cheiro da comida vagueia pela casa. Conheço, profundamente, as manhas das sujeiras, assim como o rubro singular do vinho que bebo ante ao fogo amarelado que cozinha o feijão depois das camas arrumadas. Faço arroz-de-carreteiro, pastel chinês, chipas, bolos, broas e pães assados, que entrevero com &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/arlindo-fernandez"&gt;contos&lt;/a&gt;, canções e roteiros para cinema. O dia termina como o de um burocrático funcionário público: ilustrando &lt;a href="http://www.baixaki.com.br/perfil/138977/"&gt;“nadas”...&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;Esta é a sina de uma doméstica que compara a vida com um filme e que também acha que o tempo é delineado pela triste voz de um violino enquanto giramos absurdamente, entorpecidos pelo espaço. O que se segue não são fábulas, são contos, relatos e receitas culinárias, produtos de uma manhã bem faxinada. Portanto, isso não é um filme. A história do filme é pura invenção do diretor Fernando Meireles, que fez uma obra-prima do cinema brasileiro, “Domésticas”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-5419061396807645513?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/5419061396807645513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/domesticas_17.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5419061396807645513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/5419061396807645513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/domesticas_17.html' title='Domésticas!'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolYYuHq7iI/AAAAAAAAAEI/lxIjbqJuiFM/s72-c/blog-pimenta.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1282185026462034932</id><published>2009-08-17T05:52:00.001-07:00</published><updated>2009-08-18T14:20:56.046-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papel de parede 1280 x 713'/><title type='text'>papel de parede</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolTGYtjSyI/AAAAAAAAADw/SHIufpSoFGI/s1600-h/caf%C3%A9+da+manh%C3%A3+no+pantanal.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370915399793855266" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolQn6z2cQI/AAAAAAAAADo/3zChQgDQZus/s400/blog-da-domestica-wallpaper-formigas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;manhãs de agosto&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1264589290779781607?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1264589290779781607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede_17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1264589290779781607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1264589290779781607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede_17.html' title='papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SolQn6z2cQI/AAAAAAAAADo/3zChQgDQZus/s72-c/blog-da-domestica-wallpaper-formigas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-1973522453454954516</id><published>2009-08-16T19:46:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T15:01:55.709-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Papel de parede 1280 x 713'/><title type='text'>Papel de parede</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojFk_we5QI/AAAAAAAAADg/2dTh3GOM9ZM/s1600-h/snake-laranja.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370759795020064002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 223px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojFk_we5QI/AAAAAAAAADg/2dTh3GOM9ZM/s400/snake-laranja.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;sábado 5 horas da tarde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-1973522453454954516?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/1973522453454954516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1973522453454954516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/1973522453454954516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/papel-de-parede.html' title='Papel de parede'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojFk_we5QI/AAAAAAAAADg/2dTh3GOM9ZM/s72-c/snake-laranja.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2383651190559826698</id><published>2009-08-16T19:38:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T07:40:20.886-07:00</updated><title type='text'>A menina que conheci - conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojDR8eFe3I/AAAAAAAAADY/wTJQbvRyzJk/s1600-h/a+menina+que+conheci+-blogdom%C3%A9stica.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 272px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojDR8eFe3I/AAAAAAAAADY/wTJQbvRyzJk/s400/a+menina+que+conheci+-blogdom%C3%A9stica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370757268696824690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sua religião é primitiva e também um tacho de angústia. Para&lt;br /&gt;atenuar o medo, vocês inventaram seres à sua imagem, que lhe&lt;br /&gt;darão o céu ou o inferno. Mas aqui, eu, os peixes e as gaivotas&lt;br /&gt;compreendemos as leis da causalidade e despoetizamos Deus. A&lt;br /&gt;nossa religião consiste em se extasiar ante o brilho do mar e o&lt;br /&gt;ruído da luz do Sol. Você me entende?, disse ela, em tom de poema.&lt;br /&gt;Eu precisava infantilizar o meu coração para entender, mas já&lt;br /&gt;tinha 13 anos e tudo que eu queria saber era como uma menina,&lt;br /&gt;quase criança, tinha tanta sabedoria.&lt;br /&gt;Era outubro chuvoso, as gaivotas estavam tristes sobre pedras&lt;br /&gt;e restos de antigas embarcações. A tarde já se equipava para a&lt;br /&gt;noite, eu ouvia vozes de pedras e das águas, e me atrapalhava com&lt;br /&gt;anzóis, linhas e iscas. Não havia pescado nada, nem peixe, então ouvi uma fala pequena. Ao ver, fiquei espantado. Os olhos da&lt;br /&gt;fala eram verdes e ela nadava feito golfinho. Era uma menina de&lt;br /&gt;boca vermelha e tudo. A pele era branca, pegava as cores do céu&lt;br /&gt;e tinha também pernas iguais a peixe. Santificamos a nossa amizade&lt;br /&gt;pra eu nunca ter que contar pra ninguém – fiquei surdo&lt;br /&gt;desse assunto.&lt;br /&gt;Outubro seguinte, ela desapareceu entre as pedras da baía e&lt;br /&gt;nunca mais voltou – deixou uma flor aberta dentro de mim. Dizia&lt;br /&gt;ela que nunca havia lido nem Proust, nem Platão e tão pouco&lt;br /&gt;Aristóteles ou João, mas sabia ler águas profundas e também céu,&lt;br /&gt;era formada em peixes, pássaros e gente. Também nunca escutou&lt;br /&gt;Sibelius, nem rádio em ondas médias, mas ouvia em freqüência&lt;br /&gt;modulada conchas e pérolas. Sua bagagem evolucionária era armazenada&lt;br /&gt;em tomos, então, o conhecimento passava para as gerações&lt;br /&gt;seguintes através dos genes. Calculei tudo aquilo e achei&lt;br /&gt;no mínimo intrigante... Voltei inúmeras tardes de chuvas e outubros&lt;br /&gt;e só recebi bilhetes de gaivotas.&lt;br /&gt;Nunca mais soube sobre a tal criatura, assim como apareceu&lt;br /&gt;naquela baía numa tarde de chuva, desapareceu para sempre. A&lt;br /&gt;menina que conheci foi responsável pela insurreição da minha&lt;br /&gt;sabedoria sobre metafísica, inclusive dou aula na feira e, entre&lt;br /&gt;galinhas e ovos, sou filósofo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2383651190559826698?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2383651190559826698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/menina-que-conheci-conto_16.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2383651190559826698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2383651190559826698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/menina-que-conheci-conto_16.html' title='A menina que conheci - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/SojDR8eFe3I/AAAAAAAAADY/wTJQbvRyzJk/s72-c/a+menina+que+conheci+-blogdom%C3%A9stica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2856409220849678053</id><published>2009-08-16T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T11:46:14.831-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minha primeira animação  em 3D  - bryce 6.1'/><title type='text'>Uma tarde dos infernos</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-1f24c77894c6f506" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v17.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D1f24c77894c6f506%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D40C617DDC920A387458D62089E4C3909F7672B53.49155F2CE822D3A78D291BBA14F03CC8C960631F%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D1f24c77894c6f506%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DvrJd_VETV1eIpLTcsIfgJBSCCBg&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v17.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D1f24c77894c6f506%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D40C617DDC920A387458D62089E4C3909F7672B53.49155F2CE822D3A78D291BBA14F03CC8C960631F%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D1f24c77894c6f506%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DvrJd_VETV1eIpLTcsIfgJBSCCBg&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2856409220849678053?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=1f24c77894c6f506&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2856409220849678053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/uma-tarde-dos-infernos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2856409220849678053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2856409220849678053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/uma-tarde-dos-infernos.html' title='Uma tarde dos infernos'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-2570209442113617613</id><published>2009-08-16T18:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T11:48:52.858-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animação em 3D  bryce 5.5  - continuo tentando'/><title type='text'>Affair - um romance em 10 segundos</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-3a2e9026d13305e2" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v7.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3a2e9026d13305e2%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D45C8B0642F63C18F8A96413BFD10F947532082F4.32D859909DA53A7786D5E609D1E18D8164B0F134%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3a2e9026d13305e2%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DOmXNqZ-u0WDQXovPUTsQzUetNPU&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v7.nonxt7.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3a2e9026d13305e2%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330160189%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D45C8B0642F63C18F8A96413BFD10F947532082F4.32D859909DA53A7786D5E609D1E18D8164B0F134%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3a2e9026d13305e2%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DOmXNqZ-u0WDQXovPUTsQzUetNPU&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-2570209442113617613?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=3a2e9026d13305e2&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/2570209442113617613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/affair-um-romance-em-10-segundos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2570209442113617613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/2570209442113617613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/affair-um-romance-em-10-segundos.html' title='Affair - um romance em 10 segundos'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2455960041415786757.post-6100597741066273656</id><published>2009-08-16T17:41:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T17:59:48.403-07:00</updated><title type='text'>A estrada de leite - conto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Soira_S3u7I/AAAAAAAAADI/nHiMlFlG-PU/s1600-h/THE+DUKCS-ESTRADA+DE+LEITE-blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370731035794848690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 182px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Soira_S3u7I/AAAAAAAAADI/nHiMlFlG-PU/s400/THE+DUKCS-ESTRADA+DE+LEITE-blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu sempre vivi aqui, desde que nasci. Mas a casa onde morei com os meus pais, era perto daquele lago. Hoje é tapera e só os patos dormem lá. Meu pai era uma criatura misteriosa, sonhava com estrelas, mundos distantes e patos. Desde pequeno ouvia meu pai dizer que construiria uma nova casa sobre este morro. Foram nove anos de trabalho duro - eu, minha mãe e meu pai. A casa ficou bela, sobretudo à noite, quando o telhado, o terreiro e o caminho formavam uma estrada branca – como leite. Reflexo do céu. Foi plano de meu pai fazer a nossa casa bem debaixo daquela estrada branca e prateada. Era rota dos patos, uma estrada noturna ficava de cabeça pra baixo e latejava muito. Meu pai dizia que era a estrada de leite e que estava ali desde que eu nasci – foi numa noite que chorei de fome e apertei com força o seio da minha mãe, jorrando aquele leite estrelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inverno, as noites eram profundas, brilhantes, e seu peso caía sobre nossos corpos - geralmente deitávamos no chão do terreiro da nossa casa, lugar onde minha mãe desapareceu numa porta que se abriu no céu. Depois disso, meu pai ficou triste e seguiu seu caminho, sua rota, junto com os patos que migravam para o sul. Fiquei ali sozinho, à mercê do fluxo daquela estrada, que trazia coisas com o vento.&lt;br /&gt;Um poderoso silêncio de pedra se apoderou de mim e da casa, transformando-a numa taberna na beira de um caminho. Eu ouvia uma voz que vinha da noite e que, repetidas vezes, dizia; “Juno, olha os deslimites das alturas; creia, esta estrada também tem um lado de dentro”. A voz foi um presságio das alturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite, aquela porta apareceu no espaço mais uma vez. Dela, saiu um homem que trajava roupas velhas surradas, tinha o couro enraizado pelo tempo, cabelos, barbas esbranquiçadas e se parecia com nada conhecido. Ele tossia luz, também falava em língua de próton e nêutron, tinha o cheiro de malva e contava histórias sobre mares extintos e universos reais, com determinismo científico. Este andarilho das estrelas foi meu preceptor, seu lado de dentro atendia pelo nome de Vaziador. Com ele aprendi a ler céus, vácuos e também que todos os universos que circundam o Cosmos são feitos de vazios, grandes vazios, inclusive o próprio Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupei todo o meu desconhecer e formulei a teoria da não existência vã. Vaziador seguiu seu destino e partiu num pacote de luz pela mesma porta que chegou. Fiquei novamente exposto à desmedida do tempo que cruzava de arribação. Meu corpo iniciou uma mutação com resíduos da vida anterior, preenchi todo o vazio do meu corpo com átomos de luz – virei um acelerador de partículas atômicas - e isso me permitiu fazer viagens inacreditáveis por universos demasiadamente atemporais, distâncias fabulosas em tempos inimagináveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cozinha da nossa casa era ampla. Tinha um guarda-comida, fogão de ferro, antigos utensílios de cobre, tachos e uma enorme mesa com oito cadeiras de madeira. É justamente numa das pernas desta mesa que me mudei numa torrente de energia, que desintegrou meu corpo, adentrou no desvão e depois num átomo da madeira como uma nave, revelando aos meus olhos um universo repleto de mundos e criaturas alheios a meus anseios e conhecimentos. No interior de um átomo, na superfície do elétron, numa charneca onde construí minha nova morada, pude observar um outro céu, vasto, com dois sóis, vários mundos e luas verdes, azuis e vermelhas, vizinhas ao meu. A nossa casa, lá fora, ficou só. Eu continuei dentro dela e aquele universo criou limo pelo lado de fora. O telhado e o terreiro ainda eram um espelho para a estrada de leite. Os patos continuaram em seus vôos matemáticos no silêncio noturno do inverno, todos os anos. Junto deles, meu pai, que carregava o tempo nas asas.&lt;br /&gt;Aquela porta, um holograma que se abriu sobre o céu de nossa casa inúmeras vezes e engoliu a minha mãe, se trancou para sempre. E, na ampla cozinha da casa, numa perna da mesa onde comíamos juntos, emprestei um coeficiente de magia e me perpetuei. Foi o ovo da gênese, num sistema planetário de prótons, nêutrons, elétrons e quarks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Átomo - Unidade básica da matéria comum, constituído de um minúsculo núcleo – formado de elétrons prótons e nêutrons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Determinismo cientifico - concepção do universo como um mecanismo.(o conhecimento completo do estado do universo permite prever o estado completo em épocas passadas ou futuras.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próton - partícula de carga positiva, muito parecida com o nêutron, que representa cerca da metade da massa de um núcleo atômico – compõe-se de três quarks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nêutron – partícula muito parecida com o próton – representa cerca da metade das partículas de um núcleo atômico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quark - partícula elementar carregada que sofre a força forte. Tem seis tipos (up,down,charm,stranger,top e bottom) e três cores (vermelho,verde,azul).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2455960041415786757-6100597741066273656?l=blogdadomestica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/feeds/6100597741066273656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/estrada-de-leite-conto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6100597741066273656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2455960041415786757/posts/default/6100597741066273656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadomestica.blogspot.com/2009/08/estrada-de-leite-conto.html' title='A estrada de leite - conto'/><author><name>blog da domestica</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02425487318004630095</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/-GDJUYyiEODQ/Trp_lr4dNUI/AAAAAAAAAWY/qI3djJVaMVk/s220/foto%2Barlindo%2Bfernandez-sepia..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0NTQhCXBgQM/Soira_S3u7I/AAAAAAAAADI/nHiMlFlG-PU/s72-c/THE+DUKCS-ESTRADA+DE+LEITE-blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
